Dirigido por Michael Chaves, Invocação do Mal 4: O Último Ritual encerra franquia no auge e com respeito, mas sem surpresas como no começo.
Após 12 anos, dez produções e mais de dois bilhões de dólares arrecadados, a franquia Invocação do Mal chega ao capítulo final. O “Invocaverso”, que nasceu em 2013 sob a direção de James Wan, transformou os relatos reais dos demonologistas Ed e Lorraine Warren em um fenômeno global, e assim revitalizou o terror sobrenatural nos cinemas, trazendo um frescor para produções que se encontravam bem desgastadas. Mas será que, depois de tanto tempo, o público ainda encontra frescor em uma franquia tão longeva, a ponto de se empolgar com aquele que é prometido como o último capítulo?
O primeiro filme se destacou por unir sustos eficientes a uma história sobre amor e cumplicidade, algo que Patrick Wilson e Vera Farmiga incorporaram de forma marcante, algo que se repete em sua sequência de forma ainda mais forte, em uma tocante cena com música do Elvis Presley. A partir daí, vieram os derivados, como Annabelle (2014, John R. Leonetti) e A Freira (2018, Corin Hardy), e o fraco A Maldição da Chorona (2019). Apesar de qualidades duvidosas, todos entregaram momentos memoráveis, porém, com o afastamento cada vez mais nítido de James Wan, títulos como Annabelle 3 (2019) e Invocação do Mal 3 (2021) seguiram a cartilha, mas sem o mesmo impacto.

Mia Tomlinson em cena de Invocação do Mal 4- Divulgação 2025 Warner Bros. Entertainment Inc. All Rights Reserved.
Invocação do Mal 4: O Último Ritual retoma esse universo com a missão de dar um encerramento grandioso à trajetória dos Warren. A trama acompanha o casal já aposentado, enquanto a filha Judy, agora adulta, se torna o coração da produção. Paralelamente, o público é apresentado à família Smurl, em um caso que se conecta diretamente aos protagonistas. A produção de Chaves aposta em uma narrativa de ritmo lento, intercalando estes núcleos de maior tensão, com cenas leves como jogo de ping-pong ao som de David Bowie, até o ponto de esquecermos que estamos assistindo uma produção de terror, até o momento que desemboca em um clímax de peso, ainda que previsível.
A produção acerta ao valorizar a dimensão emocional da saga, reforçando a relação entre Ed, Lorraine e Judy. Em seu terceiro ato, a filha assume papel central em um dos momentos mais tensos de toda a franquia. Esse aspecto humano, somado à performance sólida de Wilson e Farmiga, é o que sustenta o impacto do desfecho, sendo muito mais impactante do que demônios vazios e feios que podem assustar de início, porém, sem o fator emocional, não se sustenta, algo presente em produções anteriores do Invocaverso.
Os elementos de terror, somente pelo fator terror, já não surpreendem. Demônios grotescos, sustos pontuais e o uso exaustivo de jump scares remetem ao que funcionava em 2013, mas que hoje soa repetitivo diante de produções de horror recentes como A Hora do Mal (Zach Cregger, 2025) e Pecadores (Ryan Coogler, 2025). O resultado é eficiente como entretenimento, mas incapaz de recuperar a inovação que marcou o início da franquia como um todo.

Patrick Wilson e Vera Farmiga em cena de Invocação do Mal 4- Divulgação 2025 Warner Bros. Entertainment Inc. All Rights Reserved.
Entre altos e baixos, Invocação do Mal 4: O Último Ritual cumpre a função de encerrar a jornada dos Warren com respeito e emoção, apesar de não revolucionar o gênero, e nem escapar do “mais do mesmo” que o público conhece tão bem, a produção de Chaves entrega um adeus digno a um casal que se tornou ícone para uma geração, e que inevitavelmente ainda veremos por aí de uma forma ou outra.
Uma distribuição Warner Bros. Pictures, Invocação do Mal 4: O Último Ritual estreia no dia 04 de Setembro.
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