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Russell Crowe em cena de "Nuremberg"- Divulgação Diamond Filmes
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Crítica: ‘Nuremberg’ traz necessário e potente desconforto moral

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 22 de março de 2026
5 Min Leitura
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Russell Crowe em cena de "Nuremberg"- Divulgação Diamond Filmes
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Dirigido por James Vanderbilt, Nuremberg é rápido, direto e moralmente complexo em seu retrato de um dos momentos mais tensos da história.

Um nome carrega poder, e ao intitular uma produção com base em um dos julgamentos mais emblemáticos da humanidade, cria-se, antes mesmo da exibição, uma expectativa inevitável sobre o que será abordado.

O tema, por si só, não é inédito. Os Julgamentos de Nuremberg já foram explorados em minisséries, filmes e documentários ao longo das décadas. No entanto, o que diferencia esta versão é a combinação entre um elenco de peso e uma abordagem narrativa que privilegia o íntimo em vez do espetáculo. Apesar de discutir o impacto midiático do julgamento, Vanderbilt transforma um evento histórico amplamente conhecido em uma experiência renovada e provocativa.

O trio formado por Rami Malek, Michael Shannon e Russell Crowe sustenta o filme com intensidade e presença. Crowe, especialmente, constrói um Hermann Göring imponente e perturbador, cuja presença domina cada cena em que aparece. Ainda assim, o protagonismo recai sobre Malek, que interpreta Douglas Kelley, o psiquiatra responsável por analisar os líderes nazistas antes do julgamento. Ao escolhê-lo como fio condutor da narrativa, o filme desloca o foco do tribunal para a mente e, consequentemente, para as questões mais profundas sobre moralidade e natureza humana.

Russell Crowe e grande elenco em cena de "Nuremberg"- Divulgação Diamond Filmes

Russell Crowe e grande elenco em cena de “Nuremberg”- Divulgação Diamond Filmes

Michael Shannon, como o promotor Robert H. Jackson, ganha mais relevância no terceiro ato, quando o embate jurídico atinge seu ápice. Até lá, a narrativa opta por construir tensão por meio de diálogos e interações psicológicas, sem jamais se tornar enfadonha. Pelo contrário: mesmo sendo fortemente baseado em conversas, Nuremberg mantém um ritmo constante e envolvente.

Mais do que um retrato jurídico, Nuremberg se revela um estudo filosófico. Ao deixar em segundo plano os detalhes técnicos do julgamento, a obra mergulha em discussões sobre ética, responsabilidade e a origem do mal. Esse deslocamento torna o filme não apenas histórico, mas também profundamente contemporâneo. As reflexões propostas dialogam com o presente e sugerem paralelos inquietantes, ainda que o espectador precise interpretá-los com cautela e senso crítico.

Nesse sentido, Nuremberg evita simplificações. Em nenhum momento há relativização dos crimes cometidos, mas há uma tentativa de compreender, não justificar, como figuras como Göring se viam e se posicionavam diante de suas ações. Essa complexidade se manifesta em cenas como o contato de Kelley com a família do militar, nas quais o espectador é confrontado com a desconfortável coexistência entre o humano e o monstruoso.

As falas atribuídas a Göring reforçam essa ambiguidade: questionamentos sobre moralidade, poder e justiça permeiam o filme e ampliam seu impacto. A ideia de que o julgamento é conduzido pelos vencedores, e não necessariamente por uma superioridade moral absoluta, adiciona camadas ao debate e estimula reflexões que ultrapassam a tela.

Leo Woodall, Rami Malek e Russell Crowe em cena de "Nuremberg"- Divulgação Diamond Filmes

Leo Woodall, Rami Malek e Russell Crowe em cena de “Nuremberg”- Divulgação Diamond Filmes

Visualmente, a produção também contribui para essa atmosfera densa. A fotografia em tons sépia e a direção de arte detalhista ajudam a construir um ambiente opressivo, no qual figurinos e enquadramentos reforçam hierarquias de poder. A escolha de inserir imagens reais dos campos de concentração intensifica ainda mais a experiência, funcionando como um choque de realidade tanto para o público quanto para os próprios personagens.

James Vanderbilt, em sua segunda direção após Conspiração e Poder (2016), demonstra segurança ao conduzir uma narrativa que depende mais de ideias do que de ação. Seu maior acerto está em manter o filme constantemente engajado em sua proposta: não apenas emocionar, mas provocar, e isto acaba sendo inevitável.

Nuremberg é, acima de tudo, um lembrete. Um retrato de um momento que não deve ser esquecido, e que como defendia Kelley antes de seu suicídio, continua ecoando, silenciosamente, no presente.

Distribuído pela Diamond Films, Nuremberg estreia nos cinemas no dia 16 de Março.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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