Saturday, October 23, 2021

Tatuagem Zen | Fernanda Cabral apresenta álbum com participação de Ney Matogrosso e Chico César

A beleza artística e natural dessa cantora que traz muito de si e sobre o que pensa em sua obra concentra-se em muitos lugares. Ela já passou por diferentes regiões do Brasil, consolidou a carreira na Espanha e chegou à Ásia Ocidental. Isso mesmo, Fernanda Cabral já levou as suas composições até ao Japão. Toda essa beleza poética e musical que traz um talento nato e reconhecido por grandes nomes da música brasileira entre eles: Ney Matogrosso, Chico César e Fernando Brant, chegará na próxima sexta-feira, 4 de setembro, com um novo disco para ficar marcado na memória, não à toa ele se chama “Tatuagem Zen”. 

“Tatuagem Zen” é segundo disco da cantora que faz parte do selo Matogrosso Produções. Acumulando quase 20 anos de carreira, ela já havia lançado o álbum “Praianos” que traz muito balanço e suavidade. Pode ser que você até sinta as ondas dos mares afora ao escutá-lo. “Praianos” também é o nome da música em que compôs junto com Chico César que, inclusive, continua sendo seu parceiro musical neste novo trabalho. 

Encontro com Chico César

Fernanda já conhecia Chico há alguns anos, pois ele foi aluno de sua mãe, a documentarista Elisa Cabral, na Universidade Federal da Paraíba, e ela ouvia muito os dois cantarem juntos ao lado de outros artistas. No entanto, ficaram mais de uma década sem se ver e o reencontro aconteceu em um projeto do cantor Pedro Guerra na Espanha, país em que a intérprete viveu por 15 anos. Ela diz que o músico não a reconheceu de imediato, mas logo após o episódio ambos começaram a compor a canção “Hora h dia d”, fizeram um show juntos em Lisboa e a parceria prosseguiu. 

“A gente começou a compôr porque eu compunha desde a adolescência e admiro muito o Chico como cantor, poeta, músico e outros aspectos há muitos anos. A partir daí me aproximei cada vez mais através das canções. A gente decidiu juntos na casa dele qual seria o nome do disco. Foi muito legal!”

No dia 14 de de agosto, foi lançada a música “Até Você Voltar”, uma parceria com o músico mineiro Leo Minax. “Eu acho que ela fala de esperança, de lugar de fé e a gente está precisando. Deu essa casualidade com o momento”. A gravação foi feita em Brasília, ao vivo, produzida por Sacha Amback, e foi uma novidade para Fernanda. “Eu sempre gravo por camadas, como a gente vai fazendo nesse laboratório. Essa canção não, a gente gravou como se gravava antigamente, como Elis gravava e todas as cantoras importantes da nossa história da MPB e do mundo gravavam que era todo mundo tocando ao vivo”, conta. 

Tatuagem Zen

Tudo percorre pela força do pensamento e a importância da natureza na vida de todos. Muito além da poesia, a natureza se faz presente do início ao fim. Essa é uma forte característica dessa cantautora que consegue falar dos ventos que sopram de forma poética. “Falo da importância que acredito que a gente deve dar para a natureza nas nossas próprias vidas, a gente tem que voltar para esse lugar cada vez mais porque na verdade fazemos parte dele. Estamos todos juntos no mesmo barco”, diz. 

Suas músicas falam de amor, mas também trazem reflexão e conexão. “Eu acho que essa é uma característica minha, envolve espiritualidade. Acho que a natureza é uma grande espiritualidade e eu me sinto realmente um canal. A minha música passa por esse contato profundo que tenho com a natureza, comigo mesma e com a minha existência”, afirma Fernanda Cabral.   

Parceria com Ney Matogrosso e Fernando Brant

Quem também dá voz e assina ao lado da cantora outras faixas é Ney Matogrosso e Fernando Brant. O ex-integrante do Secos e Molhados traz a sua luminosidade musical singular, com autenticidade e potência na canção “Pássaro” que ganhou um clipe intimista filmado em estúdio e está disponível no Youtube. 

“O encontro com o Ney foi um dos maiores presentes para mim porque ele é um dos artistas em que eu mais admiro no Brasil justamente por ter tudo isso que eu busco. Ele é um ser absolutamente autêntico e livre. Ele é do palco, um ser do palco, ele é um grande intérprete. Uma pessoa maravilhosa incrível e íntegra. Essa integridade do Ney tem a ver com a autenticidade que eu tanto admiro e busco”, declara acrescentando que foi a composição que os uniu. 

Já com Fernando Brant, um dos fundadores do Clube da Esquina, Fernanda Cabral já havia feito uma música e apresentado a ele com o intuito de criarem juntos a letra. E assim aconteceu. “Ele escutou a música, adorou e mandou em seguida a letra que chama Minha Estrela. Foi um grande presente porque ele é uma pessoa que eu admiro muito e fez parte da minha vida, da minha trajetória, da minha formação musical. O Clube da Esquina foi super importante”, termina explicando sobre o processo de construção da canção.

Fernanda Cabral e o palco

Sua relação com o palco vai muito além da música, desde criança a arte foi muito presente em sua vida com estudos de piano, dança e teatro. Foi no período do vestibular que tomou a decisão de seguir com o teatro e cursar Artes Cênicas, pois assim poderia ter a possibilidade de unir todas as outras artes que admirava e queria estar inserida. “O palco é o lugar em que eu mais me reconheço no sentido do que eu quero para mim que é a busca de uma autenticidade. Se eu vim para essa existência, eu vim para revelar algo que talvez ainda não tenha sido descoberto por mim mesma”, declara. 

A cantora fala sobre a importância do teatro para o autoconhecimento e destaca as surpresas que acontecem durante as suas apresentações seja cantando, interpretando uma canção ou dando vida às personagens. Ela menciona ainda que o artista ocupa um lugar de reflexão e a sua obra deve refletir o que vive, sente e a sua própria forma de ver o mundo. 

“A arte nos ajudar a crescer, o palco para mim é isso. O teatro é o lugar onde tudo acontece ao mesmo tempo. Eu vou sentir que é diferente, eu vou ser transformada pelo olhar do espectador. Acho que todo ator é um eterno aprendiz porque a gente só existe a partir do olhar do espectador. Essa é a função da arte, a gente aprende a partir do olhar do outro e se transforma. É um movimento dialógico maravilhoso”, conclui. 

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