O inverno começou oficialmente em 21 de junho, mas a expectativa para os próximos meses no Rio de Janeiro está longe da imagem clássica de uma estação marcada por frio constante. As projeções dos principais centros meteorológicos indicam um cenário de inverno no Rio com temperaturas acima da média e episódios de frio intercalados por períodos mais quentes, à medida que o El Niño volta a ganhar força no Oceano Pacífico.
As análises do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e da Organização Meteorológica Mundial apontam para o estabelecimento do fenômeno ao longo do segundo semestre. O aquecimento das águas do Pacífico Equatorial altera a circulação atmosférica e costuma influenciar diretamente o comportamento do inverno no Sudeste do Brasil.
Isso não significa que o frio deixará de aparecer no Rio de Janeiro. A diferença é que as incursões de ar polar tendem a ser menos frequentes e, principalmente, menos duradouras. Em vez de semanas consecutivas de temperaturas amenas, a tendência é de alternância entre passagens de frentes frias e períodos de aquecimento, um padrão bastante observado em anos sob influência do El Niño.
Julho ainda deve concentrar os episódios mais característicos do inverno no Rio de Janeiro.
As massas de ar frio continuarão avançando pelo Sudeste, trazendo madrugadas mais frias, aumento da nebulosidade e períodos de mar agitado no litoral. Em bairros da Zona Oeste e em cidades da Região Serrana, os termômetros poderão registrar temperaturas típicas do inverno, embora sem a persistência observada em anos mais favoráveis ao frio.
Ao longo de agosto, os meteorologistas esperam uma maior irregularidade. O mês tradicionalmente é conhecido por suas mudanças bruscas de temperatura, e em 2026 essa característica pode ser ainda mais evidente. Dias de clima mais ameno poderão ser sucedidos por tardes quentes para os padrões da estação, resultado da atuação de bloqueios atmosféricos que dificultam a chegada contínua de novas massas de ar polar.

A influência do El Niño tende a se tornar mais evidente na reta final do inverno. Setembro, que já marca uma transição natural para a primavera, pode apresentar temperaturas acima da média histórica e uma redução na frequência das frentes frias mais intensas. O cenário favorece dias mais secos e quentes, antecipando características típicas da estação seguinte.
Embora comentários nas redes sociais tenham levantado a ideia de que o inverno deste ano “durará apenas 15 dias”, especialistas destacam que não existe qualquer base científica para essa afirmação. O inverno continuará ocorrendo normalmente, mas deverá ser marcado por uma distribuição diferente dos períodos de frio.
Em vez de uma estação uniforme, os cariocas provavelmente sentirão uma sucessão de mudanças de temperatura, com momentos mais frios sendo interrompidos por fases mais quentes.
Situações semelhantes foram observadas em anos de forte influência do El Niño, como 1997 e 2015. Em ambos os casos, o Sudeste brasileiro registrou temperaturas acima da média e menor persistência das massas polares, embora episódios de frio expressivo tenham ocorrido em determinados momentos da estação.
Especialistas apontam que a influência do El Niño deve deixar marcas importantes no inverno de 2026. Em entrevista à CNN Brasil, o meteorologista Alexandre Nascimento, da Nottus, afirmou que o período mais frio da estação pode ficar concentrado entre o fim do outono e o início do inverno.
“É bem provável que esse finalzinho de outono e até o começo do inverno seja mais frio do que o alto inverno”, disse.
Segundo ele, a tendência é de que julho e agosto tenham temperaturas acima do normal, com episódios de frio intenso, mas de curta duração. A avaliação é semelhante à do pesquisador Gilvan Sampaio, especialista em El Niño do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Para ele, caso o fenômeno se consolide entre julho e agosto, o Sudeste deve registrar um inverno menos frio que o habitual e pode enfrentar períodos de calor fora do padrão. “A depender da intensidade, o principal impacto nos próximos meses serão temperaturas mais altas do que a média histórica”, afirmou.
Por isso, a principal marca do inverno de 2026 no Rio de Janeiro não deve ser a ausência do frio, mas sim sua irregularidade. A estação promete ser menos estável, com o calor aparecendo com mais frequência entre uma frente fria e outra. Para uma cidade acostumada a invernos relativamente suaves, a sensação poderá ser de uma estação mais curta, ainda que, do ponto de vista meteorológico, ela siga seu curso normal até setembro.
Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!



