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Espetáculos

Jovens de comunidades do Rio encerram formação teatral com peça de Brecht no Armazém da Utopia

Por Cadu Costa
Última Atualização 16 de outubro de 2026
9 Min Leitura
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Tópicos
  • Peça de Brecht discute obediência e pensamento crítico
  • Crias da Comunidade forma jovens para o teatro
  • Armazém da Utopia aposta na democratização da cultura
  • Elenco e equipe técnica
  • Serviço
  • Leia mais

Espetáculo gratuito “Aquele que diz sim e Aquele que diz não” terá duas sessões no dia 17 de outubro, com acessibilidade em Libras e audiodescrição.

Vinte e três jovens de comunidades do Rio de Janeiro encerram uma etapa de formação artística e profissional com duas apresentações gratuitas no Armazém da Utopia, na Zona Portuária. No sábado, 17 de outubro, o grupo encena Aquele que diz sim e Aquele que diz não, livre adaptação da obra do dramaturgo alemão Bertolt Brecht.

As sessões acontecem às 17h e às 19h30. A montagem marca o encerramento da primeira edição do Crias da Comunidade, projeto sociocultural que oferece formação artística e técnica para jovens interessados em diferentes áreas do teatro e da economia criativa.

Com dramaturgia e direção de João Batista, professor e coordenador da iniciativa, o espetáculo propõe uma reflexão sobre obediência, responsabilidade coletiva e o direito de questionar regras. A programação também reforça a proposta de ampliar o acesso à cultura e aproximar novos profissionais dos bastidores da produção teatral.

Todas as sessões abertas ao público terão intérprete de Libras e audiodescrição. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados pela plataforma Sympla, conforme a disponibilidade.

Peça de Brecht discute obediência e pensamento crítico

A montagem parte de uma história marcada por uma emergência. Uma grave epidemia atinge uma cidade, e um grupo de estudantes decide atravessar as montanhas em busca de medicamentos. A expedição é liderada por um professor e conta com a participação de um menino cuja mãe está doente.

Durante o percurso, o garoto também adoece e fica impossibilitado de continuar a viagem. Diante da situação, o grupo precisa enfrentar uma tradição segundo a qual quem não consegue prosseguir deve ser abandonado para não comprometer a missão coletiva.

A obra apresenta duas possibilidades para o mesmo conflito. Em Aquele que diz sim, o menino aceita o destino imposto pela tradição, colocando a decisão coletiva acima de sua própria vontade. Em Aquele que diz não, ele questiona a regra e se recusa a aceitar uma decisão que ameaça sua vida.

A apresentação dos dois desfechos coloca em debate os limites da obediência e a legitimidade das normas sociais. A narrativa também questiona a ideia de que uma tradição deve ser seguida sem discussão, mesmo quando suas consequências afetam diretamente a vida de alguém.

Ao levar o texto de Brecht ao palco, os jovens participantes trabalham com questões que ultrapassam o universo teatral. A montagem convida o público a refletir sobre autonomia, diálogo e responsabilidade diante de decisões que atingem uma comunidade.

Crias da Comunidade forma jovens para o teatro

O espetáculo é resultado de um processo de formação que reuniu 23 jovens moradores de comunidades do Rio de Janeiro. Durante o projeto, os participantes tiveram contato com diferentes áreas do fazer teatral, tanto na atuação quanto nos aspectos técnicos necessários à realização de uma montagem.

As aulas incluíram interpretação, corpo, voz e História do Teatro. A formação também abordou figurino, cenário, iluminação, sonorização e produção, permitindo que os alunos conhecessem as etapas envolvidas na criação e execução de um espetáculo.

A proposta é ampliar as possibilidades de inserção profissional na cultura. Ao conhecer diferentes funções, os participantes podem identificar áreas de interesse e compreender como as equipes artísticas e técnicas trabalham de forma integrada.

Além das aulas, o programa ofereceu lanche em todos os encontros e, mensalmente, ajuda de custo e cesta básica para cada participante. A iniciativa combina qualificação profissional, acesso à cultura e apoio às condições de permanência dos jovens na formação.

A apresentação final reúne o trabalho desenvolvido ao longo do curso e coloca os participantes diante de uma experiência profissional de criação e apresentação teatral. O projeto busca aproximar os jovens da cultura não apenas como espectadores, mas também como possíveis trabalhadores da cadeia produtiva.

Armazém da Utopia aposta na democratização da cultura

O Crias da Comunidade integra as ações do Armazém da Utopia voltadas à formação artística, à cidadania e à ampliação do acesso à cultura. A iniciativa conta com patrocínio master da Shell, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura.

Para João Batista, diretor do espetáculo, coordenador do projeto e professor dos alunos, a formação está ligada ao papel social do espaço cultural.

“Com esse projeto, o Armazém da Utopia dá um passo a mais no seu objetivo de ser um espaço de construção de cidadania e de luta pela democratização da cultura”, afirma.

O patrocínio também apoia outras atividades culturais e formativas realizadas no Armazém da Utopia. Segundo as informações divulgadas pela organização, o investimento contribui para a manutenção de seis laboratórios artísticos e técnicos e gera 48 postos de trabalho ligados à cultura e à economia criativa.

Desde 2025, o apoio permitiu a realização de seis oficinas gratuitas para 156 pessoas e de 20 visitas guiadas, que beneficiaram 228 participantes. A iniciativa também viabilizou a distribuição de mais de 25 mil ingressos gratuitos para espetáculos destinados a escolas e comunidades, além da cessão de mais de 100 ônibus e vans para ampliar o acesso de diferentes públicos à programação cultural.

A apresentação de Aquele que diz sim e Aquele que diz não encerra a primeira edição do Crias da Comunidade e evidencia uma das frentes desse trabalho: preparar novos profissionais para atuar em diferentes etapas da produção cultural.

Elenco e equipe técnica

A montagem reúne os 23 participantes do projeto, que dividem as atividades de interpretação e criação teatral. A direção e a dramaturgia são de João Batista, com cenário de Doris Rollemberg, figurinos de Mauro Leite e iluminação de Cesar de Ramires.

Caio Loureiro e João Batista assinam as músicas originais. Loureiro também responde pela preparação vocal para canto. Jonas Raibolt atua como assistente de direção, Alessandra Cadore é assistente de figurino e Marina Gadelha assina a produção.

O espetáculo tem duração de uma hora e será apresentado em duas sessões gratuitas no sábado, 17 de outubro. A lotação informada é de 273 lugares, e todas as sessões abertas ao público contarão com recursos de acessibilidade.

A iniciativa transforma o encerramento da formação em uma oportunidade de encontro entre os jovens artistas e o público. Ao mesmo tempo, coloca em cena um texto que questiona decisões impostas e convida à reflexão sobre o papel da coletividade.

Serviço

Aquele que diz sim e Aquele que diz não

  • Data: sábado, 17 de outubro de 2026
  • Horários: 17h e 19h30
  • Local: Armazém da Utopia, Rio de Janeiro
  • Entrada: gratuita, com retirada de ingressos pela Sympla
  • Duração: 1 hora
  • Acessibilidade: intérprete de Libras e audiodescrição em todas as sessões abertas ao público
  • Projeto: Crias da Comunidade
  • Realização: Armazém da Utopia

Ingressos: Sympla — Armazém da Utopia

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Tags:Aquele que diz sim e Aquele que diz nãoArmazém da UtopiaBertolt BrechtCrias da Comunidadeeconomia criativaformação artísticaprogramação cultural rio de janeiroshell brasilteatro cariocateatro gratuito no Rio de Janeiro
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PorCadu Costa
Cadu Costa era um camisa 10 campeão do Vasco da Gama nos anos 80 até ser picado por uma aranha radioativa e assumir o manto do Homem-Aranha. Pra manter sua identidade secreta, resolveu ser um astro do rock e rodar o mundo. Hoje prefere ser somente um jornalista bêbado amante de animais que ouve Paulinho da Viola e chora pelos amores vividos. Até porque está ficando velho e esse mundo nem merece mais ser salvo.

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