Nem o poder de Grayskull foi suficiente para garantir o sucesso esperado de Mestres do Universo nas bilheterias mundiais. Cercado por uma das maiores campanhas de marketing do ano, impulsionada pela Amazon MGM Studios e pela Mattel, o aguardado retorno de He-Man aos cinemas estreou abaixo das projeções e já é apontado como uma das grandes decepções comerciais de 2026.
O longa arrecadou cerca de US$ 54 milhões em seu primeiro fim de semana global, sendo US$ 29 milhões nos Estados Unidos e aproximadamente US$ 25 milhões nos mercados internacionais. O resultado ficou aquém das expectativas para uma produção que custou entre US$ 170 e US$ 200 milhões e que chegou aos cinemas ocupando salas premium e IMAX em diversos territórios.
Enquanto Hollywood tenta entender o desempenho abaixo do esperado, um país se destaca como exceção: o Brasil.
Em contraste com a recepção morna observada em grande parte do mercado internacional, o público brasileiro respondeu de forma bastante positiva à nova aventura de Eternia. O país registrou arrecadação de US$ 4,5 milhões no fim de semana de estreia, tornando-se o único território onde o filme superou as projeções dos estúdios.
O resultado reforça a relação histórica dos brasileiros com a franquia criada pela Mattel. Desde os anos 1980, He-Man e os Mestres do Universo conquistou gerações por meio da televisão aberta, brinquedos, quadrinhos e reprises constantes, consolidando uma base de fãs que permanece ativa até hoje.
O desempenho nacional também ajudou a impulsionar um dos melhores fins de semana recentes para o mercado exibidor brasileiro, que contou ainda com a liderança de Todo Mundo em Pânico, além da permanência de títulos como Obsessão, Backrooms e O Diabo Veste Prada.
Analistas apontam que um dos principais problemas da estratégia de lançamento foi a forte dependência da nostalgia.
A campanha promocional concentrou seus esforços quase exclusivamente no público que cresceu com a animação original e os brinquedos das décadas de 1980 e 1990. A aposta buscava repetir casos de sucesso como Top Gun: Maverick e Os Fantasmas Ainda se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice, mas os resultados mostraram uma realidade diferente.

Segundo pesquisas de público, a aprovação entre os espectadores adultos ficou abaixo do esperado. O índice de recomendação definitiva registrado pelo PostTrak alcançou apenas 64%, número considerado modesto para uma franquia que pretende gerar continuações.
Por outro lado, o público infantil demonstrou entusiasmo muito maior.
Crianças com menos de 12 anos registraram impressionantes 96% de aprovação, enquanto 57% afirmaram que recomendariam o filme aos amigos. O problema é que esse grupo representou apenas 4% dos ingressos vendidos durante o lançamento.
O dado acende um alerta importante para a Mattel.
Mais do que a venda de ingressos, franquias como Mestres do Universo dependem fortemente da comercialização de brinquedos, roupas, colecionáveis e produtos licenciados.
Sem conquistar uma nova geração de fãs, a sustentabilidade da marca no cinema se torna mais difícil.
O desempenho de Mestres do Universo também reforça uma discussão cada vez mais presente na indústria.
Nos últimos anos, diversas propriedades intelectuais ligadas aos anos 1980 encontraram dificuldades para reconquistar espaço nos cinemas. Franquias como Transformers, As Tartarugas Ninja, Dungeons & Dragons e Ghostbusters tiveram resultados modestos, mesmo quando receberam boas críticas.
A principal dificuldade parece estar em equilibrar dois públicos distintos: os fãs nostálgicos que cresceram com essas marcas e uma nova geração que não possui qualquer vínculo emocional com elas.

Enquanto sucessos recentes como Minecraft, Super Mario Bros. e Sonic apostaram diretamente no público jovem, muitas adaptações de propriedades clássicas continuam direcionando sua comunicação principalmente para adultos.
O resultado é uma situação curiosa: os filmes conseguem despertar interesse em quem já conhece aqueles universos, mas têm dificuldade para criar novos fãs.
Idris Elba vive momento especial dentro e fora das telas
Apesar das dificuldades comerciais, um dos destaques do filme continua sendo Idris Elba, intérprete de Duncan, o Mentor (Man-At-Arms).
Poucos dias antes da estreia mundial do longa, o ator recebeu oficialmente o título de cavaleiro do Império Britânico das mãos do rei Charles III, em cerimônia realizada no Castelo de Windsor.
A honraria reconhece sua contribuição para o cinema e também seu trabalho social voltado para jovens através da Elba Hope Foundation, organização criada ao lado de sua esposa, Sabrina Elba.
A coincidência acabou chamando a atenção dos fãs: em Mestres do Universo, Elba interpreta justamente um dos maiores guerreiros e defensores de Eternia, tornando-se literalmente um cavaleiro na vida real e na ficção.
Dirigido por Travis Knight e estrelado por Nicholas Galitzine como Príncipe Adam, o filme encerra sua narrativa preparando terreno para uma possível continuação envolvendo She-Ra, irmã gêmea perdida de He-Man.
Entretanto, diante da estreia abaixo das expectativas, o futuro da franquia nos cinemas permanece indefinido.
O caso de Mestres do Universo deixa uma pergunta importante para os estúdios: a nostalgia ainda é suficiente para sustentar grandes franquias ou o verdadeiro desafio está em conquistar uma nova geração de espectadores?
A resposta pode definir não apenas o destino de He-Man, mas também o futuro de várias propriedades clássicas que Hollywood tenta transformar novamente em fenômenos globais.
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