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Juno Temple em “Ted Lasso”, já disponível no Apple TV.
Cinema e StreamingCrítica

Ted Lasso: Episódio 8 finalmente entrega o que a 4ª temporada prometia

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 25 de setembro de 2026
8 Min Leitura
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Juno Temple em “Ted Lasso”, já disponível no Apple TV.
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Com alguns dos melhores momentos de toda a temporada, o oitavo episódio de Ted Lasso aproveita as relações já construídas e as explora até o limite, finalmente fazendo avançar aquilo que vinha sendo apenas apresentado.

Para mim, este é facilmente o melhor episódio da quarta temporada. Não porque seja perfeito, mas porque finalmente existe a sensação de que toda a construção anterior está levando a algum lugar. O capítulo transita entre drama e comédia com uma naturalidade que a série domina como poucas, enquanto resolve conflitos que estavam sendo apenas insinuados. É quase irônico que, justamente quando a temporada começa a acelerar, Ted Lasso demonstre que não precisava de tantas voltas para chegar aqui.

Rebecca continua sendo um dos maiores desperdícios desta temporada. Colocada de lado durante boa parte da narrativa, a personagem recebe pouco espaço para brilhar, mas Hannah Waddingham continua encontrando força até nos menores momentos. Sua interação com Alice Chilton, sobre a necessidade de ser lembrada e não simplesmente esquecida, funciona justamente porque não tenta transformar a emoção em espetáculo. Existe uma sinceridade quase desconcertante naquela conversa, algo que Ted Lasso ainda consegue fazer melhor do que praticamente qualquer outra produção televisiva.

O grande destaque, porém, está na conclusão do arco de Roy e Keeley. Depois de uma temporada inteira orbitando sentimentos que já eram óbvios para o público, os dois finalmente aceitam aquilo que todos já sabiam. E a série encontra uma maneira deliciosamente estranha de fazer isso: uma jornada por Londres repleta de erros, constrangimentos e pequenas revelações, incluindo a claustrofobia de Roy Kent. É o tipo de humor que funciona porque nasce diretamente da personalidade dos personagens, e não de uma tentativa desesperada de produzir uma piada.

Faye Marsay e Jude Mack em “Ted Lasso”, já disponível no Apple TV.

Faye Marsay e Jude Mack em “Ted Lasso”, já disponível no Apple TV.

O discurso final de Roy, que ele claramente não queria fazer, transforma a sequência em uma declaração de amor surpreendentemente íntima. É um daqueles momentos em que Ted Lasso lembra por que seus personagens funcionam tão bem. A cena não precisa de grandes reviravoltas ou discursos melodramáticos; basta deixar Roy ser Roy.

E talvez o mais importante seja que o roteiro não transforma Erin Beaumont em uma simples peça descartável depois do romance com Roy. Muito além de ser “a ex de Roy Kent”, ela encontra seu próprio caminho como médica oficial de Richmond. É justamente aí que a série demonstra sua maior qualidade: Ted Lasso entende que seus personagens secundários não precisam existir apenas para desenvolver os protagonistas. Dos maiores aos menores, existe uma preocupação em dar função e personalidade a praticamente todos.

Até Zelda, que poderia facilmente ter se tornado apenas mais uma presença esquecível, encontra seu espaço no time. A contenção de Tracey Ullman ajuda bastante, tornando a personagem menos caricata e, consequentemente, mais interessante. Pode parecer um detalhe pequeno, mas é justamente esse tipo de cuidado que faz o universo da série parecer vivo.

Rex Hayes e Aisling Sharkey em “Ted Lasso”, já disponível no Apple TV.

Rex Hayes e Aisling Sharkey em “Ted Lasso”, já disponível no Apple TV.

Depois, temos Higgins em seu inesperado papel de detetive. O arco poderia facilmente ter sido apenas uma piada isolada, mas o episódio mergulha em uma atmosfera noir e até envolve nossa querida Mae. Mais do que uma brincadeira, a investigação serve para lembrar que Higgins é capaz de muito mais do que simplesmente orbitar Rebecca. E a descoberta sobre quem está comprando as ações de Richmond finalmente coloca um conflito concreto sobre a mesa.

Ao mesmo tempo, existe uma melancolia inevitável nessa trama. Saber que Rupert não poderá mais participar diretamente da história por conta do falecimento de Anthony Head torna toda essa situação ainda mais estranha. O personagem continua sendo uma sombra enorme sobre Richmond, e agora resta esperar para descobrir como a série pretende lidar com seu legado e com as consequências de suas ações.

Mas é no núcleo de Ted e Chilton que o episódio encontra sua maior força emocional. Aqui, Ted Lasso entende algo que muitas séries esquecem: às vezes, não é preciso dizer absolutamente nada. O silêncio entre os dois comunica mais do que muitos dos grandes monólogos da produção. É um simples gesto de apoio, mas carregado de significado.

O discurso sobre o choro no futebol e, principalmente, sobre a impossibilidade de permanecer forte o tempo inteiro, é a joia da coroa do episódio. É justamente aí que os diferentes núcleos começam a conversar entre si. O acidente de Gemma, os medos de Chilton e até a vulnerabilidade de Roy: ninguém deveria precisar esconder aquilo que sente o tempo inteiro.

É uma mensagem simples, mas que funciona porque o episódio não tenta transformá-la em uma grande lição de moral. Ele simplesmente deixa seus personagens sentirem.

Brendan Hunt, Tanya Reynolds e Jason Sudeikis em “Ted Lasso”, já disponível no Apple TV.

Brendan Hunt, Tanya Reynolds e Jason Sudeikis em “Ted Lasso”, já disponível no Apple TV.

E talvez essa seja a maior ironia desta quarta temporada: depois de tantos episódios tentando apresentar novos conflitos, novos personagens e novas possibilidades para Ted Lasso, o melhor capítulo é justamente aquele que olha para quem já conhecemos. O oitavo episódio não precisa reinventar a série. Precisa apenas confiar nela.

Inicialmente, tudo parece coisa demais para um único capítulo, mas a direção narrativa encontra um equilíbrio surpreendentemente eficiente. Os núcleos se complementam, os personagens avançam e, pela primeira vez em algum tempo, existe a sensação de que a temporada está realmente caminhando para algum lugar.

No fim, o episódio não é grandioso por causa de uma grande reviravolta. É grandioso porque entende que o verdadeiro coração de Ted Lasso nunca esteve nas grandes histórias, mas nas pequenas relações construídas ao longo delas. E quando a série finalmente volta a acreditar nisso, fica muito mais fácil sorrir, se emocionar e lembrar por que sentimos tanta falta desses personagens.

Disponível na Apple TV+, a quarta temporada de Ted Lasso já conta com oito episódios lançados, com novos capítulos disponibilizados semanalmente até o início de outubro.

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Tags:apple tv+Cinemacríticacrítica Ted LassoDestaque no ViventeHannah WaddinghamKeeley JonesRoy Kentsérie Ted Lassoted lassoTed Lasso 4ª temporadaTed Lasso episódio 8Ted Lasso temporada 4
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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