Novo boletim lançado no Salão do Turismo revela crescimento do afroturismo, impacto econômico do segmento e protagonismo de mulheres negras no setor
O Ministério do Turismo lançou nesta sexta-feira (8), durante o Salão do Turismo, a 13ª edição do Boletim de Inteligência de Mercado no Turismo (BIMT), dedicada ao crescimento do afroturismo no Brasil. O material apresenta um amplo panorama do segmento e mostra como experiências ligadas à ancestralidade africana vêm se consolidando como força cultural, social e econômica no país.
O lançamento ocorreu no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, durante o maior evento do setor turístico brasileiro, realizado pela primeira vez no Nordeste.
A nova edição do boletim foi construída em parceria com o Ministério da Igualdade Racial, a Embratur e representantes do setor, reunindo dados inéditos sobre experiências afrocentradas em diferentes regiões brasileiras.
O levantamento mapeou:
- 101 experiências de afroturismo;
- 32 eventos ligados à cultura afro-brasileira;
- roteiros urbanos;
- caminhadas históricas;
- vivências em quilombos;
- experiências gastronômicas;
- manifestações religiosas e culturais.
O documento aponta que as regiões Sudeste e Nordeste concentram atualmente os principais polos do afroturismo brasileiro.
Segundo o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o segmento representa uma estratégia importante para inclusão social e fortalecimento cultural.
“Este lançamento reforça o compromisso do governo do presidente Lula com um setor de gigantesca importância cultural e potencial estratégico para o país. Apoiar o afroturismo é fazer justiça social, dando voz a comunidades historicamente invisibilizadas”, afirmou.
Mulheres negras lideram a maioria dos empreendimentos
Entre os principais dados apresentados pelo boletim, o destaque está no protagonismo feminino dentro do setor:
- 66,4% dos empreendimentos são liderados por mulheres negras.
O levantamento também aponta:
- 41% dos negócios foram criados nos últimos três anos;
- mais de 40% dos empreendedores possuem ensino superior;
- 36% têm pós-graduação.
Os números indicam um segmento em expansão, impulsionado pela valorização da ancestralidade, da cultura afro-brasileira e do turismo de experiência.

O boletim mostra que a demanda por experiências ligadas à cultura afro-brasileira também vem crescendo entre turistas brasileiros e internacionais.
Entre os dados apresentados:
- 82% das pessoas negras preferem consumir serviços turísticos geridos por empreendedores negros;
- 91% afirmam interesse em experiências ligadas à cultura afro-brasileira;
- buscas globais por experiências afrocentradas cresceram 30% entre 2024 e 2025.
Segundo Fabiana Oliveira, coordenadora-geral de Produtos e Experiências Turísticas do ministério, o material ajuda a orientar políticas públicas e o próprio mercado turístico.
“O boletim retrata diferentes formas de afroturismo, desde o turismo de base comunitária até experiências em centros urbanos, mostrando perspectivas muitas vezes invisibilizadas no turismo tradicional”, explicou.
Afroturismo é visto como ferramenta de inclusão e geração de renda
O documento destaca que o afroturismo vai além da experiência cultural e se consolida também como instrumento de:
- inclusão produtiva;
- geração de renda;
- fortalecimento de comunidades tradicionais;
- valorização patrimonial;
- educação antirracista.
A iniciativa integra o programa Rotas Negras, criado para incentivar roteiros turísticos ligados à ancestralidade africana no Brasil.
Em 2025, o governo federal também lançou o Guia do Afroturismo no Brasil, desenvolvido em parceria com a UNESCO.
Outro debate realizado no Salão do Turismo abordou as transformações no comportamento do turista contemporâneo.
Na palestra “Da experiência à conversão: estratégias de comercialização para o turista hiperconectado orientado por valor”, especialistas discutiram a importância de unir autenticidade, comunidade e presença digital na construção de produtos turísticos.

A presidente do Instituto Brasileiro de Estratégias e Inovação em Turismo, Adriana Girão, defendeu que as comunidades locais precisam assumir protagonismo no desenvolvimento das experiências turísticas.
“Produtos turísticos precisam ser criados pela comunidade. Não adianta algo ser considerado bonito se o mercado não aderiu”, afirmou.
Segundo os especialistas, fatores como:
- redes sociais;
- comunicação digital;
- logística;
- posicionamento online;
- personalização de experiências
deixaram de ser diferenciais e passaram a ser essenciais para destinos turísticos competitivos.
Salão do Turismo segue até sábado em Fortaleza
A 10ª edição do Salão do Turismo segue até sábado (9) em Fortaleza, reunindo representantes do setor, gestores públicos, empreendedores e especialistas em turismo.
O evento discute temas como:
- inovação;
- sustentabilidade;
- turismo cultural;
- inclusão;
- acessibilidade;
- transformação digital;
- desenvolvimento regional.
Serviço – Salão do Turismo 2026
- Data: até 9 de maio
- Local: Centro de Eventos do Ceará
- Cidade: Fortaleza
- Entrada gratuita
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