Sunday, September 25, 2022

Crítica | Um Pequeno Grande Plano

Um Pequeno Grande Plano tem a virtude de passar uma mensagem necessária e contemporânea de forma engraçada. Tudo começa com o menino Joseph, em boa atuação de Joseph Engel, explicando que vendeu algumas coisas de seus pais, sem que eles soubessem. As reações de Louis Garrell e Laetitia Casta são cômicas, mas o melhor é a forma como o menino explica os motivos, citando o aquecimento global e seus anseios e angústias com relação ao que vem acontecendo na Terra.

Um grupo de crianças resolveu juntar dinheiro para salvar o planeta, começando pelo continente africano. Ainda sobra tempo para criticar o Brasil. As crianças dizem que farão o oposto do país tupiniquim, que derruba suas florestas, e irão ampliar a natureza na África.

Louis Garrel dirige e assina o roteiro em parceria com Jean-Claude Carrière (“No Portal da Eternidade”) e Naïla Guiguet. A direção segue a linha do naturalismo com uma câmera que se movimenta para parecer que estamos ali com eles.

Planeta e maturidade

Uma das melhores coisas dessa película é ver como as crianças surpreendem os pais com (certa) maturidade, disposição, inteligência e, acima de tudo, com sensibilidade. Elas colocam a mão na massa e fazem (quase) tudo com planejamento e retidão, desde as coisas burocráticas até as reuniões. O ativismo das crianças é estratégico e faz pensar em como os governos do mundo poderiam fazer tudo diferente, se assim que quisessem. Infelizmente sabemos que há interesses gananciosos e crueis que mantém a destruição do planeta caminhando a passos largos.

A cinematografia é de Julien Poupard (“Os Miseráveis”), e a produção executiva é de Pascal Caucheteux (“Ferrugem e Osso”) e funciona, principalmente nas cenas noturnas na floresta.

Um Pequeno Grande Plano foi exibido no Festival Internacional de Cannes, em 2021, na seleção “Cinema for the Climate” e no Festival Varilux de Cinema Francês, em 2022. Estreia neste 18 de agosto nos cinemas brasileiros com distribuição da Synapse Distribution.

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