A economia criativa movimentou R$ 393,3 bilhões no Brasil em 2023, o equivalente a 3,59% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O setor também reunia 5,8 milhões de trabalhadores em 2024, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, e a secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura, Cláudia Leitão, esses números reforçam a importância da cultura para o desenvolvimento econômico brasileiro.
Segundo Margareth e Cláudia, a economia criativa precisa ocupar um lugar estratégico no planejamento do país. A atividade reúne diferentes setores, como música, cinema, literatura, artes visuais, design e jogos digitais, além de movimentar uma cadeia produtiva que envolve artistas, técnicos, produtores e empreendedores.
As duas gestoras defendem que a cultura seja reconhecida como fonte de riqueza, geração de empregos, inovação e fortalecimento da soberania nacional. A proposta também envolve ampliar as oportunidades para quem trabalha com produção cultural e criar condições para que esse mercado se desenvolva em diferentes regiões brasileiras.
O peso econômico da cultura não se limita à comercialização de obras artísticas. A cadeia criativa movimenta serviços, tecnologia, comunicação, distribuição e turismo, além de abrir espaço para pequenos negócios e profissionais independentes.
Uma produção audiovisual, por exemplo, envolve roteiristas, diretores, atores, técnicos, montadores e empresas responsáveis pela divulgação e distribuição. Na música, a atividade mobiliza compositores, intérpretes, produtores, instrumentistas e profissionais de sonorização.
Segundo Margareth Menezes e Cláudia Leitão, reconhecer essa dimensão econômica é fundamental para ampliar o papel da cultura nas estratégias de desenvolvimento do Brasil. O setor pode gerar renda e trabalho, além de projetar a diversidade cultural brasileira para outros países.
Os dados da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), publicados no Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil 2025, dimensionam esse potencial. Em 2023, a economia criativa respondeu por 3,59% do PIB, com movimentação de R$ 393,3 bilhões.
O que outros países podem ensinar ao Brasil
A economia criativa também ganhou espaço nas estratégias de desenvolvimento de outros países. Margareth e Cláudia destacam experiências internacionais que mostram como governos podem investir em setores culturais para ampliar a geração de riqueza e fortalecer sua presença no mercado global.
A Indonésia possui um Ministério da Economia Criativa e promove encontros internacionais dedicados ao tema. No Reino Unido, investimentos públicos buscam fortalecer a indústria musical, um setor que movimenta bilhões de libras. Já a Coreia do Sul ampliou a circulação internacional de sua música, de suas produções audiovisuais e de outros produtos culturais.
Esses exemplos mostram diferentes caminhos para integrar cultura e desenvolvimento econômico. No caso brasileiro, a diversidade cultural e a capacidade de produção artística representam oportunidades para ampliar mercados e fortalecer negócios.
Segundo as duas representantes do Ministério da Cultura, o Brasil precisa transformar esse potencial em uma política de desenvolvimento consistente. Isso exige investimentos, formação profissional, acesso a financiamento e mecanismos que facilitem a circulação de produtos culturais.
Política nacional busca fortalecer a economia criativa
A Política Nacional de Economia Criativa integra os esforços para consolidar o setor no país. A iniciativa busca aproximar cultura, inovação e desenvolvimento, reconhecendo a contribuição das atividades criativas para a economia brasileira.
Um dos desafios é garantir que os benefícios cheguem a diferentes territórios. Profissionais e empreendedores que atuam fora dos grandes centros frequentemente enfrentam dificuldades para conseguir crédito, estruturar projetos e acessar canais de distribuição.
Para Margareth Menezes e Cláudia Leitão, o fortalecimento da economia criativa também se relaciona à sustentabilidade e à soberania cultural. O investimento na produção nacional pode ampliar oportunidades profissionais e valorizar expressões artísticas de diferentes comunidades.
A formação de trabalhadores, o estímulo ao empreendedorismo e a articulação entre governos, empresas e instituições culturais são caminhos para fortalecer essa cadeia produtiva. A continuidade das políticas públicas também é importante para que os projetos consigam se desenvolver a longo prazo.
Cultura entra na agenda internacional de desenvolvimento sustentável
O debate sobre economia criativa está relacionado à discussão internacional sobre o papel da cultura no desenvolvimento sustentável. O período de 2027 a 2036 foi indicado como a Década Internacional da Cultura para o Desenvolvimento Sustentável, conforme o material de referência.
A iniciativa amplia a discussão sobre a contribuição da cultura para o desenvolvimento social, econômico e ambiental. Para o Brasil, essa agenda representa uma oportunidade de fortalecer políticas culturais e ampliar o reconhecimento da produção artística como parte da atividade econômica.
Segundo Margareth e Cláudia, a cultura precisa ser considerada um componente estratégico do futuro brasileiro. A defesa envolve reconhecer tanto seu valor simbólico quanto sua capacidade de gerar empregos, movimentar recursos e estimular a inovação.
Com R$ 393,3 bilhões movimentados em 2023 e milhões de trabalhadores envolvidos, a economia criativa já representa uma parcela expressiva da atividade econômica nacional. O desafio agora é ampliar as condições de produção, distribuição e acesso ao mercado, para que esse potencial se converta em oportunidades para mais brasileiros.
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