Após uma temporada de estreia com sessões lotadas e uma passagem de sucesso por São Paulo, o monólogo Edson retorna ao Rio de Janeiro nesta sexta-feira (9). A nova temporada começa às 20h no Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa e segue até 1º de novembro.
Escrito, dirigido e interpretado por Matheus Macena, o espetáculo recebeu cinco indicações ao 37º Prêmio Shell de Teatro. O reconhecimento contempla as temporadas realizadas no Rio e em São Paulo e amplia a repercussão do trabalho, que nasceu de uma pesquisa do multiartista sobre memória, apagamento e representatividade.
Macena concorre duas vezes na categoria Melhor Ator, pelas temporadas carioca e paulista. Também aparecem entre as indicações Melhor Dramaturgia, para o próprio artista, Melhor Música, para Pedro Nego, e Melhor Cenário, para Bidi Bujnowski.
A montagem marca ainda uma nova etapa na trajetória de Macena. Em Edson, ele assume pela primeira vez um monólogo em que também responde pela direção e dramaturgia.
O ponto de partida do espetáculo é a trajetória de Edson Luís de Lima Souto, jovem estudante secundarista morto em 1968. A montagem acompanha sua história e a de sua família a partir de uma perspectiva pouco explorada em narrativas sobre o período.
Pai, Mãe, Irmã e Edson formam o núcleo da dramaturgia. A família permite que a montagem combine pesquisa documental e fabulação para reconstruir uma história marcada por deslocamentos, dificuldades sociais e pela busca por dignidade.
A perspectiva escolhida por Macena parte do trabalhador de base, do analfabetismo e da experiência de migrantes nordestinos e nortistas. O espetáculo também utiliza essa trajetória para discutir a maneira como determinadas histórias podem desaparecer da memória coletiva.
“Conforme o processo artístico caminhava, notei que a justiça dos fatos não era suficiente. Era necessário fabular. Afinal, para um espetáculo teatral é através da poesia que se descobre dignidade”, afirma Macena.
O processo de criação envolveu meses de pesquisa na Biblioteca Nacional. O artista consultou jornais de época, reportagens e documentos para construir o material que serviu de base para a dramaturgia.
A partir desse levantamento, Edson procura equilibrar o compromisso com os fatos e a liberdade da criação teatral.
“Creio que esses são os pilares da dramaturgia: justiça para os fatos e poesia para dignidade”, resume o dramaturgo.
A montagem também coloca a representatividade no centro da discussão.
Para Macena, não basta ampliar a presença de personagens negros e indígenas em produções culturais. O passo seguinte seria construir personagens com maior complexidade emocional e humana.
Esse pensamento orienta a maneira como Edson e sua família aparecem em cena. A intenção é afastar uma representação limitada pela condição social dos personagens e apresentar indivíduos com desejos, conflitos e contradições.
“Não basta apenas ver corpos semelhantes aos meus na televisão, no cinema e no teatro. O próximo passo para a representatividade é a complexidade emocional”, afirma o ator.
A música também desempenha papel importante na montagem. Pedro Nego assina a direção musical e atua como músico em cena. O trabalho recebeu indicação ao Prêmio Shell na categoria Melhor Música.
O cenário e o figurino ficam a cargo de Bidi Bujnowski, que também concorre ao prêmio pelo trabalho realizado no espetáculo.
Cinco indicações ao Prêmio Shell
A repercussão de Edson ganhou dimensão nacional após as temporadas no Rio e em São Paulo.
Matheus Macena já havia recebido o Prêmio Shell de Melhor Ator em 2024, por Musical Pré-Fabricado, de Michel Melamed. Agora, volta a aparecer entre os indicados com um trabalho que também reúne dramaturgia e direção.
A lista de indicações de Edson é formada por:
- Melhor Ator – Matheus Macena, temporada do Rio;
- Melhor Ator – Matheus Macena, temporada de São Paulo;
- Melhor Dramaturgia – Matheus Macena;
- Melhor Música – Pedro Nego;
- Melhor Cenário – Bidi Bujnowski.
Para o artista, a repercussão representa a continuidade de um trabalho independente e autoral.
“Saber que nosso trabalho tão suado toca no coração das pessoas e, para além disso, está alçado aos melhores do ano, é muito gratificante”, afirma.
Depois da temporada paulista, o espetáculo ainda passou por Buenos Aires antes de retornar ao Rio.
Segundo Macena, a volta à capital fluminense também tem importância dentro do próprio percurso da montagem. A temporada carioca foi pensada como uma oportunidade de retomar o encontro com o público que acompanhou o início do projeto.
Matheus Macena
Aos 31 anos, Matheus Macena já construiu uma trajetória em diferentes áreas das artes.
O ator recebeu o Prêmio Shell de Melhor Ator em 2024 por Musical Pré-Fabricado, espetáculo autoral dirigido por Michel Melamed e inspirado nas canções da banda Los Hermanos.
Também participou de montagens como Veias Abertas 60′ 30′ 15′, em colaboração com a Aquela Cia. de Teatro, além de Guanabara Canibal e Caranguejo Overdrive. Por este último trabalho, recebeu indicações aos prêmios Cesgranrio, APTR e Shell.
No audiovisual, participou da novela Guerreiros do Sol e dos filmes Um Animal Amarelo, Transe, Carne Fresca, Baleia e Assalto à Brasileira.
Macena também dirigiu e roteirizou o curta-metragem Baby, que aborda a crise climática a partir de uma perspectiva afrodiaspórica.
Agora, com Edson, o artista amplia sua atuação ao reunir dramaturgia, direção e interpretação em um mesmo trabalho.
Serviço
Edson
Temporada: 9 de outubro a 1º de novembro de 2026
Sextas e sábados: 20h
Domingos: 19h
Duração: 75 minutos
Classificação: 16 anos
Ingressos: R$ 35 (meia-entrada) e R$ 70 (inteira)
Local: Teatro Municipal Ipanema Rubens Corrêa
Endereço: Rua Prudente de Moraes, 824, Ipanema, Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2523-9794
Instagram: @edson.espetaculo
Ficha técnica
Direção, dramaturgia e atuação: Matheus Macena
Figurino e cenografia: Bidi Bujnowski
Direção musical e músico: Pedro Nego
Direção técnica e iluminação: Gabriel Prieto
Projeto gráfico: Nina Bruno Malta
Fotografia: Lucas Nogueira
Assessoria de imprensa: Marrom Glacê Comunicação
Direção de produção: Corpo Rastreado
Produção local: Helena Panno
Produção executiva: Gisely Alves
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