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Cinema e StreamingCrítica

Crítica: June e John é um sonho que você vai querer habitar

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 4 de junho de 2025
7 Min Leitura
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Dirigido por Luc Besson, June e John é uma viagem que não busca sentido em si, mas nos maravilha pela estética e pelos sonhos.

Na faculdade, uma professora disse que os gregos estragaram tudo, afinal, graças à filósofos como Platão, Aristóteles e Sócrates, tudo começou a ser racionalizado, assim, se iniciou uma busca incessante por sentido em tudo que existe no mundo, quando na verdade nem tudo o que acontece existe um motivo, existem vezes que vale somente a jornada. Desfrutar de uma obra de arte é mais importante do que analisar ela, sentir a grama em seus pés é muito mais divertido do que andar calçado, assistir a um filme filmado com um Iphone, durante a pandemia de COVID 19, sobre dois jovens loucos apaixonados, e sair satisfeito, é mais gratificante do que tentar achar sentido em algo que não está lá.

Confira abaixo o trailer de June e John e continue lendo a crítica

June e John conta a história do casal homônimo. Após ambos se conhecerem no metrô, June liberta John de uma vida monótona e sem vida, e ambos desfrutam do que a vida tem de melhor, sem se preocupar com o amanhã. A narrativa é simples, nenhum dos personagens apresenta muitas camadas, podendo ser descritos rapidamente em pouquíssimas linhas, então como o filme se destaca? Primeiramente, por conta de seu diretor.

Luc Besson fez seu nome com grandes sucessos independentes como O Profissional (1994, Luc Besson) e O Quinto Elemento (1997, Luc Besson), porém, sua qualidade caiu em blockbusters como Lucy (2014, Luc Besson) e Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017, Luc Besson). June e John é o retorno do cineasta às suas raízes, seja em quesito estético, quanto narrativo, afinal, as relações entre Leeloo, de O Quinto Elemento, e June, são bem claras, com ambas se encaixando no espectro da chamada Manic Pixie Dream Girl.

A Manic Pixie Dream Girl necessita de um texto inteiro para ser abordada, em resumo, ele foi idealizado pelo crítico Nathan Rabin, ao se referir à personagem de Kirsten Dunst em Elizabethtown (2005, Cameron Crowe). O espectro é definido como uma garota que somente existe na mente de um roteirista, geralmente homem, e que motiva o protagonista, geralmente masculino, a viver mais e aproveitar a vida.

Atualmente o termo divide as opiniões na indústria, sendo defendido por Zoe Kasan, atriz e roteirista de Ruby Sparks (2012, Jonathan Dayton, Valerie Faris) como reducionista e misógino, afinal, na medida que qualquer personagem feminina, bem resolvida, sonhadora e quirky, é taxada como nada mais do que isso, a individualidade feminina se perde muito, limitando a arte como um todo, afinal, apesar de não ser tão complexa, personagens como Ramona Flowers e a própria Leeloo, não fizeram sucesso a toa.

Matilda Price e Luke Stanton Eddy em cena de June e John- Divulgação Oficial

A protagonista feminina de June e John, pode ser considerada uma Manic Pixie Dream Girl? Sim.

Devemos então pegar em tochas e forcados e destruir o filme? Muito pelo contrário.

Dentro do universo idealizado por Besson, este arquétipo funciona perfeitamente, pois, afinal, o filme é um delírio por si só, ele não deve ser racionalizado, caso isso seja feito, ele perde toda a magia construída em cima de um pensamento onírico, e que é responsável por toda a graça da produção.

June está morrendo por conta de caranguejos, John encontrou magicamente o seu perfil no Instagram entre mais de 1800 com o mesmo, June o reencontrou após hackear o seu computador e descobrir onde morava, nada disso faz sentido dentro da nossa realidade, porém, graças à Luc Besson, June e John não se passa no mundo real.

A produção se passa em um universo semelhante ao nosso, porém, muito mais colorido e vibrante, sendo sempre acompanhado por uma fotografia exemplar e pura, limpa. Neste mundo as pessoas são carinhosas, moradores de rua e prostitutas atuam como testemunhas de casamento, nós temos a chance de viver um grande amor e ser feliz, podemos largar a nossa vida anterior e somente ser feliz, quem nunca imaginou isso ao longo da vida? Somente dirigir sem rumo e ser feliz, junto com sua alma gêmea?

Com June e John, Luc Besson realiza justamente este sonho da audiência. O desejo de largar tudo e ir viver a vida, sem se importar com final, somente aproveitando os momentos. A fotografia do filme se inicia claustrofóbica, trazendo ansiedade ao público, na medida que os protagonistas se libertam, o público se solta junto, enxergando o mundo de outra maneira, afinal, nem todo filme necessita ser grandioso, alguns somente necessitam ser um espetáculo visual e fazer o público sonhar.

June e John

Bastidores de June e John- Divulgação Variety

A escolha de lançar o filme nacionalmente durante o dia dos namorados, 12 de Junho, é uma escolha certeira e que renderá muitos frutos, afinal, é o passatempo perfeito para sonhadores e casais que desejam assistir um filme leve, e que não precisa raciocinar em cima, somente degustar das paisagens, das cores vibrantes, e sentir todas as nuances trazidas por Luc Besson. Talvez não seja o seu melhor filme do cineasta, porém, é um retorno muito bem vindo a uma autoralidade perdida, dentro de um filme leve, divertido e principalmente onírico.

June e John é uma distribuição Diamond Filmes e estreará nacionalmente no dia 12 de Junho de 2025.

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Tags:CinemaCritica june e johnDestaque no Viventedia dos namoradosdiamond filmesjohnjunejune e johnluc besson
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