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k-pop no rock in rio
Música

O dia do K-pop no Rock in Rio: o que acontece quando uma comunidade ocupa um festival

Por Genius Lab
Última Atualização 21 de setembro de 2026
8 Min Leitura
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foto: Genius Lab
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Às 5h da manhã, ainda debaixo de chuva pesada, já tinha gente na fila do Rock in Rio esperando por um show que só aconteceria à meia-noite.

Era o dia do Stray Kids.

Tínhamos amigos ali. Alguns chegaram à grade. E, para a equipe da Genius Lab, aquele também seria o dia mais intenso de cobertura do festival.

Acompanhamos a movimentação desde cedo e fizemos praticamente um plantão nas redes. Nosso primeiro vídeo do soundcheck foi publicado antes da entrada do público e já tinha passado de 100 mil visualizações antes das 14h.

Mas a movimentação na Cidade do Rock dizia tanto quanto os números.

Quem chegou cedo não estava simplesmente esperando os portões abrirem.

A fila tinha sua própria dinâmica. Tinha photocard, freebie, SKZOO, banner, conversa, troca de informação e gente encontrando amigos que, muitas vezes, conhecia primeiro pelas redes.

Quando os portões abriram, a corrida pela grade começou.

Alguns dos nossos amigos correram para conseguir chegar ao espaço em frente ao palco. A disputa por cada centímetro era real. A Folha de S.Paulo chegou a descrever aquela movimentação como um “festival dentro do festival”.

E fazia sentido.

Aquele público do k-pop já chegava com seus próprios códigos e formas de viver o evento. O Rock in Rio oferecia a estrutura; a comunidade trazia a dinâmica.

Talvez uma das cenas mais interessantes estivesse justamente longe da grade.

Havia muitos adolescentes e jovens, mas também famílias inteiras.

Pais acompanhando os filhos, crianças e mães preocupadas em garantir que tudo corresse bem. Vimos pais mais ligados ao rock carregando as filhas nas costas para que elas conseguissem enxergar o palco.

Era curioso observar mães que não sabiam os nomes dos integrantes do Stray Kids, mas sabiam exatamente onde estavam os filhos e não desgrudavam deles.

Ao lado delas, fãs mais velhos disputavam centímetros na grade com a mesma determinação de quem esperou anos por aquele momento.

O dia reunia públicos diferentes dentro de uma mesma experiência. E isso também muda a forma como um festival precisa pensar sua operação.

Toda aquela energia também trouxe situações mais delicadas.

Chamou atenção a quantidade de pessoas procurando atendimento médico ou sentadas no chão entre um show e outro. Em alguns pontos, pessoas ocupavam áreas de passagem e a circulação ficava cada vez mais difícil.

Para quem estava ali, esse foi um dos momentos mais preocupantes do dia.

Houve um aviso no telão pedindo que o público recuasse. Durante o show, Bang Chan também pediu que as pessoas dessem um passo para trás e cuidassem umas das outras.

?GRAVE: O Rock In Rio precisou emitir um alerta de segurança por conta da superlotação no Palco Mundo para o show do Stray Kids. pic.twitter.com/pGTXcEk3T2

— Central Reality (@centralreality) September 11, 2026

Os pedidos ajudaram, mas não resolveram completamente a situação.

É um detalhe importante porque mostra uma questão que vai além do comportamento de fãs. Quando um público chega com uma intensidade de participação diferente, a estrutura precisa acompanhar essa intensidade também.

Para a Genius Lab, aquele foi o dia de maior consumo de dados na produção de conteúdo durante o festival.

O primeiro vídeo do soundcheck, publicado antes da entrada do público, passou de 100 mil visualizações antes das 14h. A cobertura seguiu durante todo o dia, com vídeos, informações e atualizações em tempo real.

Do lado da infraestrutura, a TIM registrou 2,3 TB de dados consumidos durante o show do Stray Kids, cerca de 20% acima do recorde anterior da operadora no festival.

Na prática, a experiência não terminava no palco.

Ela continuava no celular, nas redes, nas mensagens, nos vídeos e nas comunidades que acompanhavam tudo em tempo real.

Quando o Stray Kids entrou no palco, essa participação ficou ainda mais evidente.

Os lightsticks transformaram a plateia em uma extensão visual do show. Os fãs sabiam os momentos das músicas, os fanchants e as respostas esperadas.

Era uma plateia que conhecia os códigos daquela experiência e sabia como participar dela.

E a chuva?

A chuva acompanhou boa parte da edição, mas justamente no dia do K-pop deu uma trégua.

A partir da entrada do público, por volta das 14h, o tempo segurou até o fim do show do Stray Kids.

Quando o grupo deixou o palco, o vento voltou. E a chuva veio logo depois.

Foi quando ressurgiu a velha piada carioca sobre o Cacique Cobra Coral, conhecida figura folclórica das histórias sobre controle do tempo.

Naquele dia, a brincadeira ganhou uma versão específica: JYP, CEO da JYP Entertainment, teria sido quem “pagou” o Cacique para garantir o céu aberto até o fim do show — afinal, ele estava diretamente ligado à presença das atrações coreanas e japonesas no festival.

Era, obviamente, só uma piada. Mas a coincidência do horário ajudou.

O que fica do dia do K-pop no Rock in Rio

O Rock in Rio não estava apenas recebendo artistas de K-pop. Estava recebendo uma comunidade com formas próprias de organização, comunicação e participação.

Isso apareceu na fila, nos freebies, nos lightsticks, nos encontros, na produção de conteúdo, na disputa pela grade e também na preocupação com quem estava ao redor.

Para quem estava ali, ficou claro que essa comunidade não começa a existir quando os portões abrem. Ela chega ao festival já organizada, conectada e com expectativas próprias sobre como quer viver aquele momento.

E talvez esse seja um dos principais aprendizados do dia 11.

O K-pop já sabe como participar de um festival. Resta saber quanto tempo os grandes eventos vão levar para entender que essa comunidade não está apenas ocupando a plateia, mas ajudando a redefinir o que significa viver um festival.

Este artigo é uma collab da Genius Lab, núcleo de inteligência em cultura pop, fandoms e economia criativa, e o Korea in Rio, projeto dedicado à divulgação da cultura coreana e à análise das transformações da indústria do entretenimento e do consumo cultural.

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PorGenius Lab
A Genius Lab é uma plataforma de cultura e criação baseada no Rio de Janeiro, dedicada à cultura coreana e às dinâmicas de fandom como fenômeno cultural contemporâneo. Atua na leitura e ativação da experiência coletiva no território.Co-criadora do Coreia Fan Fest e co-fundadora da ProGeek RJ, conecta público, cidade e cultura pop asiática por meio de experiências de pertencimento, memória e comunidade.

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