Festival homenageou Vincent Carelli e premiou produções de Brasil, Paraguai, Peru e Colômbia após nove dias dedicados ao cinema sul-americano
O Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano encerrou sua quarta edição na noite deste sábado (1º), consagrando produções do Paraguai, Colômbia, Peru e Brasil entre os principais vencedores. Realizada no Auditório Kadiwéu, no Centro de Convenções de Bonito (MS), a cerimônia foi apresentada pelos atores Valentina Herszage e Paulo Betti e marcou o fim de nove dias dedicados ao audiovisual da América do Sul.
Desde sua abertura, em 24 de julho, o festival exibiu 46 filmes de dez países sul-americanos e reuniu cerca de 150 convidados entre cineastas, atores, produtores, roteiristas e profissionais do setor. Ao todo, foram distribuídos R$ 57,5 mil em prêmios nas mostras competitivas Sul-Americana, Ambiental e Sul-Mato-Grossense, além da escolha do público.
Durante a cerimônia, Valentina Herszage destacou o papel transformador da arte. “O cinema é a janela para o mundo. Nos dá asas para voarmos no horizonte e além”, afirmou. Paulo Betti complementou lembrando a importância do encontro promovido pelo festival.
“O cinema nos reuniu aqui, no coração do Pantanal, e nos presenteou com histórias que atravessaram fronteiras, línguas e culturas, trazendo à tona a potência e a diversidade da nossa América do Sul.”
O grande vencedor do Júri Oficial da Mostra Sul-Americana foi o longa paraguaio ¿Quién Mató a Narciso?, dirigido por Marcelo Martinessi. O prêmio foi recebido pelo ator Diro Romero, protagonista do filme, que celebrou a experiência vivida durante o festival e aproveitou o discurso para defender a democracia na América do Sul.
“O festival abriu espaço para todos os filmes apresentados. Cada obra possui uma potência muito forte”, afirmou. Encerrando sua fala, destacou: “Pela liberdade, pela democracia, ditadura nunca mais.”
Já entre os curtas sul-americanos, o vencedor foi Sukua, produção colombiana dirigida por Omar E. Ospina.
Colômbia domina a mostra ambiental
A Colômbia foi o país de maior destaque na Mostra Ambiental. Páramos II: El Origen, dirigido por Alejandro Calderón, conquistou o prêmio de Melhor Longa Ambiental tanto pelo Júri Oficial quanto pelo Júri Popular.
Calderón ainda voltou ao palco para receber outro troféu: o de Melhor Curta Ambiental pelo Júri Oficial com Hipopótamos, El Arca de Escobar.
Na votação popular, o curta vencedor foi Buen Vivir – Ñutse Canseye, da diretora equatoriana Zoé Nathalie Kugler.
Na mostra dedicada às produções do Mato Grosso do Sul, Natasha, dirigido por Ana Ostapenko, Willerson Amorim, Thiago Rotta e Rafael Rotta, conquistou o prêmio máximo concedido pelo Júri Oficial.
Já o público escolheu Higa Ke – Olho por Olho, de Conrado Roel e Débora Bah, como Melhor Filme Sul-Mato-Grossense.
Além dos vencedores, o júri concedeu Menção Honrosa ao longa sul-mato-grossense Quatro Luas Pantaneiras, de Ana Carla Loureiro.
Peru conquista o público do Bonito CineSur
Na votação popular da Mostra Sul-Americana, o grande vencedor foi o longa peruano Naira, dirigido por Gabriela Quiroz.
O filme também recebeu uma Menção Honrosa do Júri Oficial, destacando especialmente o trabalho da jovem protagonista e de seu parceiro de cena.
Entre os curtas, o público escolheu A Vida de Jerônimo Dentro e Fora da Casca, de Andrews Nascimento, representante brasileiro na competição.
Outro dos momentos mais marcantes da cerimônia foi a entrega do Troféu Pantanal ao cineasta e indigenista franco-brasileiro Vincent Carelli, homenageado pelo conjunto de sua obra.
Criador do projeto Vídeo nas Aldeias, Carelli revolucionou o audiovisual indígena ao colocar câmeras nas mãos de povos originários ainda na década de 1980, permitindo que produzissem suas próprias narrativas e imagens.
Durante seu discurso, o cineasta agradeceu a homenagem e destacou o compromisso político de sua filmografia.
“Esse festival é feito com muito amor e tem uma missão rara: aproximar o cinema sul-americano”, afirmou. Carelli também lembrou a exibição do documentário Martírio, sobre o povo Guarani-Kaiowá, e fez um paralelo entre a situação vivida pelos indígenas brasileiros e o conflito na Palestina.
A homenagem soma-se ao Troféu Pantanal entregue na abertura do festival à atriz chilena Paulina García.
Bonito CineSur reforça integração do cinema sul-americano
Ao encerrar a quarta edição do Bonito CineSur, o diretor-geral Nilson Rodrigues reforçou que o objetivo do evento vai além da exibição de filmes.
Segundo ele, o festival pretende estimular coproduções internacionais e fortalecer a integração entre os países do continente.
“Nós queremos mais coproduções, mais codireções. No ano que vem queremos trazer representantes dos ministérios da Cultura dos países sul-americanos para criar programas bilaterais e multilaterais que nos permitam nos conhecer melhor e garantir que possamos ver nossos filmes nas telas de cinema”, afirmou.
Confira todos os vencedores do Bonito CineSur
Júri Oficial
Melhor Longa-Metragem Sul-Americano
- ¿Quién Mató a Narciso? (Paraguai) – Marcelo Martinessi
Melhor Curta-Metragem Sul-Americano
- Sukua (Colômbia) – Omar E. Ospina
Melhor Longa-Metragem Ambiental
- Páramos II: El Origen (Colômbia) – Alejandro Calderón
Melhor Curta-Metragem Ambiental
- Hipopótamos, El Arca de Escobar (Colômbia) – Alejandro Calderón
Melhor Filme Sul-Mato-Grossense
- Natasha – Ana Ostapenko, Willerson Amorim, Thiago Rotta e Rafael Rotta
Menções Honrosas
- Quatro Luas Pantaneiras – Ana Carla Loureiro
- Naira (Peru) – pela atuação da jovem protagonista e de seu parceiro
Júri Popular
Melhor Longa Sul-Americano
- Naira (Peru) – Gabriela Quiroz
Melhor Curta Sul-Americano
- A Vida de Jerônimo Dentro e Fora da Casca (Brasil) – Andrews Nascimento
Melhor Longa Ambiental
- Páramos II: El Origen (Colômbia) – Alejandro Calderón
Melhor Curta Ambiental
- Buen Vivir – Ñutse Canseye (Equador) – Zoé Nathalie Kugler
Melhor Filme Sul-Mato-Grossense
- Higa Ke – Olho por Olho – Conrado Roel e Débora Bah
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