Wednesday, November 25, 2020

Crítica | ‘Voices of Fire: Novas Vozes do Gospel’ apresenta coral de luz e talento

Voices of Fire: Novas Vozes do Gospel tem o famoso Pharrell Williams, vencedor de onze grammys junto com seu tio, o bispo Ezekiel Williams. Eles têm um foco: montar o melhor coral gospel do mundo. E a série já começa animadora com uma versão emocionante de uma participante cantando “At Last”, famosa na voz da maravilhosa Etta James. Emociona, planta a curiosidade e aquele pensamento de “vem maratona por aí”.

São vozes de fogo. Um fogo que seria de algo acima, espiritual. Seria o tal Espírito Santo? Que desce como fogo em Pentecostes? Tipo aquele que a Gabriela Rocha canta?

Do céu para a terra. A saber, no Brasil, Pharrell Willians ficou mais famoso após o clipe que fez com Snoop Dogg. As filmagens foram na Cidade Maravilhosa:

Outra canção com a mão do produtor que fez muito sucesso nos anos 2000: “Drop it Like it’s hot” e a chiclete, trilha sonora de Meu Malvado Favorito 2,  “Happy”. Em suma, há uma mescla entre produtor experiente, em especial no Hip Hop, com o reality show “Ídolos”, mas gospel.

Coral multicultural

O ambicioso pastor Ezekiel Williams tenta, ao longos dos seis episódios da série documental, montar um coral gospel plural, com 75 integrantes. Sua ideia pulverizou e mais de três mil pessoas se inscreveram para as audições. Um sucesso por lá. Desse modo, conforme as audiências vão acontecendo, o espectador conhece um pouco mais sobre as características técnicas de um coral como as vozes principais, os tons vocais mais e menos importantes, dentre outros.

O corpo de jurados é composto por membros da igreja especialistas no assunto. Ademais tem aquela fórmula manjada de história dramática mais vozeirões embasbacando os jurados – e a audiência. Há também um pouco da vivência de cada integrante da bancada julgadora.  Enquanto rola a audiência, os candidatos, na sala de espera, assistem a apresentação de quem está sendo avaliado.

Há uma cena bem bonita na qual mostra os inscritos num corredor, aguardando serem chamados, cantando juntos animadamente e com muito entrosamento, chamando a atenção dos jurados. A música tem esse poder universalista mesmo.

A série documental finaliza com a cereja do bolo, que é a estreia do Voices of Fire. Com isso, percorre os bastidores, os cantores ansiosos, os produtores preocupados… Tudo dentro de um script normal de uma apresentação. A saber, Pharrell, em meio a tietagens, é aquele que dará um aval técnico sobre o coral. Diante de uma plateia imensa, o final é previsível.

Origens do coral gospel norte-americano

A música gospel americana tem sua origem no triste período escravagista americano. Os negros escravizados, no século XVIII, cantavam entre si à noite como uma maneira de aliviar o sofrimento a que eram submetidos. Como cantar tornava-os “mais produtivos”, os senhores permitiam que eles cantassem durante o dia também, enquanto eram desumanamente explorados.

Para além de louvores bíblicos, eram entoadas mensagens para comunicarem-se entre si, indicando possibilidades de fuga, caminhos perigosos etc. Com a abolição da escravidão, a tradição de se cantar essas músicas permaneceu e ocupou igrejas pelos territórios do tio Sam, nascendo, assim, o gospel. Aliás, o gênero acabou derivando outros, como o blues e o jazz.

Majoritariamente composto pela negritude por conta de sua gênese, o coral gospel ganha outro enfoque na série. Assim, o diferencial que o pastor Ezekiel procura é ampliar a diversidade cultural dentro da igreja, através dos corais. Com a premissa de levar a palavra de Deus pelo mundo através da música, ter um coral plural traz maior identificação de diferentes comunidades. Visionário? Empreendedor?

Por fim, fato é que cada vez mais o mundo está mudando e abraçar a pluralidade é muito mais agregador e respeitoso com todos. Amém.

Afinal, veja o trailer:

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