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Cena de "Buenos Aires"- Distribuição ArtHouse
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘BuenosAires’ encontra beleza no cotidiano de uma pequena cidade

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 1 de junho de 2026
5 Min Leitura
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Cena de "Buenos Aires"- Distribuição ArtHouse
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Dirigido por Tuca Siqueira, BuenosAires retrata as tradições e os hábitos de uma pequena cidade no Nordeste que, com muito orgulho, abraça seu nome como homenagem e possibilidade de ser maior do que já é.

Se existe uma característica muito brasileira, é a capacidade de transformar situações inusitadas em parte da própria identidade cultural. Em um município do interior nordestino chamado Buenos Aires, exatamente como a capital da Argentina, essa coincidência moldou costumes, sonhos e até a forma como os moradores enxergam a própria cidade. É justamente esse sentimento que Tuca Siqueira captura com carinho e autenticidade em seu documentário.

A produção se inicia em uma aula de espanhol, quando um aluno afirma gostar de morar em Buenos Aires porque ela é bonita. O pequeno gesto de orgulho cívico funciona como porta de entrada para uma exploração calorosa da cidade e de seus habitantes. Diferente de produções recentes que observam seus personagens com maior distanciamento, o documentário permite que os próprios moradores conduzam a narrativa por meio de memórias, experiências e desejos.

Ambientado em 2022, em pleno clima de Copa do Mundo, e chegando aos cinemas justamente durante o início da Copa de 2026, o longa apresenta figuras que ajudam a colorir o cotidiano da cidade. Entre elas, o técnico do Boca Juniors local, escultores, comerciantes e moradores que carregam em suas histórias uma mistura curiosa de orgulho regional e fascínio pela cultura argentina.

Cena de "Buenos Aires"- Distribuição ArtHouse

Cena de “Buenos Aires”- Distribuição ArtHouse

Em um constante jogo de identidade, o município busca remeter ao máximo possível ao país vizinho: ruas pintadas com referências argentinas, aulas de espanhol e times de futebol inspirados em clubes tradicionais da Argentina fazem parte da paisagem local. Mais do que um elemento cômico, o filme entende esse comportamento como uma manifestação legítima de pertencimento e afeto coletivo.

Tuca Siqueira também encontra pequenos momentos de felicidade que reforçam essa conexão cultural. Em uma das melhores sequências do documentário, torcedores assistem a uma partida em um simples bar de estrada e comemoram um gol erguendo cadeiras de plástico enquanto celebram juntos. São cenas espontâneas como essa que dão personalidade e humanidade à produção.

Com apenas 70 minutos de duração, BuenosAires estabelece rapidamente sua proposta e constrói uma homenagem sincera aos moradores da cidade. A montagem que alterna uma partida local entre os times do município e imagens de um estádio lotado na Argentina cria um contraste potente entre o pequeno e o grandioso, reforçando o sentimento de identificação coletiva presente na narrativa.

No entanto, conforme avança, o documentário se desgasta pela insistência em determinados elementos. A narração frequentemente repete informações já apresentadas pelos entrevistados, enquanto a direção reforça constantemente o nome “Buenos Aires” por meio de placas, símbolos e referências visuais que se tornam redundantes.

Cena de "Buenos Aires"- Distribuição ArtHouse

Cena de “Buenos Aires”- Distribuição ArtHouse

O principal problema surge quando o futebol passa a dominar quase completamente a narrativa. Embora funcione como elemento importante da identidade local, o tema limita possibilidades mais interessantes que o próprio filme sugere em diversos momentos. Questões relacionadas a sonhos abandonados, religiosidade, relações afetivas e dificuldades sociais aparecem apenas de maneira superficial, mesmo demonstrando potencial para aprofundar ainda mais o retrato da cidade.

Em seu aspecto bilíngue, alternando entre português e espanhol, BuenosAires abraça com naturalidade a mistura cultural presente no município e desperta no espectador a curiosidade de conhecer o local. Ainda assim, a produção deixa a sensação de que havia espaço para explorar muito mais do que apenas o universo futebolístico.

Ao final, BuenosAires é um documentário simpático, humano e carregado de boas intenções. Tuca Siqueira encontra personagens marcantes e constrói momentos genuinamente emocionantes, mas limita a força de sua própria obra ao insistir em uma abordagem repetitiva. Mesmo assim, permanece como uma homenagem afetuosa a uma comunidade que encontrou, em um nome improvável, uma forma singular de enxergar o mundo e a si mesma.

Com distribuição da ArtHouse, BuenosAires estreia nos cinemas brasileiros em 11 de junho.

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Tags:Cinemacinema brasileirocinema nacionalcríticaDestaque no Vivente
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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