A maternidade após os 40 anos deixou de ser uma exceção para se tornar uma realidade cada vez mais frequente. Nos últimos meses, casos envolvendo celebridades como Cláudia Raia, Sabrina Sato, Anne Hathaway, Gisele Bündchen e Mariana Rios voltaram a colocar o tema em evidência, mostrando que, embora a gravidez nessa fase da vida exija mais atenção, ela pode acontecer de forma segura graças ao planejamento e aos avanços da medicina reprodutiva.
O aumento da expectativa de vida, a busca por estabilidade financeira e emocional e o crescimento das possibilidades oferecidas pela reprodução assistida fizeram com que muitas mulheres optassem por adiar a maternidade. No entanto, especialistas alertam que a decisão deve ser acompanhada de orientação médica e de um acompanhamento criterioso.
Segundo a ginecologista e obstetra especialista em reprodução humana Dra. Graziela Canheo, diretora técnica da La Vita Clinic, a fertilidade feminina sofre uma redução natural com o avanço da idade.
Isso ocorre porque há diminuição tanto da quantidade quanto da qualidade dos óvulos, o que reduz as chances de gravidez espontânea e aumenta o risco de alterações cromossômicas e complicações gestacionais.
“Aos 40 anos, engravidar naturalmente ainda é possível, mas é importante que a mulher e o casal façam um check-up completo para identificar possíveis fatores que possam impactar a fertilidade e a saúde da gestação”, explica a médica.
Entre os exames recomendados estão:
- avaliação da reserva ovariana;
- dosagens hormonais;
- ultrassonografia;
- avaliação das trompas;
- exames clínicos gerais;
- controle de doenças como hipertensão, diabetes e alterações da tireoide.
O objetivo é reduzir riscos tanto para a mãe quanto para o bebê durante toda a gestação.
Congelamento de óvulos amplia as possibilidades
Para mulheres que ainda não desejam engravidar, mas pretendem ser mães no futuro, o congelamento de óvulos tornou-se uma das principais ferramentas da medicina reprodutiva.
A ginecologista especialista em reprodução humana Dra. Paula Fettback, certificada pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), explica que o procedimento funciona como uma espécie de preservação da fertilidade.
“O congelamento de óvulos, quando realizado antes dos 40 anos, funciona como um seguro para as mulheres que, por diversas razões, preferem postergar a maternidade.”
Como os óvulos são coletados ainda jovens, aumentam as chances de sucesso em futuras tentativas de gravidez, além de reduzir o risco de alterações genéticas relacionadas ao envelhecimento dos gametas.
Nos últimos anos, a reprodução assistida passou por avanços importantes.
Entre eles estão:
- fertilização in vitro (FIV);
- análise cromossômica dos embriões;
- cultivo embrionário com tecnologia Time-Lapse, que monitora continuamente o desenvolvimento embrionário sem necessidade de manipulação constante.

Segundo Dra. Graziela Canheo, essas tecnologias não aumentam a quantidade de óvulos disponíveis, mas ajudam a selecionar embriões com maior potencial de implantação e desenvolvimento saudável.
“Embora não possamos aumentar a quantidade de óvulos, essas tecnologias oferecem maior segurança e viabilidade ao processo de gravidez assistida.”
Isso tem contribuído para elevar as taxas de sucesso dos tratamentos em mulheres acima dos 40 anos.
Estilo de vida também influencia diretamente a gestação
Os especialistas destacam que a medicina é apenas parte da equação.
Uma gravidez saudável também depende dos hábitos adotados antes e durante a gestação.
Entre os principais cuidados estão:
- alimentação equilibrada;
- prática regular de atividades físicas orientadas;
- controle do peso;
- abandono do cigarro e do consumo excessivo de álcool;
- qualidade do sono;
- acompanhamento psicológico quando necessário.
Segundo Dra. Paula Fettback, o bem-estar físico e emocional influencia diretamente a saúde materna e fetal.
“A saúde da mãe e do bebê está diretamente relacionada a esses cuidados, e a escolha de profissionais capacitados faz toda a diferença no acompanhamento.”
Especialistas observam que a gravidez após os 40 deixou de representar apenas uma exceção. Cada vez mais mulheres escolhem esse momento da vida para construir a família, motivadas por fatores profissionais, financeiros, pessoais e afetivos.
Ao mesmo tempo, o avanço da medicina reprodutiva ampliou significativamente as possibilidades para quem enfrenta dificuldades para engravidar naturalmente.
Ainda assim, os médicos reforçam que planejamento continua sendo a palavra-chave. Quanto mais cedo a mulher buscar orientação especializada, maiores tendem a ser suas opções no futuro.
Casos de famosas como Sabrina Sato, Anne Hathaway, Gisele Bündchen e Mariana Rios ajudam a reduzir preconceitos em torno da maternidade tardia, mas também servem para lembrar que cada gestação é única e exige avaliação individualizada.
Com acompanhamento adequado, exames preventivos e acesso às tecnologias disponíveis, a gravidez após os 40 pode acontecer com segurança e oferecer excelentes perspectivas para mãe e bebê.
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