Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Cena de "Sobrenatural: Agora Entre Nós"- Divulgação Sony Pictures
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Sobrenatural: Agora Entre Nós’ tenta renovar a franquia, mas foi o suficiente?

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 19 de agosto de 2026
9 Min Leitura
Share
Cena de "Sobrenatural: Agora Entre Nós"- Divulgação Sony Pictures
SHARE

Dirigido por Jacob Chase, Sobrenatural: Agora Entre Nós tem uma ótima ideia, mas não sabe o que fazer com ela

Franquias precisam se renovar, especialmente em um momento em que o terror abraça cada vez mais produções originais e autorais, algo inclusive discutido em Acampamento Miasma – Adolescência, Sexo e Morte (2026, Jane Schoenbrun). Depois de cinco filmes e do encerramento do arco dos Lamberts, Sobrenatural precisava encontrar uma maneira de expandir sua mitologia para além do Além e das criaturas que habitam esse espaço. Afinal, sem o carisma de Patrick Wilson e Rose Byrne, insistir apenas nos mesmos elementos poderia resultar em uma repetição cansativa.

Nesse sentido, Sobrenatural: Agora Entre Nós parte de uma ideia promissora: e se os espíritos do Além realmente viessem para o nosso mundo? É uma premissa que, por si só, poderia transformar completamente a franquia. O problema é que o filme apresenta essa possibilidade sem ter coragem de explorar suas consequências.

É uma situação semelhante à de Jurassic World: Domínio (2022, Colin Trevorrow). A ideia de dinossauros vivendo entre os seres humanos poderia render uma discussão fascinante sobre como a sociedade lidaria com uma mudança tão radical, mas o filme pouco aproveita essa possibilidade. Sobrenatural: Agora Entre Nós comete um erro parecido: apresenta uma mudança de escala gigantesca, apenas para reduzi-la novamente a uma estrutura bastante convencional de casa assombrada.

Amelia Eve e Laura Gordon em cena de "Sobrenatural: Agora Entre Nós"- Divulgação Sony Pictures

Amelia Eve e Laura Gordon em cena de “Sobrenatural: Agora Entre Nós”- Divulgação Sony Pictures

A premissa ainda poderia funcionar muito bem por meio da história de Gemma, uma mãe que faria qualquer coisa para proteger a filha. A personagem, interpretada com carisma por Amelia Eve, carrega traumas relacionados à própria mãe, culpa e comportamentos que afetam sua relação com a criança. Existe aí material suficiente para construir um drama familiar interessante, especialmente porque a ameaça sobrenatural funciona como uma extensão dos medos e conflitos internos da protagonista.

Gemma possui a capacidade de transportar objetos e pessoas do Além para a nossa realidade, e vice-versa. Quando os espíritos percebem essa habilidade, passam a aterrorizá-la, obrigando-a a buscar ajuda de Elise para proteger a si mesma e a filha. O início é promissor, mas o roteiro rapidamente começa a tratar as regras desse universo de maneira conveniente demais. A personagem se torna poderosa demais conforme a narrativa precisa, enquanto as regras anteriormente estabelecidas são flexibilizadas ou simplesmente ignoradas.

E é justamente aí que o filme começa a perder força. A sequência do forte de almofadas, exibida anteriormente em um pequeno teaser antes de uma sessão especial de A Morte do Demônio: Em Chamas (2026, Sébastien Vanicek), funcionou muito bem na primeira experiência. Recordo-me de ter pulado da cadeira algumas vezes. Porém, ao revê-la dentro do próprio filme, o efeito desapareceu. Não porque um bom susto não possa funcionar novamente, mas porque a sequência depende excessivamente da surpresa, sem possuir uma construção suficientemente forte para sustentar o medo depois que o espectador conhece seu mecanismo.

Amelia Eve em cena de "Sobrenatural: Agora Entre Nós"- Divulgação Sony Pictures

Amelia Eve em cena de “Sobrenatural: Agora Entre Nós”- Divulgação Sony Pictures

Os novos sustos também não conseguem compensar essa fragilidade. O silêncio continua sendo utilizado como ferramenta para preparar os jump scares, respeitando uma das principais características da franquia, mas a repetição do recurso torna a experiência previsível. Quando a surpresa deixa de existir, sobra pouco para sustentar a tensão.

Curiosamente, o filme encontra uma forma mais eficiente de provocar desconforto justamente quando abandona os espíritos e aposta em um dos maiores medos primordiais da humanidade: o dentista. Os closes da boca de Joseph Lopez e os procedimentos de limpeza das cáries provocam mais aflição do que boa parte das aparições sobrenaturais. A sequência funciona como horror corporal e desconforto físico, mas também evidencia que o filme parece mais interessado em provocar sensações pontuais do que em construir uma identidade própria para seu terror.

A narrativa também recorre constantemente à nostalgia para tentar se conectar aos filmes anteriores. Elise surge diversas vezes como uma espécie de solução narrativa, aparecendo no momento exato para resolver situações que chegaram ao limite, enquanto espíritos já conhecidos retornam para provocar reconhecimento imediato no público. O problema é que esse tipo de fan service reduz a sensação de perigo: quando uma personagem pode surgir para resolver o problema sempre que o roteiro precisa, o sobrenatural deixa de parecer verdadeiramente ameaçador.

Enquanto isso, os conflitos mais interessantes de Gemma ficam em segundo plano. A morte da própria mãe, a culpa que carrega e a dificuldade de estabelecer uma relação saudável com a filha poderiam formar o verdadeiro coração do filme. O horror sobrenatural poderia amplificar essas questões, transformando os espíritos em manifestações de seus medos e traumas. Em vez disso, esses elementos acabam funcionando principalmente como ferramentas para conduzir a história até o próximo susto.

E os espíritos realmente chegam a invadir nosso mundo? Sim, embora inicialmente isso aconteça dentro de um delírio de Gemma, que resulta na sequência mais interessante de todo o filme. Existe ali uma sensação de grandiosidade que finalmente corresponde à promessa apresentada pela premissa. O problema é que essa possibilidade nunca ultrapassa de maneira significativa os limites de uma única casa. A invasão do Além, que poderia representar uma transformação completa daquele universo, acaba reduzida a mais uma variação da estrutura tradicional da franquia.

Joseph Lopez em cena de "Sobrenatural: Agora Entre Nós"- Divulgação Sony Pictures

Joseph Lopez em cena de “Sobrenatural: Agora Entre Nós”- Divulgação Sony Pictures

Tecnicamente, há elementos que funcionam. A fotografia é potente nas sequências ambientadas no Além, mas excessivamente dessaturada no mundo real, com poucas escolhas visuais realmente marcantes além de momentos específicos, como a claustrofobia do forte de almofadas. O design de som é mais eficiente, utilizando ruídos, fortes explosões sonoras e a trilha para criar uma atmosfera necessária. São recursos competentes, mas não suficientes para sustentar uma obra que parece não saber exatamente qual caminho deseja seguir.

No fim, Sobrenatural: Agora Entre Nós parece mais preocupado em manter uma franquia funcionando do que em descobrir o que ela poderia se tornar. O filme não fracassa por tentar reinventar Sobrenatural, mas justamente por não levar sua própria reinvenção até as últimas consequências. Há uma boa protagonista, uma premissa potencialmente assustadora, conflitos familiares interessantes e algumas imagens capazes de provocar desconforto, mas tudo é diluído por conveniências de roteiro, nostalgia e sustos previsíveis.

O resultado é uma produção plástica, construída para agradar ao público que já conhece a franquia, mas sem personalidade suficiente para permanecer na memória. Sobrenatural: Agora Entre Nós até parece saber que precisa mudar, mas nunca demonstra coragem para abandonar completamente aquilo que já funcionou. E, depois de cinco filmes, talvez seja justamente isso que a franquia mais precisasse fazer.

Distribuído pela Sony Pictures, Sobrenatural: Agora Entre Nós estreia nos cinemas no dia 20 de agosto.

Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!

Leia mais

  • Ted Lasso: Episódio 3 dá enfoque ao futebol feminino em si, mas um pequeno simbolismo é a sua maior vitória
  • Crítica: ‘Só Por Uma Noite’ é comédia romântica tradicional em universo nada convencional
  • Crítica – ‘Amelia Toledo: Lembrar de Não Esquecer’ é 1 espetáculo para os amantes da arte
Tags:Amelia EveCinemacríticacrítica Sobrenatural Agora Entre NósDestaque no Viventefilme de terror 2026filmes de terrorfranquia SobrenaturalJacob ChaseSobrenatural Agora Entre NósSobrenatural Agora Entre Nós críticaSobrenatural filmeterror sobrenatural
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
PorAndré Quental Sanchez
Me Siga!
André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

EsportesNotícias

CNDH aciona ONU e FIFA após denunciar casos de racismo e discurso de ódio na Copa do Mundo de 2026

Alvaro Tallarico
5 Min Leitura
Superman 27
Cinema e StreamingLiteratura e HQ

Eles foram inspirados por Superman, mas agora querem destruí-lo

Redação
4 Min Leitura
Branca de Neve
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: O novo ‘Branca de Neve’ MERECE ser visto

André Quental Sanchez
12 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?