Spencer | Crítica

O diretor Pablo Larraín chega em um nível inédito de tensão com o seu novo filme, “Spencer”. O docudrama inglês retrata os últimos dias da instabilidade mental da Princesa Diana, logo antes dela desistir do casamento e marido abusivo banhados a ouro. Apesar das semelhanças temáticas com o seu filme anterior “Jackie”, Larraín consegue extrair mais estresse num ambiente bizarramente pacífico. O terror de se presenciar o marido perdendo a cabeça é substituído por uma agressividade gélida e indiferente que choca, revolta e entretém.

Trilha sonora

Para começo de conversa, a trilha sonora em “Spencer” é de longe metade de toda a carga emocional do longa. Além de complementar ambientação formal, o compositor Jonny Greenwood, guitarrista da banda britânica Radiohead, cria o grosso da tensão com um jazz moderno, mordaz e em alguns momentos, inebriado.

O uso de cordas, violinos, violas e violoncelos, junto de um sax nervoso ajuda a criar um fortalecer a temática de não pertencimento do filme. Dessa forma, Kristen Stewart representa uma princesa a beira de uma crise de nervos no meio de uma família sóbria e nobre. Assim, pode se observar uma rima da trilha sonora com o elenco. Um membro dissonante e dramático no meio de um mar de tradição elitista.

Essa não é a primeira viagem musical de Greenwood no cinema. O compositor tem trabalhado extensivamente com o diretor Paul Thomas Anderson, como no seu recente sucesso “A Trama Fantasma”. Além disso, ele também compôs em “Ataque dos Cães”, o último sucesso da Netflix, e o futuro projeto de Anderson, “Licorice Pizza” que deve estrear em breve.

Atuação

“Spencer” é basicamente o filme de uma atriz, Kristen Stewart. Ainda que outros atores tenham papéis relevantes na trama, Stewart é o foco e a estrela do longa. Entre banquetes, almoços com a família real e KFC no banco da praça, Stewart entrega um pânico controlado. É infeliz afirmar que a atriz apresenta um corpo de trabalho monótono, mas pelo menos em “Spencer”, a sua inquietude nata combina com o papel.

De longe, esse é uma das melhores interpretações que a atriz californiana já viveu, mesmo que o seu sotaque britânico sintético não engane ninguém. Stewart põe para fora o seu desconforto levemente sáfico usual e se entrega para a câmera num frenesi que muito impressiona que a acompanha a um bom tempo.

Vamos continuar esperando que essa fase boa continue, assim podemos deixar “Crepúsculo” e “As Panteras” para trás.

Finalmentes

Concluindo, “Spencer” aparenta ser muito mais do que um remix de “Jackie”. Larraín consegue novamente excitar com outro drama burguês, brincando com o voyeurismo das massas sobre as desgraças da elite. Como entretenimento, “Spencer” dá um show, da fotografia até a atuação, sem esquecer que isso toda a história é apenas picuinha de bilionário.

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