Dirigido por Seo Eun Young, Ditto: Conexões do Amor entrega um K-Drama eficiente, mas confortável demais para o próprio bem.
Já faz tempo que as comédias dramáticas sul-coreanas romperam as barreiras de seu país de origem e conquistaram o público ocidental, muito impulsionadas por plataformas como a Netflix que as distribuíram para uma audiência que não conhecia anteriormente. Com uma estrutura distinta das comédias românticas norte-americanas, essas produções apostam em um ritmo mais contemplativo e em uma doçura constante, muitas vezes dispensando até mesmo o contato físico entre os protagonista, algo que, para seu público principal, pouco importa.
Em Ditto: Conexões do Amor, essa sensibilidade ganha um toque de ficção científica ao apresentar a comunicação via rádio amador entre Yong, um estudante de 1995, e Moo-neui, uma jovem de 2022. A ideia, por si só, carrega um potencial narrativo interessante, ainda mais quando o filme envolve seus protagonistas em jornadas amorosas paralelas e conectadas.

Hye-Yoon Kim em cena de “Ditto: Conexões do Amor”- Divulgação Sato Company
Embora o longa esconda o elemento temporal por um bom tempo, ocasionando um susto para o público quando é finalmente revelado, ele acaba limitando essa premissa a diálogos centrados em relacionamentos, sem explorar de forma mais inventiva as possibilidades desse contato entre épocas. O foco permanece restrito aos dois casais: Yong e Han-Sol, Moo-neui e Kim Eun Seong, sem se desviar dessa estrutura em nenhum momento.
Visualmente, Ditto: Conexões do Amor acerta ao apostar em uma estética suave e quase onírica. A mise-en-scène que posiciona os protagonistas frente a frente, apesar da distância temporal, é um dos pontos altos, assim como a paleta de cores em tons claros e pastéis. Em alguns momentos, os cenários parecem irreais, como a cena da chuva com Moo-neui, que evoca uma atmosfera quase sonhadora, e isto coloca a produção em um patamar que foge do realismo natural, e é muito bem vindo dentro desta narrativa.
Nos momentos mais íntimos, Ditto: Conexões do Amor funciona bem: as interações são delicadas e carregadas de uma pureza emocional típica do gênero. Seja no pedido de namoro de Yong ou na declaração de Moo-neui, o filme encontra sua força nesses pequenos gestos, ainda que seu ritmo pudesse ser mais dinâmico.

Yi-Hyun Cho em cena de “Ditto: Conexões do Amor”- Divulgação Sato Company
Por outro lado, a trilha sonora não se destaca, e falta ao longa um elemento mais marcante que permaneça com o espectador após a sessão. A atmosfera idílica, com eclipses e encontros casuais, ajuda a compor o tom, mas não é suficiente para elevar a experiência, e realmente se tornar memorável entre tantos outros filmes que seguem uma estrutura semelhante.
Comparado a produções mais recentes, como Regras do Amor na Cidade Grande (2025, Eon-hee Lee), o filme parece excessivamente preso a fórmulas já conhecidas. Isso se torna ainda mais evidente ao lembrarmos que se trata de um remake de Ditto (2000, Kim Jung-kwon), que apresentava uma ousadia estética e narrativa muito maior do que aquela que presenciamos no filme de Seo Eun Young.
No fim, Ditto: Conexões do Amor cumpre seu papel dentro do gênero, mas não se arrisca o suficiente para se destacar. É um filme agradável, porém seguro, e talvez excessivamente confortável para o próprio bem.
Distribuído pela Sato Company, o longa estreia nos cinemas no dia 26 de março.
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