Ubook homenageia Sirkis e lança nova edição do noir futurista Silicone XXI

No dia 10 de julho faz um ano que Alfredo Sirkis, jornalista, escritor, ex-parlamentar, ambientalista e roteirista de cinema brasileiro, faleceu. Para homenagear o autor de nove livros e manter vivo seu legado, a Ubook, maior aplicativo de audiotainment da América Latina, lança uma nova edição do livro Silicone XXI, romain noir futurista.

A única história de ficção escrita por Sirkis traz, de forma divertida, reflexões e questionamentos sobre assuntos importantes e atuais na sociedade. A obra estará disponível nas versões audiobook e e-book, pelo site ou aplicativo e na versão impressa, disponível na Ubook Store.

A obra, futurista à época, se passa no ano de 2019. A princípio, foi bastante criticada nos anos 80 por conta dos clichês usados por Sirkis propositalmente. Definida como “pornofuturista” ou mesmo “precursora do cyberpunk”, a história passa a se desenrolar com o assassinato de um robô. O crime acontece em um quarto de hotel, localizado no Morro Dois Irmãos, no bairro do Vidigal, no Rio de Janeiro. Mesma cidade onde, anos após publicar o livro, Sirkis protagonizou uma história importante na vida real.

Meio Ambiente

O escritor foi o primeiro Secretário do Meio Ambiente do Rio e, na época, atuou ativamente nas negociações que evitaram a construção de um grande hotel no mesmo local. Ele reflorestou toda a área e idealizou e inaugurou o Parque Municipal Penhasco Dois Irmãos. “Alfredo tinha uma ligação muito forte com o Parque Dois Irmãos. Quando ele escreveu o Silicone XXI não podia imaginar que, no futuro, ele viveria algo tão marcante em sua vida no mesmo lugar”, conta Ana Borelli, viúva de Sirkis.

Este acontecimento não foi a única coincidência que o autor traz em sua ficção. Escrito em 1985, o ano final da ditadura, das Diretas Já, o romance policial conta com um quê de profecia. Para o então longínquo ano de 2019, ele vislumbrou uma avassaladora progressão de ideias de uma ultradireita delirante. Além disso, a consagração de um personagem bizarro de discurso totalmente extremado. No livro, Estrôncio Luz, sempre atacando as minorias que odeia, é projetado para a glória, se tornando instantaneamente popular com seu discurso, a partir de uma entrevista sua com a repórter Lili Braga.

Trágico

Por fim, em sua última obra, Descarbonário (2020), lançada pela Ubook antes de seu falecimento, Sirkis dedicou um capítulo inteiro ao Silicone XXI, fazendo uma análise política das eleições presidenciais de 2018. “A lembrança dos personagens caricaturais com os quais trabalhava naquela obra de ficção policial futurista dos anos oitenta do século passado passou a me assaltar durante a campanha de Donald Trump. Volto-me à memória perdida do meu romance futurista, quando Estrôncio Luz, o assassino da pistola L, sapecou seu discurso delirante de ódio na entrevista com Lili Braga e disparou no Ibope. Silicone XXI não passava de uma ficção delirante, uma inflexão na minha até então ascendente carreira de escritor “realista”. Mas, inesperadamente, encontraria campo fértil no bravo mundo futuro, real. O mundo atual. Seria altamente cômico – como diversas partes do livro –, não fosse tão potencialmente trágico”, escreveu o autor.

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