Antes de vestir amarelo e liderar uma tropa capaz de enfrentar os Lanternas Verdes, Sinestro era um dos heróis mais respeitados do universo. A trajetória do personagem ajuda a entender por que ele é tão importante para a DC — e para a série Lanternas, da HBO.
Quando se fala nos maiores vilões da DC, nomes como Coringa, Lex Luthor e Darkseid costumam surgir primeiro. Mas, no universo dos Lanternas Verdes, existe um personagem que talvez seja ainda mais perigoso justamente porque conhece os heróis por dentro.
Sinestro já foi um deles.
Antes de se tornar o líder da Tropa Sinestro e vestir o uniforme amarelo associado ao medo, Thaal Sinestro era um Lanterna Verde respeitado. Ele tinha um dos anéis mais poderosos do universo, uma força de vontade extraordinária e a confiança dos Guardiões do Universo.
Em algum momento, porém, a missão de proteger seu planeta deixou de ser suficiente.
Sinestro passou a acreditar que proteger significava controlar.
E essa diferença mudou tudo.
Sinestro era um herói antes de se tornar vilão
Criado por John Broome e Gil Kane, Sinestro apareceu nos quadrinhos em Green Lantern #7, em 1961. Sua história ganhou importância justamente por não seguir a trajetória tradicional de um vilão.
Ele não surgiu como uma ameaça externa aos Lanternas Verdes.
Sinestro fazia parte da Tropa.
Natural do planeta Korugar, ele foi escolhido para usar o anel verde por possuir uma força de vontade excepcional. Durante muito tempo, foi considerado um dos melhores Lanternas de sua geração. Inteligente, experiente e poderoso, parecia ser o exemplo perfeito do que a organização procurava em seus membros.
Mas havia um problema em sua forma de enxergar a justiça.
Sinestro não acreditava que as pessoas deveriam escolher livremente o próprio caminho. Para ele, a paz precisava de ordem. E a ordem, em sua visão, precisava de alguém forte o suficiente para impô-la.
Pouco a pouco, Korugar deixou de ser um planeta protegido por Sinestro e passou a viver sob seu domínio.

O herói se transformou em ditador.
O encontro com Hal Jordan mudou sua história
É impossível falar de Sinestro sem falar de Hal Jordan.
A rivalidade entre os dois é uma das mais importantes da história da DC porque existe uma ligação profunda entre eles. Sinestro não é apenas mais um inimigo que aparece para desafiar Hal. Ele representa aquilo que um Lanterna Verde pode se tornar quando passa a acreditar que seu próprio julgamento está acima de tudo.
Sinestro conhece a Tropa.
Conhece os anéis.
Conhece os Guardiões.
E conhece o peso de carregar um poder capaz de mudar o destino de planetas inteiros.
Hal Jordan, por sua vez, representa outra forma de utilizar esse poder. Mesmo impulsivo e imperfeito, ele acredita que a força de vontade serve para enfrentar o medo, e não para espalhá-lo.
Sinestro escolheu o caminho contrário.
Quando seus métodos autoritários vieram à tona, ele acabou afastado da Tropa dos Lanternas Verdes. Mas perder o anel verde não significou perder o poder.
Significou encontrar uma nova fonte para ele.
No universo da DC, os poderes dos Lanternas estão ligados ao chamado Espectro Emocional.
Os Lanternas Verdes representam a força de vontade.
Sinestro descobriu outra possibilidade.
O amarelo representa o medo.
E ele percebeu que poderia usar esse sentimento como uma arma.
A lógica de Sinestro é quase o oposto daquela que guia os Lanternas Verdes. Enquanto os membros da Tropa Verde precisam ser capazes de superar grandes medos, os integrantes da Tropa Sinestro são escolhidos pela capacidade de provocar medo nos outros.

Essa mudança transformou o personagem.
Sinestro deixou de ser apenas um ex-Lanterna ressentido e passou a comandar um exército inteiro. A Tropa Sinestro surgiu como uma ameaça direta aos Guardiões do Universo e aos próprios Lanternas Verdes.
E não demorou para que o conflito crescesse.
Durante boa parte de sua história, Sinestro era visto principalmente como o grande inimigo de Hal Jordan. Essa posição mudou quando os quadrinhos ampliaram a mitologia dos Lanternas.
A criação da Tropa Sinestro elevou o personagem a outro patamar.
Não era mais uma disputa entre dois homens.
Era uma guerra entre duas visões de universo.
De um lado, os Lanternas Verdes e a ideia de que a força de vontade poderia vencer o medo.
Do outro, Sinestro e a crença de que o medo era mais eficiente para controlar sociedades.
A saga Green Lantern: Sinestro Corps War consolidou essa transformação. Sinestro reuniu personagens perigosos de diferentes partes do universo e construiu uma força capaz de enfrentar diretamente os Lanternas Verdes.
A partir dali, sua importância deixou de estar restrita a Hal Jordan.
Sinestro se tornou uma ameaça cósmica.
Esse talvez seja o aspecto que faz do personagem um dos mais interessantes da DC.
Sinestro não se enxerga necessariamente como um vilão.
Ele acredita que os Guardiões falharam.
Acredita que os Lanternas Verdes são limitados.
E acredita que o universo seria melhor se estivesse sob uma ordem mais rígida.
O problema é o método.

Para Sinestro, o medo pode trazer estabilidade. A liberdade pode gerar caos. E, se algumas pessoas precisam sofrer para que milhões vivam em segurança, ele considera esse preço aceitável.
É uma lógica perigosa, mas coerente com o personagem.
Por isso Sinestro funciona tão bem como antagonista. Ele não quer simplesmente destruir tudo. Em muitas histórias, ele quer reconstruir o universo segundo suas próprias regras.
A grande pergunta é: quem deu a ele o direito de decidir quais regras todos devem seguir?
Sinestro é mais do que o inimigo dos Lanternas Verdes
A comparação com Magneto, dos X-Men, faz sentido em alguns aspectos.
Os dois personagens são antagonistas que possuem uma visão ideológica clara. Não lutam apenas porque são maus. Eles acreditam que entenderam um problema que os heróis ainda não conseguem resolver.
Mas Sinestro tem uma particularidade ainda mais forte.
Ele já esteve do outro lado.
Já usou o uniforme verde.
Já recebeu a confiança da organização que passou a combater.
Já foi considerado um dos grandes heróis do universo.
Isso faz dele uma espécie de advertência para os próprios Lanternas.
O poder, sozinho, não transforma ninguém em herói.
Tudo depende do que a pessoa decide fazer com ele.
Por que Sinestro é importante em Lanternas?
A chegada de Sinestro à série Lanternas desperta curiosidade justamente pelo peso que o personagem carrega nos quadrinhos.
A produção coloca Hal Jordan e John Stewart no centro da história dos Lanternas, mas Sinestro representa uma ligação direta com o passado e com o lado mais complexo dessa mitologia.
Interpretado por Ulrich Thomsen, o personagem tem potencial para mostrar que o universo dos Lanternas não se resume a super-heróis voando pelo espaço e disparando energia colorida.
Por trás dos anéis, existe uma discussão sobre poder.
Quem deve usá-lo?
Até onde alguém pode ir para garantir segurança?
É possível construir paz através do medo?
E quando um herói passa do limite, quem tem força para detê-lo?
Essas questões sempre estiveram no centro da trajetória de Sinestro.
No fim das contas, Sinestro é perigoso porque entende perfeitamente o que significa ser um Lanterna Verde.
Ele sabe o que os anéis podem fazer.
Conhece os pontos fracos da Tropa.
E já acreditou nos mesmos ideais que seus antigos companheiros defendem.
A diferença é que Sinestro desistiu de acreditar na liberdade.
Ele escolheu o controle.
Abandonou a vontade e abraçou o medo.
Por isso sua história é muito maior do que a de um vilão de uniforme amarelo enfrentando Hal Jordan. Sinestro representa a possibilidade de que até os maiores heróis possam se perder quando passam a acreditar que o poder lhes dá o direito de decidir o destino dos outros.
Antes de ser o maior inimigo dos Lanternas Verdes, Sinestro foi um deles.
E talvez seja exatamente por isso que ele continua sendo tão difícil de derrotar.
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