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Turismo

Musehum inaugura instalação interativa que percorre a história da comunicação no Brasil

Tudo é Comunicação transforma acervo de mais de um século em uma experiência que conecta telefone, rádio, internet, cultura popular e memórias do cotidiano

Por Redação
Última Atualização 6 de outubro de 2026
9 Min Leitura
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Tópicos
  • De D. Pedro II ao WhatsApp
  • Histórias curiosas do acervo
  • Museu transforma acervo em experiência
  • Nova atração fica no Flamengo
  • Leia mais

O que um telefone antigo, um orelhão, uma gambiarra, o Orkut e a cultura do WhatsApp têm em comum? Todos fazem parte da história da maneira como os brasileiros se comunicam e agora podem ser explorados em uma nova instalação interativa no Rio.

O Musehum — Museu das Comunicações e Humanidades inaugura nesta quarta-feira (7) Tudo é Comunicação, no Petrobras Futuros – Arte e Tecnologia, no Flamengo. A instalação transforma parte do acervo do museu em um mapa visual no qual o visitante pode escolher diferentes caminhos para descobrir histórias sobre tecnologias, objetos, comportamentos e experiências relacionadas à comunicação no país.

A atração reúne 80 verbetes distribuídos por cinco módulos temáticos e ocupa cinco monitores interativos da exposição de longa duração do Musehum. Em vez de apresentar uma linha do tempo convencional, a proposta cria uma rede de conexões entre diferentes momentos da história da comunicação brasileira.

Assim, uma pesquisa pode começar pelo telefone e terminar em uma discussão sobre redes sociais. Um objeto antigo pode levar a uma história sobre cultura popular. Uma tecnologia pode revelar uma transformação no cotidiano.

A visita não segue, portanto, uma ordem obrigatória. O público decide quais caminhos percorrer de acordo com sua curiosidade.

De D. Pedro II ao WhatsApp

A instalação foi organizada em cinco módulos: “Comunicação Além da Tecnologia”, “A Era do Telefone”, “O Brasil se Comunica”, “Comunicação é Cultura” e “As Redes Conectam Pessoas”.

Cada módulo apresenta conteúdos que podem levar a outros verbetes espalhados pela instalação. Entre os exemplos estão “Gambiarra”, “Telefone D. Pedro II”, “Orelhão” e “Cultura do WhatsApp”.

A escolha desses temas aproxima a história da comunicação de situações reconhecíveis no cotidiano brasileiro. O objetivo é mostrar que comunicação não se resume aos equipamentos e tecnologias que permitem a transmissão de mensagens.

Também envolve os usos que as pessoas fazem dessas ferramentas, as adaptações criadas diante das necessidades locais e os hábitos que surgem a partir das transformações tecnológicas.

“Cada verbete deste mapa nasceu inspirado numa peça, num documento ou numa memória do nosso acervo como elementos de reconhecimento sobre o modo do brasileiro se comunicar”, explica Bruna Cruz, museóloga e coordenadora do Musehum.

Segundo ela, a instalação permite que o visitante estabeleça suas próprias relações entre os conteúdos, em vez de seguir uma narrativa única.

A experiência percorre mais de um século de transformações. Telefones históricos aparecem ao lado de referências aos primeiros celulares, enquanto histórias sobre telefonistas, orelhões, telégrafo e internet mostram diferentes etapas da relação entre tecnologia e sociedade.

O resultado é uma abordagem que mistura história, cultura material e memória. Ao reconhecer objetos que fizeram parte de diferentes gerações, o visitante também pode encontrar lembranças pessoais dentro do acervo.

Histórias curiosas do acervo

A instalação também recupera episódios menos conhecidos da história da comunicação no Brasil.

Um deles envolve o Orkut, rede social que fez enorme sucesso no país antes de ser encerrada em 2014. A plataforma ganhou tamanha relevância entre os brasileiros que sua trajetória está relacionada à transferência de parte da operação do Google para o Brasil.

Outro exemplo está na Maré, no Rio de Janeiro. Em 1979, crianças conhecidas como “telecotecos” administravam um dos principais modelos de telefonia utilizados na favela.

A exposição também apresenta histórias ligadas a invenções que fazem parte da paisagem urbana brasileira.

O orelhão, por exemplo, foi projetado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Já o identificador de chamadas é atribuído ao técnico mineiro Nélio José Nicolai.

Essas histórias ajudam a deslocar a comunicação de uma narrativa centrada apenas nas grandes empresas e tecnologias internacionais. A instalação procura mostrar também soluções brasileiras, adaptações locais e personagens que participaram dessa transformação.

Para Mariana Varzea, diretora da Inspirações Ilimitadas, a pesquisa permite estabelecer novas relações entre objetos e documentos preservados pelo museu.

“O que apresentamos é uma pesquisa qualificada em um acervo que tem muito a dizer sobre o Brasil”, afirma. Segundo ela, a criação de novas relações entre os elementos preservados abre espaço para outras perguntas e interpretações.

Museu transforma acervo em experiência

Tudo é Comunicação resulta de uma pesquisa e curadoria realizadas pelas equipes do Musehum e da Inspirações Ilimitadas. O projeto também contou com a escuta de profissionais ligados à cultura, semiótica, jornalismo, artes e tecnologias da informação e comunicação.

A instalação foi desenvolvida a partir do Plano Museológico do Musehum, lançado em 2024, e dialoga com a pesquisa publicada no primeiro volume da coleção Musehum Acervos Vivos.

A coleção investiga relações entre técnica, trabalho, cultura material e memória. A instalação amplia essa abordagem ao permitir que o visitante participe da construção de sua própria experiência dentro do acervo.

Essa característica também ajuda a aproximar diferentes gerações. Para quem viveu a época dos telefones fixos, por exemplo, determinados objetos podem despertar uma memória que não existe para quem cresceu usando smartphones.

Da mesma forma, elementos aparentemente recentes, como redes sociais e aplicativos de mensagens, passam a ser vistos dentro de uma história mais ampla.

A exposição mostra que cada transformação tecnológica também altera comportamentos. A maneira de conversar, trabalhar, encontrar pessoas, compartilhar informações e preservar memórias muda conforme novas ferramentas entram na rotina.

No centro dessa trajetória está justamente a ideia que dá nome à instalação: tudo pode se tornar comunicação quando passa a integrar as relações entre pessoas, objetos, tecnologias e sociedade.

Nova atração fica no Flamengo

A instalação passa a integrar a exposição de longa duração do Musehum, dentro do Petrobras Futuros – Arte e Tecnologia, centro cultural localizado no Flamengo.

O espaço reúne iniciativas ligadas às artes visuais, digitais, performáticas, cênicas e sonoras, além de exposições, instalações, performances, espetáculos, shows, oficinas, encontros e debates.

O Musehum ocupa uma posição particular nesse conjunto por preservar a história das tecnologias de comunicação no Brasil.

Com Tudo é Comunicação, parte desse acervo deixa de ser apresentada apenas como objeto histórico e passa a funcionar como ponto de partida para uma experiência de navegação.

A proposta é especialmente adequada a um tema que está em constante transformação. Afinal, enquanto o visitante percorre histórias sobre telégrafo, telefone e orelhão, a própria ideia de comunicação continua mudando fora do museu.

A entrada é gratuita, e a instalação pode ser visitada de quarta a domingo, das 11h às 18h.

Serviço

Tudo é Comunicação

Abertura: 7 de outubro de 2026
Visitação: quarta a domingo, das 11h às 18h
Local: Musehum – Museu das Comunicações e Humanidades, no Petrobras Futuros – Arte e Tecnologia
Endereço: Rua Dois de Dezembro, 63, 6º andar, Flamengo, Rio de Janeiro
Entrada: gratuita

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