A forte ventania que atingiu o estado do Rio de Janeiro na tarde desta quarta-feira (29) provocou uma série de transtornos, como quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia elétrica, paralisação do transporte público, acidentes de trânsito e mobilização de equipes em diferentes cidades. Na capital, o Centro de Operações e Resiliência (COR-Rio) colocou o município em Estágio Operacional 2, indicando risco de ocorrências de alto impacto e possibilidade de agravamento das condições climáticas nas próximas horas.
Segundo o Sistema Alerta Rio, a aproximação de uma frente fria pelo oceano intensificou os ventos na cidade, com registros de rajadas fortes e muito fortes durante toda a tarde. A previsão é de céu parcialmente nublado, sem chuva significativa, mas com ventos permanecendo entre moderados e muito fortes ao longo da noite.
As maiores rajadas registradas na capital ocorreram em Santa Cruz, na Zona Oeste, onde os ventos chegaram a 92 km/h. No Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), a Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica (REDEMET) registrou rajadas de 74,1 km/h às 16h28.
Enquanto isso, o cenário foi ainda mais severo na Costa Verde. Em Angra dos Reis e Paraty, rajadas superiores a 100 km/h foram registradas durante a tarde. A Defesa Civil e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) já haviam emitido um alerta de perigo para ventos costeiros de intensidade moderada a forte. De acordo com a Defesa Civil de Angra dos Reis, a ventania foi provocada pelo encontro de duas frentes frias — uma vinda do Paraná e outra do Paraguai — com uma massa de ar quente sobre a região. Vídeos enviados por moradores à TV Rio Sul mostram árvores balançando intensamente, estruturas sendo atingidas pelas rajadas e a dificuldade de circulação diante da força do vento.

Na capital fluminense, a ventania provocou um apagão que atingiu bairros das zonas Sul, Norte e Oeste, além de municípios da Baixada Fluminense. Houve relatos de falta de energia em Botafogo, Flamengo, Glória, Copacabana, Ipanema, Tijuca, São Cristóvão, Barra da Tijuca, São Conrado, Campo Grande, Freguesia, Sulacap, Santa Cruz, Guaratiba e no Centro do Rio, além de cidades como Duque de Caxias.
Os impactos também afetaram diretamente o transporte público. O MetrôRio informou que, por conta de uma falha no fornecimento de energia elétrica, a circulação de trens foi interrompida em todo o sistema metroviário na tarde desta quarta-feira (29). Passageiros relataram composições paradas entre estações e dificuldades para deixar os trens. O sistema ferroviário também sofreu impactos, com alguns ramais tendo a circulação interrompida pela falta de energia.
O Centro de Operações registrou diversas quedas de árvores em diferentes regiões da cidade. Entre os locais afetados estão o Viaduto Waldemar Vianna, em Padre Miguel; a Rua Aurélio de Figueiredo, em Campo Grande; a Rua Marquês de Barbacena, a Estrada da Pedra e o Viaduto Doze de Outubro, em Santa Cruz; além da Estrada Benvindo de Novaes, no Recreio dos Bandeirantes. Na Linha Amarela, uma queda de motociclista ocupou uma faixa da via na altura da saída 5, em Del Castilho, causando retenções no sentido Barra da Tijuca.
A força do vento também chegou a São Januário, onde funcionários do Vasco iniciaram uma operação para retirar placas de publicidade, estruturas móveis e outros materiais que poderiam ser arremessados pelas rajadas. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram equipes correndo pelo gramado e pelas áreas próximas ao campo para reforçar a segurança antes da partida contra o Independiente Medellín, válida pelos playoffs da Copa Sul-Americana.
Até o momento, a Conmebol e o Vasco não anunciaram qualquer alteração na programação do confronto, marcado para as 19h. Entretanto, a continuidade da ventania pode interferir na realização da partida. Caso as condições climáticas representem risco para atletas, torcedores, arbitragem, profissionais envolvidos ou para a estrutura do estádio, a entidade sul-americana pode determinar, por meio do árbitro e do delegado da partida, o atraso do início do jogo ou, em uma situação extrema, o adiamento do confronto até que haja condições seguras.
Além da segurança dentro de São Januário, os transtornos registrados na cidade também podem dificultar a chegada de torcedores, delegações, equipes de transmissão e profissionais de imprensa ao estádio, especialmente em razão das interrupções no metrô, dos problemas no sistema ferroviário, dos congestionamentos provocados pelas quedas de árvores e dos ventos registrados no Aeroporto Internacional do Galeão.
Diante do cenário, o COR-Rio reforçou que o Estágio 2 significa que há possibilidade de ocorrências de alto impacto e de uma nova mudança de estágio caso as condições meteorológicas piorem. A Defesa Civil orienta que a população evite permanecer sob árvores, marquises, coberturas metálicas, outdoors, andaimes e cabos de energia, mantenha portas e janelas fechadas, prenda objetos que possam ser carregados pelo vento e não utilize velas durante eventuais quedas de energia, reduzindo o risco de incêndios. As autoridades recomendam que a população acompanhe apenas os canais oficiais do COR-Rio, da Defesa Civil e do Alerta Rio para novas atualizações sobre a evolução da ventania.
Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp



