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Eiza González, Jake Gyllenhaal e Henry Cavill em cena de "Na Zona Cinzenta"- Divulgação Diamond Pictures
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Na Zona Cinzenta’ – Guy Ritchie fazendo o que faz de melhor

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 13 de maio de 2026
6 Min Leitura
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Eiza González, Jake Gyllenhaal e Henry Cavill em cena de "Na Zona Cinzenta"- Divulgação Diamond Pictures
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Dirigido por Guy Ritchie, Na Zona Cinzenta entrega ação e verborragia de uma forma já conhecida, e adorada, pelos fãs do cineasta, ainda que possa incomodar parte do público fora desse universo estilístico.

Quando pensamos em um diretor favorito, entendemos suas características e, acima de tudo, suas limitações. Wes Anderson dificilmente dirigiria um épico repleto de explosões e perseguições em alta velocidade, da mesma forma que Michael Bay provavelmente não entregaria um drama multifacetado e intimista. Ainda assim, cada um possui seu nicho fiel de admiradores. No caso de Guy Ritchie, apesar de alguns tropeços ao longo da carreira, seus filmes carregam características muito próprias, e todas elas estão presentes em Na Zona Cinzenta.

Ritchie consolidou sua carreira como um diretor de ação que, além de construir boas sequências de explosões, tiroteios e pancadaria, também se destaca pela verborragia afiada de seus roteiros. Isso está presente em O Agente da U.N.C.L.E. (2015), nos dois filmes de Sherlock Holmes e até mesmo em Aladdin (2017). Somado a isso, o diretor desenvolveu uma estética estilizada bastante característica, posteriormente copiada por diversos outros cineastas. Seus filmes costumam trazer protagonistas masculinos carregados de carisma, fortes dinâmicas de camaradagem e diálogos rápidos e espirituosos.

Carlos Bardem em cena de "Na Zona Cinzenta"- Divulgação Diamond Pictures

Carlos Bardem em cena de “Na Zona Cinzenta”- Divulgação Diamond Pictures

Na Zona Cinzenta se inicia com uma longa, e propositalmente confusa, explicação sobre o trabalho de Sophia, uma personagem que atua no limite entre a legalidade e a ilegalidade. Sua missão é recuperar um bilhão de dólares do vilão interpretado por Carlos Bardem, contando com a ajuda de Bronco e Sid, dois brutamontes estoicos, mas carismáticos, vividos por Jake Gyllenhaal e Henry Cavill.

Narrativamente, o longa pode parecer inflado e excessivamente complicado em seus primeiros minutos, tornando difícil acompanhar todas as informações apresentadas. Entretanto, à medida que a trama avança, e o espectador aceita desligar parte da racionalidade em troca de frases rápidas, ideias mirabolantes de roubo, explosões, armas e personagens carismáticos, Na Zona Cinzenta se transforma em uma experiência extremamente divertida, entregando exatamente aquilo que se espera de uma produção de Ritchie.

O carisma do trio principal sustenta boa parte da experiência. Nenhum dos personagens possui grandes arcos dramáticos, e Bronco e Sid chegam a funcionar quase como espelhos de um mesmo arquétipo. Ainda assim, como nos grandes filmes de ação dos anos 1980, a produção entende que seu foco principal é o entretenimento puro. E nisso, o filme acerta ao recompensar o público disposto a embarcar nessa viagem estilizada, ainda que narrativamente pouco inovadora, algo que claramente nunca foi sua intenção.

Jake Gyllenhaal e Henry Cavill em cena de "Na Zona Cinzenta"- Divulgação Diamond Pictures

Jake Gyllenhaal e Henry Cavill em cena de “Na Zona Cinzenta”- Divulgação Diamond Pictures

Todo o segundo ato gira em torno da elaboração de um plano de fuga de uma ilha controlada pelo personagem de Bardem. Apesar da explicação longa e meticulosa, o filme faz questão de posicionar cuidadosamente todas as peças necessárias para o clímax. Assim, quando o terceiro ato finalmente explode em perseguições, tiros e destruição, o sentimento é de que tudo foi arquitetado com precisão suficiente para funcionar dentro da lógica proposta pelo longa.

É um filme inevitavelmente moldado pela assinatura de Guy Ritchie. Nas mãos de outro diretor, a produção talvez se perdesse em um marasmo expositivo, mas aqui encontra eficiência justamente dentro do subgênero verborrágico e estilizado que o cineasta ajudou a consolidar. Visualmente, a direção aposta em enquadramentos tradicionais, pontuados por momentos mais estilizados, enquanto a narrativa não linear serve tanto para criar pequenas surpresas quanto para mascarar alguns furos de roteiro, que, sim, não são poucos.

Muita coisa em Na Zona Cinzenta não faz sentido quando analisada friamente, mas essas inconsistências se tornam pequenas diante da experiência geral. O filme entrega diversão, pessoas bonitas, elegância visual e grandes sequências de ação, como uma lembrança de uma época em que o principal objetivo do cinema de ação era simplesmente entreter. Em vez de discutir traumas, consequências psicológicas ou dilemas existenciais, o foco aqui está no resgate, nas explosões e na adrenalina. E, neste caso específico, isso basta.

Distribuído pela Diamond Films, Na Zona Cinzenta chega aos cinemas no dia 14 de maio.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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