O legado de Tarsila do Amaral, um dos maiores nomes da arte brasileira, será celebrado em grande estilo no segundo semestre de 2026. Prestes a completar 140 anos de nascimento, a pintora modernista será homenageada com dois dos maiores projetos culturais já realizados sobre sua trajetória: o musical Tarsila, a Brasileira, protagonizado por Claudia Raia, e a exposição imersiva O Brasil de Tarsila, que promete ser a maior experiência sensorial já dedicada à artista.
Enquanto o espetáculo inicia uma turnê nacional por sete cidades, passando pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro nos dias 1º e 2 de agosto, São Paulo receberá, a partir de 15 de agosto, uma mostra inédita que combina arte, tecnologia e experiências interativas em um novo centro cultural instalado no tradicional Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.
Claudia Raia vive Tarsila do Amaral nos palcos
Em Tarsila, a Brasileira, Claudia Raia interpreta aquela que é considerada uma das artistas mais importantes da história do país. Além de protagonizar o espetáculo, a atriz também assina a produção ao lado de Jarbas Homem de Mello, que interpreta Oswald de Andrade, parceiro artístico e amor da pintora.
Com texto e letras de Anna Toledo e José Possi Neto — que também dirige o espetáculo —, o musical percorre os principais momentos da vida da artista, desde seu retorno de Paris, em 1922, até sua consagração como símbolo do Modernismo brasileiro.
A narrativa acompanha a formação do histórico Grupo dos Cinco, ao lado de Anita Malfatti, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia e Oswald de Andrade, além da criação do movimento antropofágico e do nascimento de Abaporu, considerada a obra mais emblemática da arte brasileira.
A segunda parte da montagem apresenta uma Tarsila mais madura.
Após a crise econômica de 1929, ela perde sua fortuna, enfrenta a separação de Oswald — que inicia um relacionamento com Pagu —, viaja para Moscou, inicia sua fase social retratando trabalhadores brasileiros e chega a ser presa durante o governo Getúlio Vargas por suspeita de atividades revolucionárias.
O espetáculo também retrata seu relacionamento com o jornalista Luís Martins, 24 anos mais jovem, além da aproximação da artista com a doutrina espírita de Chico Xavier, tema que marca os anos finais de sua vida.
Segundo Claudia Raia, interpretar Tarsila é revisitar parte da identidade cultural brasileira.
“Arte e cultura são fundamentais porque carregam nossa história, contam mais sobre nós, sobre nossa identidade coletiva. Tarsila do Amaral é a cara do Brasil. Em sua obra, ela revela nosso potencial de criação, renovação e como é importante olhar para o que veio antes.”
Além de Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello, o espetáculo conta com um elenco de 21 atores-cantores.
Entre eles estão:
- Keila Bueno (Anita Malfatti)
- Renato Caetano (Mário de Andrade)
- Ivan Parente (Menotti Del Picchia)
- Thiago Thomé
- Liane Maya
- Caru Truzzi
- Fernanda Salla
- Marilice Cosenza
- Matheus Paiva
- Danilo Barbieri
- Dion Seabra
- Marcos Lanza
- Karine Bonifácio
- Larissa Grajauskas
- Guilherme Pereira
- Maysa Mundim
- Estêvão Souza
- Fernanda Godoy
- Alvinho de Pádua
A direção musical é de Guilherme Terra, enquanto a coreografia é assinada por Alonso Barros.
São Paulo receberá a maior exposição imersiva sobre Tarsila
Poucos dias após a passagem do musical pelo Rio, São Paulo inaugura O Brasil de Tarsila, considerada a maior exposição imersiva já realizada sobre a artista.
A mostra abre as comemorações pelos 140 anos de nascimento da pintora e inaugura um novo espaço cultural no Conjunto Nacional, que promete ser o maior centro de experiências imersivas do Brasil.
O empreendimento é desenvolvido pela Aventura, em parceria com a Deeplab Project, e terá naming rights do Nubank.
A exposição ocupará mais de dez ambientes altamente tecnológicos.
Ao longo do percurso, cerca de 40 obras serão reinterpretadas por meio de:
- projeções em 360 graus;
- cenários imersivos;
- trilha sonora original;
- recursos interativos;
- efeitos especiais;
- experiências com aromas.
O visitante deixará de ser apenas observador para caminhar literalmente dentro das obras da artista.
Entre os trabalhos presentes estão:
- Abaporu
- Antropofagia
- Operários
- A Cuca
- O Sono
- São Paulo
- Religiões Brasileiras
- Figura Só
- Autorretrato (Le Manteau Rouge)
A mostra também apresenta desenhos, estudos e registros das viagens realizadas por Tarsila ao longo da vida.
Um dos diferenciais da exposição é a opção de não utilizar inteligência artificial na criação das imagens.
Todo o conteúdo audiovisual foi produzido por artistas visuais especialmente para o projeto, preservando a identidade estética da obra original de Tarsila.
Segundo os organizadores, a tecnologia aparece como ferramenta para ampliar a experiência artística, e não para substituir a criação humana.
Com curadoria de Paola do Amaral Montenegro, gestora da Tarsila do Amaral S.A., e da pesquisadora Juliana Miraldi, a exposição foi pensada para aproximar crianças, jovens e famílias da obra da artista.
A proposta segue a tendência internacional de grandes experiências imersivas dedicadas a nomes como Van Gogh e Monet, mas desta vez tendo uma artista brasileira como protagonista.
Os dois projetos reforçam a permanência da obra de Tarsila do Amaral como símbolo da identidade cultural brasileira.
Enquanto o musical privilegia a dimensão humana, afetiva e histórica da pintora, a exposição aposta na tecnologia para transportar o público ao universo colorido e inventivo que transformou definitivamente a arte nacional.
Serviço — Musical Tarsila, a Brasileira
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Datas: 1º e 2 de agosto de 2026
Horários: 14h e 19h
Ingressos: Fever e bilheteria do teatro
Serviço — Exposição O Brasil de Tarsila
Local: Novo espaço imersivo do Conjunto Nacional
Endereço: Avenida Paulista — São Paulo
Abertura: 15 de agosto de 2026
Funcionamento: quarta a segunda e feriados
Horário: 10h às 22h
Ingressos
Sexta, sábado, domingo e feriados
- Inteira: R$ 100
- Meia: R$ 50
Segunda, quarta e quinta
- Inteira: R$ 80
- Meia: R$ 40
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