Thursday, October 29, 2020

A gastronomia africana de Dandara Batista, Afro Gourmet e o feminismo negro

Dandara Batista, jornalista, apresentadora de televisão, chef de cozinha. A artista da gastronomia se uniu com empreendedores focados na linha africana e começou o projeto Afro Gourmet que acabou virando um restaurante em 2018, no bairro do Grajáu, no Rio de Janeiro.

Dandara é uma mochileira dos países da África em sua busca por temperos e frutas. Inclusive, já passou por Angola, São Tomé e Príncipe, e tem muitos outros planos, como Cabo Verde. E que papo é esse que alguns tentam inventar que a feijoada não tem origem africana? Polêmica no ar. Comenta sobre as pautas específicas do feminismo negro e as dificuldades no Brasil. Nessa entrevista, ela fala sobre o racismo contra a comida de raiz africana e a participação em um reality show de gastronomia.

Dandara define seu trabalho como gastronomia de resistência, uma forma de resgatar e se conectar com sua ancestralidade. Normalmente, brasileiros de origem portuguesa ou italiana conhecem melhor as suas raízes e de onde vieram suas famílias. Contudo, isso dificilmente acontece com os negros. A partir disso, procura essa conexão com a ancestralidade e a memória afetiva através da gastronomia.

Afro Gourmet, culinária africana no Rio de Janeiro

A princípio, o Afro Gourmet é um dos primeiros restaurantes de comida africana no Rio de Janeiro. Vatapá, Caruru, Acarajé, e outros pratos, como a Cachupa, caldo tradicional de Cabo Verde que mescla vários tipos de feijões, milho branco e carne de porco.

Ainda por cima, o restaurante também apresenta opções veganas, como um arroz cremoso feito com leite de coco e o Ngombe, que começou a ser feito no Dia da Consciência Negra. A saber, é um nhoque de banana-da-terra frito com molho de tomate e cogumelo, diretamente da culinária do Congo.

Aliás, as entradas também variam, tem dia que tem sarapatéu, comida típica nordestina; caldo de sururu, puxando da Bahia novamente, e tantas outras. Para beber, escolhi um suco de abacaxi, da fruta mesmo, feito na hora. Dandara explicou que sempre tentam utilizar frutas da época, em especial as nordestinas, como carambola e graviola. Enquanto bebia e me deliciava com a espumosidade, percebi com mais atenção o desenho que tem logo na entrada do restaurante, inspirado em uma foto tirada pela própria chef Dandara Batista quando foi visitar a Angola. É a árvore imbondeiro, essa, especificamente, fica em frente ao Museu da Escravatura. Aliás, é uma árvore típica africana encontrada nas savanas quentes e secas da África subsariana, mas que também aparece em zonas de cultivo e áreas povoadas. Tudo a ver com a proposta do restaurante.

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Apresentação e roteiro: Alvaro Tallarico / Gravado na Pato Rouco Records / Edição: Rico Moraes / Música de abertura e fechamento: 2 na praça – Da Praça / Logo Vivente Andante por Pedro Pinheiro / Siga @viventeandante nas redes sociais

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