Sankofa, A África que te Habita chega na Netflix entre o lúdico e a ancestralidade

Sankofa A África que te Habita traz muitos capítulos de consciências negras. A princípio, entre fotos e filmagens viajamos por pedaços desse gigantesco continente africano. O primeiro episódio apresenta esse projeto que percorreu os principais países de onde saíram a maior parte das pessoas escravizadas que chegaram ao Brasil. São memórias da escravidão. Um comércio cruel e trágico. O professor de História da UFRB comenta que esse tráfico de seres humanos pode ter movimentado 12 milhões de africanos. 40% desses vieram para o Brasil, em especial, o Cais do Valongo, no Rio de Janeiro, que recebeu cerca de um milhão.

Após o bom episódio introdutório, é difícil não seguir numa maratona. Isso fica fácil também devido ao tempo curto dos capítulos. A curiosidade é grande para saber mais e ver as outras “aulas”. Em seguida, vem o país que talvez mais se assemelhe ao Brasil de alguma forma, pela miscigenação, o arquipélago que tem o nome de Cabo Verde. Pequenas ilhas que foram exaustivamente usadas como base para o tráfico humano. E como é interessante perceber a ressignificação dos pelourinhos, de local de dor para referência turística de cultura e símbolo de resistência.

Animação ancestral

Um dos maiores destaques dessa série documental é o conjunto de animações lúdicas que permeiam os episódios com a narração da imponente Zezé Motta, como a história de Ifá e seu jogo de búzios. Tem claras raízes africanas, logicamente, e uma beleza carismática.

Em outro, vem o caminho para a Ilha de Gorée, no Senegal, imagens de Dakar e uma África muçulmana. Além disso, as “portas do não-retorno” por onde saíam os escravizados, para nunca mais voltar.

Entretanto, assistir Sankofa A África que te Habita é retornar aos nossos ancestrais, sem os quais o Brasil não existiria. Afinal, Maurício Barros de Castro, professor do Instituto de Artes (Uerj), e o fotógrafo Cesar Fraga voam nas costas do Sankofa, o pássaro que olha para o passado e resgata a ancestralidade em Cabo Verde, Guiné-Bissau, Senegal, Gana, Togo, Benim, Nigéria, Angola e Moçambique.

Por fim, veja o trailer:

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