Thursday, August 11, 2022

Crítica | ‘Ela e Eu’ é metáfora sensível da mudança incontrolável

É muito bom sonhar que está voando. Quem teve esse sonho sabe disso, e mesmo quem não teve, consegue ter noção da sensação. Ela e Eu é o segundo longa-metragem de ficção de Gustavo Rosa de Moura (Canção da Volta). Andrea Beltrão faz a protagonista Bia e mostra sua desenvoltura tradicional como uma ex-roqueira que desperta após 20 anos em coma. Não à toa, ganhou prêmio de melhor atriz no 54º Festival de Brasília, em 2021.

Em seu primeiro ato o filme constrasta a vida ativa da família com a catatonia de Bia. O homem, Carlos (em ótima atuação de Eduardo Moscovis), é quem faz sexo oral na esposa, cozinha e trabalha.

A forma como o diretor retrata os personagens tem uma sensibilidade palpável e os closes nos olhares de Bia favorecem o trabalho de Andréa Beltrão. Aliás, no geral, os closes são bastante utilizados, mas isso não cansa. É uma escolha acertada para extrair ao máximo a expressão dos atores. O diretor Gustavo Rosa de Moura acerta.

Metáforas

A cena de Carol dando banho na mãe exala a felicidade de um renascimento. Por outro lado, a vida da personagem de Renata (Mariana Lima) fica mais difícil. A atenção que ela tinha como matriarca se perde. As relações ao redor são afetadas, pois as prioridades mudam. Essa metáfora que o filme apresenta, de como tudo pode mudar de uma hora para outra, de que não temos controle sobre nada, é deveras importante.

É possível fazer uma ligação com a pandemia, ou com diversas outras situações, a partir dessa mudança repentina da situação de Bia e a necessidade de adaptação que gera.

Todo o elenco consegue expressar as nuances da reverberação que a nova Bia traz e também reúne Karine Teles, que interpreta Sandra, a cuidadora de Bia, e Jessica Ellen, no papel de Giovanna, namorada de Carol.

Por fim, Ela e Eu é filme brasileiro de qualidade e estreia no dia 21 de julho.

Afinal, veja o trailer:

Ademais, leia mais

O Presidente Improvável | Documentário traz Fernando Henrique Cardoso por ele mesmo

Crítica | ‘1982’ é uma ode à inocência em tempos difíceis

Águas Selvagens | Filme apresenta conceitos interessantes com ótimas atuações

3 Comments

Escreve o que achou!

%d blogueiros gostam disto: