Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Cena de "Uma Infância Alemã"- Divulgação Imovision
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Uma Infância Alemã’ é diferente e marcante coming of age

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 18 de junho de 2026
7 Min Leitura
Share
Cena de "Uma Infância Alemã"- Divulgação Imovision
SHARE

Dirigido por Fatih Akin, Uma Infância Alemã retrata os momentos finais da Segunda Guerra Mundial através do olhar de um jovem que percebe o quão grande e complexo é o mundo em que vive.

Da mesma forma que o Brasil frequentemente revisita a ditadura militar em sua cinematografia, a Alemanha retorna constantemente a um dos períodos mais obscuros de sua história: a Segunda Guerra Mundial. Ao longo dos anos, o cinema já explorou esse contexto sob diferentes perspectivas: a do opressor, a do oprimido e, principalmente, a infantil.

Dentro desta última abordagem, encontramos desde fábulas satíricas como Jojo Rabbit (2019, Taika Waititi), passando por dramas como O Menino do Pijama Listrado (2008, Mark Herman), até jornadas mais simples, mas igualmente emocionantes, como a de Uma Infância Alemã.

A premissa é bastante simples. O jovem Nanning vive com a mãe, a tia e os irmãos na pequena e isolada ilha de Amrum. Membro da Juventude Hitlerista, ele leva uma vida tranquila dentro de um universo em que acredita na vitória e na superioridade alemã, afinal, essa foi a mentalidade transmitida por sua família e pelas instituições que o cercam.

Com o fim da guerra, porém, sua realidade começa a ruir. Em sua busca por encontrar pão com manteiga e mel para sua mãe, que sofre de depressão, Nanning inicia uma jornada pela ilha que acaba se transformando em um processo de descoberta.

Cena de "Uma Infância Alemã"- Divulgação Imovision

Cena de “Uma Infância Alemã”- Divulgação Imovision

Como todo bom coming of age, Uma Infância Alemã é uma história sobre amadurecimento e sobre a capacidade de questionar crenças antes consideradas absolutas. No filme de Akin, essa transformação não acontece através de um romance, como ocorre em tantas obras do gênero, mas por meio da observação, da convivência e da empatia pelo próximo.

Convencido de que conseguirá ajudar a mãe, Nanning parte em busca dos ingredientes necessários. Porém, em uma ilha onde os suprimentos são escassos, o processo de escambo se revela muito mais complicado do que imaginava. Para conseguir pão, precisa de farinha; para conseguir farinha, precisa convencer o médico; para que o padeiro faça o pão, precisa encontrar ovos. Assim, uma tarefa aparentemente simples se transforma em uma longa cadeia de trocas e favores.

Nesse percurso, o garoto entra em contato com pessoas que antes faziam parte apenas da paisagem de sua vida. Descobre o motivo do afastamento de seu tio, entende por que alguns moradores escondem rádios em segredo e testemunha as fragilidades do ideal supremacista alemão, especialmente após a morte de Adolf Hitler.

Um dos momentos mais interessantes ocorre quando Nanning visita o tio na cidade. Para receber açúcar, ele precisa recitar o hino da Juventude Hitlerista. Inicialmente hesitante, acaba fazendo isso com convicção por acreditar que não possui outra escolha. Mais tarde, ao retornar para buscar a manteiga, encontra o tio morto com um tiro suicida. Embora tente fechar a porta e fugir daquela imagem, como mágica, ela novamente abre e o lembra dos constante dos horrores que o cercam.

Cena de "Uma Infância Alemã"- Divulgação Imovision

Cena de “Uma Infância Alemã”- Divulgação Imovision

Tanto essa sequência quanto a relação com dois refugiados poloneses são fundamentais para a transformação do protagonista. Pela primeira vez, Nanning é obrigado a enxergar pessoas que foram colocadas à margem de sua visão de mundo. Ao compreendê-las, desenvolve a empatia necessária para não repetir os erros cometidos pela geração de seus pais.

Tecnicamente, Uma Infância Alemã aposta em uma paleta composta majoritariamente por tons pastéis e sépia, reforçando o peso daquele momento histórico. Ao mesmo tempo, os amplos planos abertos destacam a beleza natural e a solidão de Amrum. É uma ilha onde muitos sonham em partir para Nova York, mas permanecem presos por comodidade, circunstância ou simples impossibilidade.

Em relação ao ritmo, Uma Infância Alemã apresenta algumas barrigas, mas compensa com um eficiente sistema de promessa e recompensa. A faca de Nanning, a fotografia misteriosa que cai do álbum e até mesmo os refugiados poloneses apresentados logo na abertura retornam em momentos decisivos da narrativa. A evolução do protagonista se torna cada vez mais evidente à medida que seu mundo deixa de se resumir aos limites da ilha.

Ainda assim, existe uma escolha narrativa que enfraquece o impacto da conclusão. A sequência final em que Nanning aparece já idoso é completamente desnecessária. Há um certo fascínio recorrente em produções ambientadas na Segunda Guerra Mundial por mostrar seus protagonistas retornando ao passado décadas depois. Neste caso, porém, a cena apenas reduz a força emocional de um encerramento que já funcionava perfeitamente por conta própria.

No fim, Uma Infância Alemã utiliza um contexto extremamente pesado para construir uma jornada surpreendentemente leve e humana. É um filme sobre crescimento, empatia e sobre a importância de escolher a bondade mesmo quando se está cercado por ideologias que apontam para o caminho oposto.

Distribuído pela Imovision, Uma Infância Alemã estreia nos cinemas brasileiros em 25 de junho.

Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!

Leia mais

  • Crítica: ‘Toy Story 5’ é magia emocionante com gosto de epílogo
  • Crítica: ‘Apenas Coisas Boas’ aposta na ousadia dentro de questionável narrativa
  • Crítica: ‘(Quase) O Amor da Minha Vida’ transforma tragédia de Goethe em comédia romântica surpreendente
Tags:amrumanálise de filme europeuanálise uma infância alemãCinemacinema alemãocinema europeucinema internacionalComing of agecríticacrítica cinematográficacrítica de cinemacrítica filme alemãocrítica sem spoilerscrítica uma infância alemãDestaque no Viventedrama coming of agedrama de guerradrama históricoempatia e amadurecimentoestreia nos cinemasfatih akinfatih akin novo filmefilme alemão segunda guerrafilme fatih akinfilme sobre infância na guerrafilmes de guerra 2026filmes históricos baseados na guerrafilmes sobre amadurecimentofilmes sobre nazismofilmes sobre segunda guerra mundialimovision distribuiçãojojo rabbit comparaçãojuventude hitleristajuventude hitlerista no cinemalançamento cinema junho 2026lançamento imovisionmelhores filmes sobre segunda guerra mundialnazismo no cinemao menino do pijama listradoreview uma infância alemãSegunda Guerra Mundial cinemauma infância alemãuma infância alemã crítica
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
PorAndré Quental Sanchez
Me Siga!
André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

Cena de Muito Além do Lucro- Crédito Mamo Filmes
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Muito Além do Lucro’ aborda uma nova ideia de capitalismo

André Quental Sanchez
5 Min Leitura
a forja
Cinema e StreamingCrítica

‘A Forja – O Poder da Transformação’ chega às plataformas digitais com mensagem inspiradora

Redação
3 Min Leitura
foto de são paulo por alvaro tallarico
CulturaNotícias

Vale a pena morar em São Paulo? Pesquisa revela dados e surpreende

Alvaro Tallarico
4 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?