A obra de Aldir Blanc ganha uma homenagem especial no Rio de Janeiro em novembro. A cantora Mariana Baltar e o sexteto Água de Moringa apresentam o espetáculo Os Arcos – Paixão e Morte no dia 10, às 20h, no Teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch, na Glória. O show revisita composições do letrista e sua parceria histórica com João Bosco.
O espetáculo nasceu de uma pesquisa musical de Mariana Baltar e ganhou registro em álbum lançado em 2019. O projeto combina a interpretação vocal da cantora com a sonoridade instrumental do Água de Moringa, grupo que transita entre o choro e a música de concerto.
Um dos destaques é a recuperação da suíte Os Arcos, composta por João Bosco e Aldir Blanc em 1971. A obra surgiu no início da parceria entre os músicos, quando João Bosco vivia em Ouro Preto, e acabou se tornando o eixo central do projeto.
A história da composição ajuda a explicar a importância do resgate realizado pelo projeto. Em 1973, a suíte chegou a ser gravada para o primeiro disco de João Bosco, com arranjo de Luiz Eça. A gravadora RCA Victor, porém, descartou a faixa por causa de sua duração: nove minutos, quase um terço do espaço disponível no LP.
Décadas depois, Mariana Baltar e outros integrantes do projeto recuperaram a obra. A composição passou a ocupar lugar central no álbum Os Arcos – Paixão e Morte, lançado em parceria com o Água de Moringa.
O trabalho destaca a riqueza da produção de Aldir Blanc e as possibilidades de interpretação de suas composições. A apresentação no Rio leva essa pesquisa ao palco, reunindo voz e instrumentos em um repertório dedicado à memória do compositor.
Mariana Baltar une tradição e repertório contemporâneo
Mariana Baltar iniciou sua carreira profissional em 2001, no projeto Gafieira Dance Brasil, criado por Paulo Moura e Cliff Korman. Durante cinco anos, participou da cena musical da Lapa e se apresentou no Centro Cultural Carioca, espaço do qual foi uma das fundadoras.
Em 2006, lançou de forma independente o primeiro álbum, Uma Dama Também Quer Se Divertir. O trabalho lhe rendeu indicação ao Prêmio TIM de 2007, na categoria Revelação.
Seu segundo disco saiu em 2010 pela gravadora Biscoito Fino e reuniu composições inéditas de Thiago Amud, além de regravações de Assis Valente e Wilson Moreira. Em 2013, a cantora lançou Tresvarios, dedicado à parceria dos compositores Luiz Flavio Alcofra e Mauro Aguiar.
A trajetória inclui ainda participações em projetos dedicados à música brasileira. Em 2017, integrou A Paixão Segundo Catulo, tributo a Catulo da Paixão Cearense lançado pelo Selo Sesc. Dois anos depois, participou de Espelho, álbum com composições dos pianistas Cristovão Bastos e Maury Buchala.
Também em 2019, lançou Os Arcos – Paixão e Morte com o Água de Moringa, consolidando a pesquisa musical que chega agora ao palco do Teatro TotalEnergies.
Formado em 1989 por estudantes que se conheceram durante uma prática de música de câmara na UniRio, o Água de Moringa construiu uma trajetória de mais de 35 anos na música instrumental brasileira.
O grupo desenvolveu uma identidade que aproxima o choro de outras tradições musicais e da produção contemporânea. Ao longo da carreira, lançou seis CDs e participou de festivais de choro, bienais de música contemporânea e apresentações com orquestras.
O sexteto também dividiu o palco com nomes importantes da música brasileira, como Wilson Moreira, Dona Ivone Lara, Walter Alfaiate, Aldir Blanc, Miúcha, João Bosco e Moacyr Luz.
Em 2019, quando completou 30 anos, o grupo lançou três álbuns: Água de Moringa – 30 Anos, Caderno Roubado, com o pianista e compositor Carlos Fuchs, e Os Arcos – Paixão e Morte, em parceria com Mariana Baltar.
A formação reúne Rui Alvim nos sopros; Marcílio Lopes no bandolim, violão tenor e bandocello; Jayme Vignoli no cavaquinho; Luiz Flavio Alcofra no violão e na viola caipira; Josimar Carneiro no violão de sete cordas; e André Boxexa na bateria e percussão.
Teatro na Glória recebe homenagem à música brasileira
O espetáculo acontece no Teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch, instalado no histórico Edifício Manchete, na Glória. Projetado por Oscar Niemeyer, com paisagismo de Burle Marx, o espaço tem um palco reversível que permite diferentes configurações de apresentação.
Desde 2019, o Instituto Evoé atua na gestão do teatro, que recebe espetáculos e eventos culturais. A estrutura inclui área interna, jardim externo adaptável a apresentações e espaços destinados a ensaios e convivência.
A apresentação de Os Arcos – Paixão e Morte integra essa programação e oferece ao público a oportunidade de revisitar a obra de Aldir Blanc por meio de uma formação que combina interpretação vocal e música instrumental.
Serviço
Os Arcos – Paixão e Morte — homenagem a Aldir Blanc
- Artistas: Mariana Baltar e Água de Moringa
- Data: terça-feira, 10 de novembro de 2026
- Horário: 20h
- Local: Teatro TotalEnergies – Sala Adolpho Bloch
- Endereço: Rua do Russel, 804, Glória, Rio de Janeiro
- Ingressos: R$ 100
- Vendas: Ingresso.com
- Classificação etária: 12 anos
- Duração: 75 minutos
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