Crítica | ‘1982’ é uma ode à inocência em tempos difíceis

O período da Guerra Fria foi marcado por muitos conflitos apoiados indiretamente por Estados Unidos e União Soviética, principalmente no Oriente Médio. Países da região sofreram com trocas de governo e com batalhas em territórios civis durante alguns anos, entre eles, o Líbano. Esse é o pano de fundo do filme 1982, longa de estreia do diretor Oualid Mouaness.

1982 acompanha a história de Wissam, um jovem aluno de uma escola em Beirute que pretende se declarar para sua colega de classe Joana. A simples narrativa é interrompida pelo som das bombas da , já anunciada, guerra. O que gera preocupa todos da escola.

Há inúmeras maneiras de se realizar um filme de guerra, algumas mais explícitas, outras mais sutis. Porém, o diferencial dos clássicos desse gênero quando eles não abordam o conflito em si, e sim as relações entre os personagens dele. 

Som

Em 1982, Mouaness opta por “esconder” a batalha. Além de raras ocasiões, o filme não mostra armas e tanques, e quando mostra, estão muito distantes da câmera. O trabalho de som é a grande chave nesse aspecto. Os silêncios interrompidos por explosões invisíveis deixam o visual para a imaginação do espectador. Essa incerteza torna o conflito ainda mais assustador.

O diretor conduz a narrativa para que o espectador esqueça o conflito por alguns segundos quando foca nas crianças. Apesar de infantil, é uma história bastante empática e cativante. E quando todas as pontas são amarradas para a guerra, o longa ganha uma personalidade. As relações são o que tornam o longa especial. As interações dos jovens entre si e dos professores com eles mesmos. E por fim, dos mais velhos assumindo o papel de proteção para os alunos. Proteção física e emocional.

A saber, o ritmo mais lento ajuda na construção da narrativa. Com apenas 100 minutos, todos os personagens tem seus momentos de desenvolvimento e dilemas, apresentando como cada um daqueles indivíduos se envolve emocionalmente com a situação. 

Enfim, no produto final, 1982 é uma reflexão sobre a inocência em tempos de guerra. No momento final do filme há uma sequência em animação que explicita essa mensagem de forma bastante sensível. Entretanto, para o brasileiro, talvez seja um pouco distante da realidade, mas carrega uma mensagem que merece atenção.

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