Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Cena de "Era Uma Vez Minha 1ª Vez"- Distribuição Na Paralela Filmes
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Era Uma Vez Minha 1ª Vez’ transforma a adolescência em uma pequena bolha

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 14 de setembro de 2026
10 Min Leitura
Share
Cena de "Era Uma Vez Minha 1ª Vez"- Distribuição Na Paralela Filmes
SHARE

Dirigido por Claudia Castro, Era Uma Vez Minha 1ª Vez abraça o universo adolescente, mas não consegue estruturar uma narrativa cativante ou ágil o suficiente para prender o público

Dentro do audiovisual, existem adolescentes que são retratados como adolescentes de fato: contraditórios, inseguros, impulsivos, confusos e, muitas vezes, incapazes de compreender plenamente aquilo que estão vivendo. E existem aqueles que parecem existir dentro de uma bolha muito específica, quase utópica, na qual os conflitos obedecem a regras próprias e tudo é excessivamente organizado para que a experiência seja palatável. Era Uma Vez Minha 1ª Vez pertence ao segundo grupo.

Nesta espécie de American Pie: A Primeira Vez é Inesquecível (1999, Paul Weitz), versão brasileira sem a nudez ou a inteligência transgressora, quatro amigas fazem um pacto para perder a virgindade até o fim do ano letivo. Bom, na verdade, três delas fazem o pacto, mas chegaremos a isso.

Unidas pelo desafio, mas separadas por objetivos bastante diferentes, cada uma parte para a própria jornada de autodescoberta. Teresa pretende perder a virgindade com um amigo da escola; Clara, com o garoto com quem já se relaciona há algum tempo; Mirela, com o namorado; e Patty, por já não ser virgem, assume o papel de guia e da integrante mais experiente do grupo.

A partir desse ponto, as quatro amigas se aproximam e se afastam conforme suas experiências individuais avançam. Clara fica cada vez mais obcecada pelo desafio; Mirela guarda um segredo importante de Teresa; e Teresa entra em crise ao perceber que aquilo que imaginava como um grande momento de transformação, na realidade, não é nada demais. Patty, por outro lado, recebe muito menos atenção e acaba funcionando quase exclusivamente como a cola responsável por tentar manter o grupo unido, tornando a personagem bem mais fraca do que o resto.

Cena de "Era Uma Vez Minha 1ª Vez"- Distribuição Na Paralela Filmes

Cena de “Era Uma Vez Minha 1ª Vez”- Distribuição Na Paralela Filmes

É justamente aí que Era Uma Vez Minha 1ª Vez começa a revelar uma de suas principais fragilidades: seus personagens parecem menos adolescentes reais e mais versões idealizadas daquilo que adultos imaginam que adolescentes sejam. A estética acompanha essa escolha. Tudo é plástico em um nível quase surreal. Não há contraste suficiente, sujeira, estranhamento ou qualquer elemento capaz de romper a superfície cuidadosamente construída. O resultado é uma obra visualmente limpa demais, bonita demais e, consequentemente, pouco interessante.

Quando Claudia Castro ousa um pouco mais, entretanto, Era Uma Vez Minha 1ª Vez ganha algum charme. As linhas coloridas que representam a relação entre as amigas e determinados cortes súbitos, auxiliados pela trilha sonora, criam pequenas rupturas de expectativa e humor. São momentos nos quais o filme parece encontrar uma identidade própria. O problema é que essas escolhas aparecem de maneira pontual, sem contaminar verdadeiramente o restante da obra.

Nesse sentido, a comparação com Traição Entre Amigas (2025, Bruno Barreto), outra adaptação de Rebouças, é inevitável. Enquanto aquele filme compreende melhor as contradições e as zonas desconfortáveis da adolescência, Era Uma Vez Minha 1ª Vez parece subestimar sua própria audiência e pede ao espectador que aceite absurdos cada vez maiores em nome da conveniência narrativa.

Muitos dos conflitos apresentados poderiam ser resolvidos com uma conversa relativamente simples. Em vez disso, o roteiro prolonga as birras, os mal-entendidos e os dramas até um ponto em que o desconforto deixa de ser proposital e passa a ser consequência da própria construção narrativa. As meninas não falam exatamente como adolescentes; falam como adolescentes de um universo muito particular, quase como personagens de um livro de Thalita Rebouças transportadas para uma realidade audiovisual excessivamente higienizada. Elas desejam transar, mas sequer parecem confortáveis em pronunciar a palavra “pênis”.

Cena de "Era Uma Vez Minha 1ª Vez"- Distribuição Na Paralela Filmes

Cena de “Era Uma Vez Minha 1ª Vez”- Distribuição Na Paralela Filmes

E existe uma ironia nisso. Thalita Rebouças costuma compreender justamente as inseguranças, contradições e pequenas tragédias que tornam esse período tão confuso. Aqui, porém, a adaptação de Era Uma Vez Minha 1ª Vez parece reduzida à superfície: adolescentes querem viver experiências adultas, mas o filme mantém tudo protegido por uma camada de fofura que impede que essas experiências tenham consequências realmente incômodas.

Conforme cada uma segue sua jornada individual, as protagonistas se tornam cada vez mais difíceis de acompanhar. Suas atitudes e conflitos parecem desproporcionais às situações que os originaram, e o fato de as intérpretes já terem deixado a adolescência para trás há algum tempo torna essa artificialidade ainda mais perceptível. Em vez de desaparecerem dentro das personagens, algumas performances carregam consigo uma distância que o filme não consegue disfarçar.

A estrutura, por sua vez, segue um caminho bastante clássico: todas começam amigas, partem para jornadas individuais, brigam, se separam e, finalmente, se reconectam transformadas. É uma fórmula que pode funcionar quando existe uma evolução emocional convincente. Aqui, porém, ela parece mais um roteiro cumprindo etapas do que personagens realmente atravessando mudanças.

Patty é a que mais sofre com isso. Em determinado momento, cheguei a torcer por um último clichê: a clássica mentira sobre uma falsa perda de virgindade. Seria uma oportunidade de colocá-la no centro da narrativa e transformar a personagem em algo mais do que a mediadora das amigas. Mas Era Uma Vez Minha 1ª Vez prefere permanecer seguro até o fim, e esse conforto é justamente um de seus maiores problemas.

O potencial estava presente. O período entre os últimos anos da adolescência e o início da vida adulta é naturalmente fértil para histórias sobre identidade, amizade, sexo, insegurança e expectativas. O filme poderia explorar as diferenças entre aquilo que essas meninas imaginam que a primeira vez será e aquilo que ela realmente significa. Poderia questionar a própria ideia de virgindade como rito de passagem. Poderia, sobretudo, abraçar as contradições de personagens que ainda não sabem exatamente quem são.

Cena de "Era Uma Vez Minha 1ª Vez"- Distribuição Na Paralela Filmes

Cena de “Era Uma Vez Minha 1ª Vez”- Distribuição Na Paralela Filmes

Em vez disso, opta pela “higiene audiovisual”: tudo é limpo demais, bonito demais, fofo demais. A amizade vence tudo porque o filme precisa que ela vença tudo, e não porque a narrativa construiu emocionalmente essa vitória. A conveniência da história transmite a sensação de que tudo ficará bem, mas o sentimento é de que Era Uma Vez Minha 1ª Vez não construiu essa emoção, apenas espera que o espectador a sinta porque o filme pede para senti-la.

E, afinal, para quem é Era Uma Vez Minha 1ª Vez? Os adultos dificilmente encontrarão algo novo nessas jornadas; os adolescentes podem não se reconhecer em uma representação tão artificial de suas próprias experiências. Resta, então, um público mais jovem que talvez ainda enxergue tudo isso como uma promessa do futuro, e justamente aí mora um problema. A primeira vez, a amizade e o amadurecimento dificilmente são tão simples, organizados e bonitos quanto o filme sugere.

Apesar das boas intenções, a narrativa excessivamente controlada de Claudia Castro não favorece suas jovens protagonistas. Longe da inventividade e da coragem demonstradas por ela em Trago Seu Amor (2025), Era Uma Vez Minha 1ª Vez constrói um universo confortável demais para provocar qualquer impacto real.

No fim, sobra um filme que se apoia em clichês conhecidos, conflitos artificialmente prolongados e uma estética excessivamente polida, sem encontrar a coragem necessária para transformar tudo isso em algo realmente memorável.

Distribuído pela Na Paralela Filmes, em codistribuição com A Fábrica, Era Uma Vez Minha 1ª Vez chega aos cinemas em 17 de setembro.

Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!

Leia mais

  • Crítica: ‘Oasis: Don’t Look Back In Anger’ transforma o caos dos Gallagher em bíblica história de redenção
  • Crítica: ‘Espermagedom’, o absurdo nunca foi tão gozado
  • Crítica: ‘A Ilha Esquecida’ transforma o exagero na mais pura forma de arte
Tags:adaptaçãoCinemacinema brasileirocinema nacionalclaudia castrocomédia adolescentecrítica de cinemaDestaque no ViventeEra Uma Vez Minha 1ª VezEra Uma Vez Minha 1ª Vez críticafilmes adolescentesfilmes brasileirosprimeira vezThalita Rebouças
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
PorAndré Quental Sanchez
Me Siga!
André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

Crítica Sing 2
Cinema e StreamingCríticaNotícias

Crítica | ‘Sing 2’ traz música e humor em história simples e divertida

Felipe Novoa
6 Min Leitura
Atrizes Laís Villela e Giulia Benite do filme "Turma da Mônica - Lições"
Cinema e StreamingNotícias

Emocionante, ‘Turma da Mônica – Lições’ estreia nos cinemas dia 30 de dezembro

Redação
3 Min Leitura
dicas de teatro rio de janeiro NA QUINTA DOR
CulturaEspetáculos

Na Quinta Dor: Dora de Assis transforma riso em arma em nova temporada no Rio

Redação
3 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?