Tuesday, October 19, 2021

Ópera Gratuita | Confira a programação da semana

Ópera gratuita? Tem! Nossos teatros permanecem fechados. Porém, temos mais uma semana com óperas do Metropolitan. Essa semana o Met trará  – quase que exclusivamente – clássicos. Das sete óperas, as sete são lugar comum. Talvez Wozzeck seja a menos tradicional. Aliás, talvez não, com certeza, mas mesmo assim já é uma peça bem encenada. O cativante compositor italiano Giaccono Puccini terá nada menos do que 3 obras encenadas, é definitivamente um queridinho do público e do Metropolitan. Mozart estará presente também, como nas últimas três semanas. Enfim,  um presente para os amantes de clássicos, não tem erro! Segue a programação:

Manon Lescaut – Puccini – 13/07

 A primeira obra de Puccini na semana será Manon Lescaut. Essa foi a primeira ópera de Puccini a alcançar sucesso internacional e assim catapultou sua carreira. Repetindo a base da ópera de Massenet , Puccini criou essa versão italiana, apaixonada , exagerada e sensual da história. A ópera apresenta fortes e trágicas personagens femininas,  que se repetem nas outras obras dessa semana do compositor. A montagem é de 2015, busca ressaltar o erotismo implícito à obra e tem inspiração no cinema noir. A direção é de Richard Eyre e o papel título que faz é a soprano Kristine Opolais.

La Traviata – Verdi – 14/07

 A clássica ópera de Verdi, La traviata estreou em 1854 e levou aos palcos uma história ousada. A protagonista  Violetta, foi inspirada em Marie Duplessis, que foi uma cortesã parisiense que encantou e inspirou não só Verdi mas muitos artistas, como Alexandre Dumas Filho, que a retratou em seu romance “A dama das camélias” de 1848. Infelizmente morreu cedo, com 23 anos, de tuberculose. Apesar da história se passar no meio do século XIX, era constantemente ambientada em épocas anteriores, uma estratégia do período para burlar censuras pelo tom sexual das obras. Essa prática foi constante até o início do século XX praticamente.

A montagem que teremos a oportunidade de assistir é de 1981 e conta com grandes cantores. O papel de soprano é de Ileana Cotrubaș, que gravou seu nome como importante intérprete de Violetta, e o hoje veterano tenor Plácido Domingo vive Alfredo, amante de Violeta. Além disso o maestro responsável é James Levine, figurinha carimbada nas montagens do Met.

Turandot –  Puccini – 15/07

Última e inacabada ópera de Puccini. Apesar de não ser a mais famosa, é considerada por muitos o apogeu da carreira do compositor. Mais uma vez Puccini nos traz uma história trágica, que dessa vez se passa na China. O compositor tinha fascinação pelas histórias intensas e exóticas. A ária “Nessum Dorma” é possivelmente a mais famosa ária do repertório da ópera mundial, foi muito popularizada por Pavarotti que a cantou na copa do mundo de 1990. Só essa ária já faria valer ver a obra, mas não é só isso, inspirado na temática chinesa Puccini experimenta com escalas pentatônicas e percussões e cria o Grand Finale de sua Carreira. Para completar a direção é assinada pelo histórico diretor Franco Zefirelli e conta com o tenor Marcello Giordani, que faleceu no fim de 2019.

Wozzeck – Berg – 16/07

O compositor Alban Berg foi um dos integrantes da “segunda escola de Viena”, que tinha como “líder” Schönberg, e trazia uma das principais inovações da música no século XX: a recusa da tonalidade. Particularmente sou grande admirador dessa música que dividiu e continua dividindo opiniões. Os compositores desafiaram a estética tradicional e a ideia estabilizada de música tonal como única forma de compor. Berg foi o principal nome do movimento na ópera. Apesar de só ter composto duas óperas – Wozzeck e Lulu – trouxe inovações que mudaram a ópera no século XX.

Wozeck é uma obra complexa. Não é simples de ser tocada, nem de ser ouvida. São 15 cenas que trazem formas musicais diferentes em cada uma delas. A história é baseada em uma peça de teatro e a adaptação de Berg traz questões caras ao momento em que foi composta, como guerra, sadismo, exploração social, insensibilidade, assassinato… além disso a composição e execução da ópera foi marcada pela guerra, pois o compositor esteve envolvido na Primeira Guerra Mundial enquanto a escrevia e sua execução fora proibida, posteriormente pelo governo nazista, que era veemente contrário à obras atonais, ou de qualquer vanguarda artística. A composição que não é centrada no sistema tonal contribui para criar um clima estranho e para explorar os sentimentos do protagonista. Dirigida por William Kentridge, essa montagem é super recente, de dezembro de 2019.

La Cenerentola – Rossini – 17/07

 Adaptação do conto “ Cinderela” , assinada pelo famoso compositor do início do século XIX, Gioachino Rossini. Essa ópera, foi a seguinte do maior sucesso do compositor, ”O barbeiro de Sevilha”, e apesar de não ter sido unanimidade o sucesso na estréia, em 1817, não demorou a conquistar os palcos das casas de ópera. O papel da protagonista é escrito para voz de contralto, ou mezo soprano, e requer uma cantora com grande técnica, que sustente longos trechos, além de exigir lirismo. Nessa montagem, quem interpreta Cinderela é a Mezzo-soprano Elīna Garanča

La Noze de Fígaro – Mozart – 18/07

 Resumir essa ópera e porquê vê-la em poucas palavras é quase impossível. Mozart foi um dos principais nomes da história das artes. Suas óperas transitam entre gêneros e cutucam feridas da sociedade. As bodas de Fígaro é a primeira ópera que tem a colaboração de Mozart e o libretista Lorenzo da Ponte, as outras duas já passaram pela programação do Met, foram Don Giovanni e Cosi Fan Tuti. São obras que satirizaram a sociedade de cortes, e trouxeram várias questões aos palcos com fina ironia, muitas vezes não percebida, mas que outras vezes trouxe problemas à Mozart. A ópera foi baseada em uma comédia teatral que havia sido censurada anteriormente, mas o Libretista Lorenzo da Ponte conseguiu driblar a censura, com sua influência e com algumas modificações, como substituir o ressentimento e sátira política por rivalidade sexual e mulheres infiéis, usando profunda ironia.

Gênio

Não é a toa que duas das colaborações de Mozart e Da Ponte – Le nozze di Figaro e Don Giovanni – sejam consideradas “as melhores óperas do mundo” , mesmo a classificação sendo um tanto quanto exagerada, pois não tem como classificar arte em um rank. Mas é inegável que Mozart seja absoluto. Morreu jovem, mas sua importância para o mundo foi gigantesca, não só na, música, mas na arte, e até em outros meios. Por exemplo: foi objeto de estudo do Cientista Social Norbert Elias, que tentou analisar a sociedade de cortes à partir da vida do compositor em “Mozart: Sociologia de um gênio”.

Como falei, é difícil resumir tanta coisa, por isso me alongo um pouco mais. Mas finalmente, essa montagem apresentada na temporada de 2014 e 2015 é dirigida pelo diretor Richard Eyre. Mais uma vez ele faz uma montagem inspirada pelo cinema. Agora a fonte de inspiração foi “La Règle du Jeu” de 1939 do diretor Jean Renoir. Eyre levou a história para 1930, mas manteve toda genialidade original.

La Boheme – Puccini – 19/07

Quem vem acompanhado as postagens tem percebido que Puccini é uma constante e que La bohéme está em cartaz dia sim, dia não. É uma queridinha de público, todos amam a história e a música dos Boêmios franceses e da trágica Mimi. Nessa quarentena já teve muitas versões da ópera disponibilizadas, e aqui é mais uma, dessa vez uma versão clássica mais antiga, dirigida , novamente por… adivinhem! Sim, Franco Zefirelli.

O diretor é um veterano, apaixonado pela ópera italiana e principalmente por Puccini. O Cineasta, que faleceu ano passado, foi um dos grandes diretores da história e sua montagem de La Boheme é obrigatória. Originalmente de 1981 (a gravação disponibilizada é de 1982) é encenada até hoje. O elenco também é ótimo. Fazem parte dele Teresa Stratas, Renata Scotto, James Morris e José Carreras, famoso por participar do grupo dos anos 90 “os 3 tenores”.

Essa é então a semana no Metropolitan. Recheada de clássicos, e uma ótima oportunidade para conhecê-los. Como de costume, eles liberam no site os programas das óperas da semana e também muito material extra. Lembrando que as obras são liberadas diariamente no final da tarde, no instagram do Met, ou diretamente em seu site: https://www.metopera.org/user-information/nightly-met-opera-streams/week-18/

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