Wednesday, September 22, 2021

Caiu na net | Antropóloga da USP aborda a exposição de mulheres na internet

Caiu na net? Pesquisa da FGV revela que o Brasil possui mais celulares que pessoas (234 e 211 milhões, respectivamente). Não há como, em 2021, escapar de uma foto, de uma filmagem ou de um flagra. Porém, ao ser registrado, isso pode ganhar o mundo através da internet. Para entender o fluxo que uma foto íntima – o famoso ‘nude’ – percorre entre o clique e a exposição, a doutora em antropologia e pesquisadora Beatriz Accioly Lins escreveu um livro.

O lançamento é através da Editora Telha. A obra “Caiu na Net: Nudes e exposição de mulheres na internet” tem como foco a figura da mulher que sofre infinitamente mais com essa divulgação do que o homem.

“Após acompanhar, para minha tese de doutorado, a rotina dentro de duas delegadas de defesa da mulher, percebi o aumento dos registros de ameaças e chantagens ligados às novas tecnologias, principalmente o uso dos smartphones”, diz Beatriz Accioly.

Beatriz conduz o leitor pela trilha dessas imagens vítimas de julgamentos morais, acusações e até perseguições. Sua pesquisa acompanhou ativistas, gestores públicos, juristas, jornalistas e pesquisadores. Tudo a fim de elucidar as consequências desses atos. Além disso, busca mostrar como o Direito pode zelar pelos direitos da vítima dessas divulgações criminosas. Nesses casos, o advento das redes sociais e da sociedade cada vez mais conectada, se torna um inimigo implacável que atua em prol de quem visa constranger, intimidar e até aliciar alguma mulher.

Desigualdade

Para a autora de “Caiu na Net”, tais materiais ilustram sem sombra de dúvida a desigualdade e circunstancial violência de gênero que elas sofrem dentro dessa temática. Se para algumas mulheres o ‘nude’ representa novas experiências de paquera e sedução, essa atitude pode vir a se reverter em chantagem quando aquela imagem deixa de ter um ou dois conhecedores e passa a ser acessada por milhares de pessoas, o que configura o chamado “vazamento”.

“A tipificação penal em 2013, quando houve o ‘boom’ dos celulares no país, dificultava o trabalho da polícia. À época, pegamos emprestado o termo ‘pornografia de vingança’ da língua inglesa, na falta de termos uma nomenclatura nossa”, afirma Beatriz Accioly.

Ou seja, o julgamento que antes só se via em tribunais ganhou uma nova esfera: a cibernética. A pessoa que é exposta em sua intimidade nas redes sociais é taxada como sem valor. Dessa forma, sofre um linchamento social muitas vezes pior que o veredito de uma ação de danos morais que possa ocorrer contra o divulgador das fotos.

Afinal, “Caiu na Net” é potente e esclarecedor. Mostra como, na sociedade atual, nada é muito simples no trânsito entre os prazeres e os perigos. Ou, como usa a autora, entre o desejado e o nocivo.

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