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A história por trás do Poço Bento de Magé que agora ganha um novo capítulo
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O mistério de Magé que atravessa séculos: Poço Bento ligado a São José de Anchieta se torna Santuário Diocesano

Celebração histórica acontece em Piedade e marca uma nova etapa para um local ligado à tradição da passagem de São José de Anchieta por Magé

Por Alvaro Tallarico
Última Atualização 22 de agosto de 2026
8 Min Leitura
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Há séculos, uma história atravessa gerações em Magé: diante de um período de seca e da dificuldade de encontrar água doce, São José de Anchieta teria batido sua bengala no chão. Segundo a tradição preservada pela comunidade e registros da memória paroquial, daquele gesto teria surgido uma fonte. O local ficou conhecido como Poço Bento, ou Poço de Anchieta, e agora vive um dos momentos mais importantes de sua história.

Neste domingo, 23 de agosto, às 11h, o Poço Bento de São José de Anchieta será oficialmente elevado a Santuário Diocesano de São José de Anchieta. A celebração acontece em Piedade, em Magé, e será presidida pelo Bispo Diocesano de Petrópolis, Dom Joel Portella Amado.

A solenidade deve reunir sacerdotes do decanato, diáconos, autoridades, fiéis e comunidades de Magé e de cidades do entorno. Durante a celebração, o pároco de Magé, padre Leonardo Tassinari Resende, será nomeado primeiro reitor do novo Santuário.

A mudança de status reconhece uma realidade construída ao longo de séculos. O Poço Bento reúne fé, tradição popular, patrimônio cultural, arqueologia e memória. Ao longo das gerações, o espaço se consolida como destino de peregrinação e devoção a São José de Anchieta.

Um dos registros dessa tradição aparece no Livro do Tombo da Paróquia. De acordo com o documento, Anchieta enfrentava resistência do povo à sua pregação quando teria batido a bengala no chão, fazendo surgir uma fonte de água.

A tradição oral da comunidade acrescenta outro elemento à narrativa. A região enfrentava um período de seca e era marcada pela presença de águas salobras. O surgimento de uma fonte de água doce, portanto, teria ganhado um significado especial para a população.

Com o passar do tempo, a memória não desapareceu. Pelo contrário. O Poço Bento se transformou em espaço de oração, peregrinação e devoção. Há relatos de fiéis que atribuem graças ao uso das águas do local.

A ligação do Poço Bento com a história religiosa de Magé também aparece em documentos e acontecimentos posteriores. Em 17 de junho de 1940, o então proprietário das terras, identificado nos registros como senhor Augusto, comunicou ao pároco padre Pedro Luiz Arnaud sua intenção de doar o Poço Bento à Matriz de Nossa Senhora da Piedade.

Na mesma ocasião, ele também manifestou o desejo de ceder um terreno próximo para a construção de uma capela.

Outro momento marcante acontece em 5 de abril de 1964. Naquele dia, o altar e a cruz localizados ao lado do Poço Bento recebem uma bênção solene.

A celebração é presidida pelo Núncio Apostólico, Dom Armando Lombardi, e conta com Missa concelebrada pelo Cardeal Dom Jaime Câmara, então Arcebispo do Rio de Janeiro, e por Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, Bispo Diocesano.

A cerimônia reúne ainda os embaixadores da Espanha e de Portugal, autoridades civis e militares, sacerdotes e um grande número de fiéis de diferentes localidades.

Em 1981, Frei Francisco Battistini constrói a igreja dedicada a São José de Anchieta. Naquele período, Anchieta havia sido recentemente beatificado, embora já fosse amplamente venerado pelo povo como o “Apóstolo do Brasil”.

A importância do Poço Bento vai além da devoção religiosa. O local reúne reconhecimentos ligados à preservação do patrimônio e à memória do território mageense.

Em 2025, o reconhecimento alcança a esfera estadual. A Lei Estadual nº 10.768, de 8 de maio de 2025, declara o Poço Bento como Patrimônio Cultural, Histórico e Religioso do Estado do Rio de Janeiro.

O reconhecimento reforça a necessidade de preservar um espaço que reúne patrimônio material, arqueologia, religiosidade e memória coletiva. O local também mantém viva a tradição relacionada à presença jesuítica no território fluminense.

Após a canonização de São José de Anchieta, em 2014, o Poço Bento ganha ainda mais relevância como destino de turismo religioso. Além dos peregrinos e devotos, o espaço passa a despertar o interesse de pesquisadores e visitantes de diferentes municípios.

A importância de Anchieta também ultrapassa a dimensão religiosa. Missionário e educador, ele tem atuação marcante nos primórdios da educação brasileira e participa da organização e do desenvolvimento dos primeiros colégios jesuítas.

A elevação do Poço Bento acontece após uma sequência de momentos importantes para o local. Em 6 de junho de 2026, o espaço recebe o Cardeal Dom Orani João Tempesta, Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro.

A visita acontece durante uma Santa Missa pelas comemorações dos 80 anos da Diocese de Petrópolis. A celebração reúne um grande número de fiéis e conta com a presença de Dom Joel Portella Amado, além de sacerdotes e clérigos.

Pouco mais de um mês depois, em 12 de julho de 2026, a primeira edição da Caminhada e Cicloturismo Diocesano da Fé termina com uma Missa no Poço Bento.

É durante essa ocasião que Dom Joel anuncia oficialmente a elevação do local a Santuário de São José de Anchieta. O anúncio reconhece uma vocação de peregrinação que a comunidade católica de Magé e a Diocese já vivem há gerações.

Agora, neste domingo, a história ganha oficialmente um novo capítulo.

Mais do que receber um novo título, o Poço Bento passa a ter reconhecida sua trajetória como espaço de fé, evangelização, peregrinação, memória e preservação da tradição ligada a São José de Anchieta.

A criação do Santuário também fortalece o potencial de Magé para o turismo religioso, histórico e cultural. Um lugar cercado por uma história preservada durante séculos passa, assim, a ocupar uma nova posição na vida religiosa da região.

Serviço – Elevação a Santuário Diocesano de São José de Anchieta

Data: 23 de agosto de 2026
Horário: 11h
Entrada: gratuita
Local: Poço Bento de São José de Anchieta – Piedade, Magé/RJ
Celebração: Dom Joel Portella Amado, Bispo Diocesano de Petrópolis

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Tags:baixada fluminenseDiocese de PetrópolisDom Joel Portella AmadoféIgreja CatólicaMagépatrimônio históricopiedadePoço BentoSantuário DiocesanoSão José de Anchietaturismo religioso
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PorAlvaro Tallarico
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Jornalista especializado em Jornalismo Cultural pela UERJ com experiência em Jornalismo Esportivo. Autor dos livros "O que é Arte? Com a palavra, o artista", "A Paulistana de Ganesha", e outros.

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