A Ilha da Marambaia, em Mangaratiba, na Costa Verde fluminense, recebe nos dias 31 de outubro e 1º de novembro a segunda edição do Festival Quilombo Cultural. Realizado pela Fábrica de Gigantes, o evento promove o encontro entre comunidades quilombolas, caiçaras, jongueiras e grupos de cultura popular do Sudeste, com oficinas, manifestações tradicionais e atividades voltadas à preservação da memória coletiva.
Após a primeira edição, realizada em 2024, o festival retorna com a proposta de fortalecer os vínculos entre territórios e ampliar a transmissão de conhecimentos ancestrais. A organização estima mobilizar cerca de 300 participantes e receber aproximadamente 600 pessoas ao longo dos dois dias.
A programação reúne representantes do Vale do Café, da Baixada Fluminense, da cidade do Rio de Janeiro e da própria Marambaia. Entre as atividades estão oficinas de saberes tradicionais, cultura pernalta, jongo, samba de roda, culinária quilombola e turismo histórico.
A escolha da ilha também tem significado político e cultural. O território reúne tradições quilombolas e caiçaras e enfrenta disputas fundiárias e ameaças de remoção que afetam a comunidade. Nesse contexto, realizar o festival no local reforça a importância do reconhecimento das histórias, dos modos de vida e do protagonismo de seus moradores.
Oficinas valorizam saberes quilombolas e caiçaras
O primeiro dia, 31 de outubro, será dedicado às atividades formativas conduzidas por mestres e mestras de diferentes territórios. A proposta é criar espaços de troca entre gerações e valorizar conhecimentos transmitidos pela oralidade e pela prática cotidiana.
A programação inclui quatro oficinas: Memórias e Vivências do Quilombo da Marambaia; Criação Artesanal com Conchas; Práticas Tradicionais da Pesca Artesanal, com remendo de redes; e Culinária Quilombola, com beneficiamento do café.
As atividades abordam diferentes dimensões da vida comunitária. O trabalho com conchas e o remendo de redes dialogam com práticas artesanais e pesqueiras, enquanto a culinária quilombola destaca técnicas e memórias alimentares transmitidas entre gerações. As vivências sobre o quilombo, por sua vez, aproximam os participantes da história e da identidade do território.
O projeto também valoriza o jongo como manifestação afro-brasileira que articula música, dança e oralidade. O samba de roda, as ervas medicinais e o turismo histórico integram a proposta mais ampla de preservar conhecimentos ligados à ancestralidade, à saúde, à alimentação e à memória territorial.
As oficinas têm entrada gratuita e buscam reconhecer os integrantes das comunidades como detentores de conhecimentos fundamentais para a continuidade dessas tradições.
No dia 1º de novembro, o festival amplia o encontro entre os grupos participantes e o público, com atividades de celebração e intercâmbio cultural.
Entre os grupos jongueiros convidados estão o Jongo da Serrinha, o Jongo de Bracuí, os Filhos da Marambaia e o Jongo do Quilombo São José da Serra. A participação desses coletivos aproxima comunidades com trajetórias próprias e fortalece uma rede de manifestações culturais afro-brasileiras.
A cultura pernalta também ocupa espaço na programação. A linguagem utiliza pernas de pau para criar apresentações e experiências artísticas em ruas, festas populares e espaços comunitários. Estão previstos os grupos Gigantes de Pedra, Gigantes de Mangaratiba, Gigantes da Penha e Gigantes Sonhadores.
A presença desses coletivos reforça a proposta de aproximar a cultura popular de diferentes gerações e territórios. Ao reunir práticas tradicionais, expressões artísticas e atividades formativas, o festival cria oportunidades para que os participantes compartilhem experiências e ampliem suas redes de colaboração.
Fábrica de Gigantes aproxima arte e cultura popular
A Fábrica de Gigantes surgiu a partir da trajetória da artista, produtora cultural, educadora e diretora artística Raquel Potí. A iniciativa desenvolve projetos que utilizam a arte e a cultura popular para aproximar pessoas, territórios e formas distintas de conhecimento.
Um dos eixos de seu trabalho é a cultura pernalta, que transforma o uso de pernas de pau em linguagem artística e ferramenta de ocupação cultural. A prática aparece em carnavais, festas populares, projetos comunitários e outras ações que estimulam a participação coletiva.
No Festival Quilombo Cultural, essa experiência se conecta às tradições quilombolas e caiçaras por meio do encontro entre grupos, mestres, artistas e comunidades. A proposta é reconhecer as expressões culturais como parte da vida cotidiana e como instrumentos de fortalecimento dos vínculos comunitários.
A transmissão de saberes entre gerações é um dos pilares do projeto. Mestres e mestras de tradição oral ocupam papel central como referências vivas de conhecimentos que permanecem presentes nas comunidades por meio de histórias, práticas, músicas, danças e técnicas tradicionais.
As oficinas e os encontros funcionam como espaços de escuta e aprendizagem, nos quais os participantes podem compartilhar experiências e reconhecer as diferentes formas de preservar a memória coletiva. A iniciativa também busca aproximar grupos jongueiros, coletivos pernaltas e comunidades de territórios distintos.
O planejamento prevê a continuidade das ações após o festival. A partir de 2027, a organização pretende realizar novas oficinas e atividades formativas em diferentes territórios. A programação ainda será divulgada nos canais oficiais da Fábrica de Gigantes.
Para facilitar a participação dos grupos convidados, o projeto prevê medidas como transporte, alimentação, hospedagem e tradução simultânea em Libras. A estrutura busca responder às necessidades de deslocamento e permanência das comunidades envolvidas.
Ao chegar à segunda edição, o Festival Quilombo Cultural reforça a cultura como instrumento de memória, pertencimento e articulação territorial. Na Ilha da Marambaia, o encontro reúne diferentes gerações e tradições para valorizar os conhecimentos que sustentam a identidade das comunidades quilombolas e caiçaras.
Serviço
Festival Quilombo Cultural — 2ª edição
- Datas: 31 de outubro e 1º de novembro de 2026
- Local: Ilha da Marambaia, Mangaratiba, RJ
- Programação: oficinas formativas e atividades culturais gratuitas
- Público estimado: 600 pessoas
- Participantes previstos: cerca de 300 integrantes de comunidades quilombolas, caiçaras e tradicionais
- Realização: Fábrica de Gigantes
- Informações: Instagram da Fábrica de Gigantes
A organização ainda divulgará informações complementares sobre a programação e a participação do público externo.
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