‘Jerry Seinfeld 23 Hours to Kill’ tem gosto de nostalgia | Netflix

Jerry Seinfeld 23 Hours To Kill traz de volta o principal responsável por uma das melhores comédias da televisão americana, um grande sucesso dos anos 90, a série Seinfeld. Aqui ele retorna para onde começou nos anos 80, o palco, fazendo stand-up comedy. O seriado, que já virou um clássico, era sobre nada – e tudo. As lembranças logo vieram à tona junto com as risadas das suas tradicionais tiradas sobre o cotidiano. O poder de observação de Jerry continua afiado, é, e sempre será, aparentemente, seu maior diferencial, junto com a maneira que fala. A edição do especial não é das melhores e Jerry já nos fez rir muito mais, todavia, consegue proporcionar bons momentos comentando as frases que todo mundo fala e ouve frequentemente no dia a dia.

Garçom, o de sempre!

A ironia de Seinfeld ainda funciona, principalmente quando fala sobre a alegria e as vantagens de ter 60 anos, o poder de dizer ‘não’ sem constrangimentos. No especial de uma hora, que passa ligeira, Jerry foca em si mesmo, nos acontecimentos de sua vida. É um homem de sucesso e chega a brincar que poderia estar em qualquer lugar, e é verdade, mas está ali. No palco. Para uma plateia ávida por nostalgia. Aliás, quando vi o especial era exatamente isso que eu buscava: nostalgia. Ver os trejeitos de Jerry, sua voz esganiçar para a finalização da piada, e rememorar tempos mais inocentes da minha própria jornada. Acima de tudo, desejava sorrir sem me preocupar com a pandemia que assola o mundo. Lembrar de ontem, para esquecer do hoje, momentaneamente. Durante uma hora, que seja.

Alento rápido

O melhor de tudo não é ouvir as piadas, é ter um gostinho desse passado. O cara não lançava um material assim desde 1998. Fez uma ou outra coisa nesse meio tempo, como “Bee Movie” e o bom documentário ‘Comedian’.   Seinfeld mudou a televisão; o especial não pretende mudar nada e, em verdade, chega até a ter um gostinho de mais do mesmo. Aquelas piadas de diferenças entre homem e mulher, por exemplo. Porém, como já disse, é isso. Reitero, não fui ver buscando inovação (apesar das piadas sobre os celulares atuais). Somente queria mergulhar numa piscina quente e ficar boiando tranquilamente com um sorrisinho bobo no rosto. Jerry Seinfeld 23 Hours To Kill é um alento rápido e leve, como um epílogo um pouco maior de um velho episódio de TV.

O que importa dizer é que, às vezes, basta uma boa dose de conforto. E nada mais.

Enfim, veja o trailer (em inglês, sem legendas):

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