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Luiz Antonio Simas faz palestra gratuita no Festival Amir Haddad
Cultura e ArtesEspetáculosNotícias

Gratuito! Luiz Antonio Simas em debate na Lapa; confira as atrações do Festival Amir Haddad

Historiador participa de encontro gratuito no Festival Amir Haddad, que ocupa a região com teatro, música, cinema, oficinas e conversas

Por Redação
Última Atualização 21 de setembro de 2026
12 Min Leitura
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Uma escola de samba desfila porque existe. Não existe apenas para desfilar. A diferença parece simples, mas abre uma discussão sobre o lugar da cultura, da festa e da própria rua na vida das cidades.

É a partir dessa provocação que o historiador, escritor e educador popular Luiz Antonio Simas participa do 4º Festival de Teatro Amir Haddad, nesta terça-feira (22), às 16h, na Casa do Tá Na Rua, na Lapa. A palestra é gratuita.

Com o tema “O evento da cultura e a cultura do evento”, Simas propõe uma reflexão sobre duas formas diferentes de entender as manifestações culturais.

De um lado, estão festas que nascem das comunidades, das relações sociais e da ocupação espontânea dos espaços públicos. Do outro, eventos que transformam manifestações culturais em produtos organizados para serem consumidos, patrocinados e apresentados como espetáculo.

A discussão ganha força em uma cidade como o Rio de Janeiro, onde a rua historicamente funciona como espaço de encontro, celebração, conflito e criação cultural.

A proposta de Simas parte da ideia de que determinadas manifestações culturais não podem ser compreendidas apenas pelo momento em que chegam ao palco ou à avenida.

Uma escola de samba, por exemplo, não começa no desfile. Existe uma comunidade, uma memória, uma rede de relações e uma história que antecedem aquele momento.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado a rodas de samba, festas populares, blocos, manifestações religiosas e outras formas de ocupação cultural das ruas.

É justamente essa diferença que o historiador pretende discutir durante o encontro. A questão passa por entender como preservar o sentido dessas manifestações quando elas entram em circuitos de grandes eventos, patrocínios e consumo.

A palestra também propõe pensar como manter a festa como uma experiência capaz de produzir vida e pertencimento, em vez de transformá-la apenas em produto cultural.

Festival transforma a Lapa em palco

A conversa integra o Ato II — A Casa do 4º Festival de Teatro Amir Haddad, que acontece entre 21 e 25 de setembro na Casa do Tá Na Rua.

O festival começou no fim de semana com o Ato I — A Rua, realizado na Praça Cardeal Câmara, sob os Arcos da Lapa. A programação ocupa o espaço público com teatro, arte, música e encontros.

A segunda etapa leva as atividades para a Casa do Tá Na Rua, na Avenida Mem de Sá, 35.

As imagens de programação divulgadas pelo festival mostram uma agenda que vai muito além do teatro. Há oficinas, leituras, conversas, exibição de filmes, cenas curtas, música, performances e festas.

Nesta terça-feira (22), além da palestra de Luiz Antonio Simas, a programação inclui oficina de teatro e dança com Dani Visco, leitura de Estudo Simas, espetáculo Quando Dança um Baobá, mostra de cena curta e música, Alma Imoral, com Clarice Niskier, e show de Marina Lutfi e João Gurgel cantando Sérgio Ricardo.

Na quarta-feira (23), o festival apresenta oficina de corpo decolonial com Valeria Monã, conversa sobre cultura, democracia e políticas públicas, leitura dramatizada de Elogio da Loucura, exibição do curta República Tiradentes, espetáculo musical Minha Estrela Dalva, show de Caio Prado e DJ Set Genestra.

A quinta-feira (24) reúne visita guiada, cinema, teatro e música. Entre os destaques estão a exibição de Jango, de Silvio Tendler, seguida de conversa, e os espetáculos Re-acordar e Grande Sertão: Veredas para Todos.

Na sexta-feira (25), último dia do Ato II, a programação inclui oficina O Ator e o Movimento, exibição de Dzi Croquettes, conversa com Bayard Tonelli e Ciro Barcelos, Buraco Show, além de apresentações musicais e festas que avançam pela madrugada.

Quem é Luiz Antonio Simas

Carioca, filho e neto de pernambucanos e alagoanas, Luiz Antonio Simas é mestre em História Social pela UFRJ.

Professor de história, educador popular, escritor, poeta e compositor, publicou mais de 30 livros relacionados às culturas de rua e às manifestações populares brasileiras.

Seu primeiro livro foi O vidente míope, publicado em 2009. Entre seus trabalhos estão Coisas nossas, O corpo encantado das ruas e Sonetos de birosca e poemas de terreiro.

Simas também venceu o Prêmio Jabuti de Livro do Ano em 2016, ao lado de Nei Lopes, pelo Dicionário da história social do samba.

Na música, suas composições foram gravadas por artistas como Maria Rita, Marcelo D2, Criolo, Rita Benneditto e Fabiana Cozza.

O historiador também participou da curadoria de exposições como Crônicas cariocas, no Museu de Arte do Rio, e Semba/Samba: corpos e atravessamentos.

Há mais de 15 anos, mantém projetos de aulas públicas em ruas, praças, botequins, coretos, quadras de escolas de samba e terreiros.

A própria trajetória ajuda a explicar a escolha do tema da palestra. Para Simas, a cultura popular não está separada dos lugares onde ela acontece e das pessoas que a constroem.

O 4º Festival de Teatro Amir Haddad reúne cerca de 80 atrações entre 18 e 25 de setembro.

Com o tema Viva o Povo Brasileiro!, a programação está dividida em dois momentos. O primeiro leva arte para a rua, enquanto o segundo ocupa a Casa do Tá Na Rua.

A proposta aproxima teatro, música, cinema, literatura, oficinas, conversas e arte pública. Cerca de 80% da programação é gratuita.

A palestra de Luiz Antonio Simas se encaixa justamente nesse conceito. Ao discutir a relação entre cultura e evento, o encontro também olha para a própria experiência proposta pelo festival.

A pergunta deixada pelo historiador não diz respeito apenas ao que acontece durante os oito dias de programação. Ela acompanha a cidade depois que os palcos são desmontados.

Quando uma manifestação cultural deixa de ser apenas uma atração e passa a fazer parte da lógica dos grandes eventos, o que permanece da festa original?

É essa discussão que Simas leva para a Lapa nesta terça-feira.

Serviço

4º Festival de Teatro Amir Haddad — Viva o Povo Brasileiro!

Palestra: “O evento da cultura e a cultura do evento”, com Luiz Antonio Simas
Data: terça-feira, 22 de setembro de 2026
Horário: 16h
Local: Casa do Tá Na Rua
Endereço: Avenida Mem de Sá, 35, Lapa, Rio de Janeiro
Entrada: gratuita

Festival: de 18 a 25 de setembro de 2026

Ato I — A Rua: 18 a 20 de setembro, na Praça Cardeal Câmara, sob os Arcos da Lapa, com programação gratuita.

Ato II — A Casa: 21 a 25 de setembro, na Casa do Tá Na Rua. A programação cultural é gratuita e os espetáculos teatrais têm ingressos a partir de R$ 25 a meia-entrada e R$ 50 a inteira.

Serviço — programação do Festival Amir Haddad 2026

4º Festival de Teatro Amir Haddad — Viva o Povo Brasileiro!
Período: 18 a 25 de setembro de 2026
Locais: Praça Cardeal Câmara, sob os Arcos da Lapa, e Casa do Tá Na Rua
Entrada: a maior parte da programação é gratuita. Os espetáculos realizados na Casa têm ingressos a partir de R$ 25 (meia) e R$ 50 (inteira).

Ato II — A Casa

21 de setembro — segunda-feira
Casa do Tá Na Rua — Avenida Mem de Sá, 35

Entre os destaques está a conversa “Tá Na Rua e Teatro Oficina: linguagem e memória”, com Amir Haddad, Marcelo Drummond, Leona Cavalli e Grupo Tá Na Rua.

22 de setembro — terça-feira

  • 14h — Oficina Teatro Dança, com Dani Visco
  • 16h — Leitura Estudo Simas, com Márcia do Valle, Nando Rodrigues e Fabio D’Ellis
  • 17h — Palestra “O Evento da Cultura e a Cultura do Evento”, com Luiz Antonio Simas
  • 18h — Quando Dança um Baobá, com Aisha Amara
  • 19h — Mostra de Cena Curta + Música
  • 21h — Alma Imoral, com Clarice Niskier
  • 22h30 — Marina Lutfi e João Gurgel cantam Sérgio Ricardo

23 de setembro — quarta-feira

  • 14h — Oficina Corpo Decolonial, com Valeria Monã
  • 15h — Conversa “A cidade é pra quem vive nela: cultura, democracia e políticas públicas para o Brasil que queremos”
  • 18h — Leitura dramatizada de Elogio da Loucura, com Leona Cavalli
  • 19h — Exibição do curta República Tiradentes, de Zé Diniz Bulbul
  • 19h30 — Mostra de Cena Curta + Música
  • 21h — Minha Estrela Dalva, com Renato Augusto e Soraya Ravenle
  • 22h — Show Caio Prado
  • 23h — DJ Set Genestra

24 de setembro — quinta-feira

  • 14h — Visita guiada, com Luciana Pedroso
  • 15h — Exibição do filme Jango, de Silvio Tendler, seguida de conversa
  • 18h — Re-Acordar, com Tiquinho
  • 19h30 — Mostra de Cena Curta + Música
  • 20h — Grande Sertão: Veredas para Todos, com Gilson de Barros
  • 21h — De Volta à Terra | Sarau Árabe + DJ Set, com Amnah Asad e convidados
  • 22h — DJ Set Dudu
  • 23h — DJ Set Caio Bucker

25 de setembro — sexta-feira

  • 14h — Oficina O Ator e o Movimento, com Ciro Barcelos
  • 15h30 — Exibição do filme Dzi Croquettes, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez
  • 17h30 — Conversa com Bayard Tonelli e Ciro Barcelos
  • 19h30 — Mostra de Cena Curta
  • 20h — Buraco Show
  • 21h30 — Bloco Afro Orunmilá
  • 22h — Ballroom
  • 0h — DJ Edu Castelo, V de Viadão
  • 1h30 — DJ Marta Supernova x Maxima
  • 3h — DJ Iury Andrew

A programação do Ato II combina atividades gratuitas com espetáculos teatrais pagos a preços populares.

Endereço: Casa do Tá Na Rua — Avenida Mem de Sá, 35, Lapa, Rio de Janeiro.

Importante: a programação pode sofrer alterações. A edição reúne cerca de 80 atrações entre teatro, arte pública, música, conversas, oficinas, cinema, literatura e cenas curtas.

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