Ler Eduardo Halfon é aceitar perder as certezas. Em seus livros, memória, ficção, autobiografia e invenção caminham lado a lado, tornando quase impossível distinguir onde termina a experiência pessoal e começa a criação literária. É justamente essa característica que transformou o escritor guatemalteco em um dos autores mais originais da literatura contemporânea.
Agora, o público brasileiro terá uma nova oportunidade de mergulhar nesse universo com o lançamento da edição ampliada de O boxeador polonês, publicada pela Autêntica Contemporânea. O autor participa da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), entre os dias 22 e 26 de julho, e também realiza um encontro com leitores no Rio de Janeiro.
A nova edição chega dez anos após a publicação original e traz três contos inéditos para o leitor brasileiro: Fantasma, Cartões-postais e A pirueta. Mais do que uma simples reedição, Halfon define o livro como a concretização do projeto literário que imaginava desde o início.
“Essa nova edição recupera o esquema original que havia sido dividido por decisões editoriais e temporais. Agora, dez anos depois, esse projeto finalmente volta a se unir”, explica o escritor.
No centro da narrativa está um personagem chamado Eduardo Halfon: professor universitário, escritor guatemalteco e neto de um sobrevivente de Auschwitz.
A coincidência entre narrador e autor, porém, não significa autobiografia. Pelo contrário.
Halfon construiu uma carreira justamente explorando esse espaço nebuloso entre realidade e ficção. Seu protagonista compartilha elementos de sua própria vida, mas funciona como um personagem literário, capaz de reinventar lembranças, contradizer fatos e transformar memórias em matéria narrativa.
Essa estratégia faz com que cada livro dialogue com os anteriores, criando uma espécie de grande romance fragmentado.
Ao longo de mais de vinte livros, Halfon desenvolveu um projeto incomum.
Personagens reaparecem anos depois.
Histórias retornam sob novos pontos de vista.
Episódios antes considerados encerrados ganham novos significados.
Por isso, muitos críticos costumam comparar sua obra a uma matrioska, aquelas tradicionais bonecas russas que escondem outras dentro de si. Cada conto parece conter uma narrativa secreta, que leva o leitor a outra história, outro personagem e outra memória.
Essa estrutura já aparece logo na abertura de O boxeador polonês, quando o narrador discute com seus alunos um ensaio do escritor argentino Ricardo Piglia, segundo o qual todo conto contém duas histórias: uma visível e outra oculta.
Eduardo Halfon, Auschwitz, Guatemala e identidade
Entre os diversos episódios que compõem o livro está a emocionante história do avô do narrador, sobrevivente de Auschwitz, cujo número tatuado no braço — fotografado para a capa da edição — funciona como símbolo da memória familiar que atravessa gerações.
Mas Halfon não se limita ao Holocausto.
O livro também acompanha um pianista sérvio em busca de sua identidade, um jovem dividido entre poesia e vida acadêmica, um hippie israelense vivendo na Guatemala e um professor que defende o humor como forma de compreender o mundo.
Mais do que responder o que aconteceu, Halfon parece interessado em outra pergunta: como contamos aquilo que aconteceu?
Nascido na Guatemala em 1971, Eduardo Halfon pertence a uma família de origem judaica, libanesa e polonesa.
Seu trabalho vem recebendo reconhecimento internacional desde 2007, quando foi escolhido pelo Hay Festival de Bogotá como um dos 39 principais escritores latino-americanos com menos de 39 anos.
Desde então, publicou mais de vinte livros, traduzidos para cerca de quinze idiomas, consolidando uma obra que mistura memória, deslocamentos históricos, identidade, exílio e ficção.
No Brasil, a Autêntica Contemporânea também publicou Tarântula, romance vencedor do Prêmio Médicis Étranger e do Prêmio da Crítica Espanhola.
A passagem pelo Brasil começa durante a Flip, em Paraty.
No dia 25 de julho, às 10h, o escritor participa da mesa “A saída é a volta”, ao lado da escritora Paloma Vidal, com mediação de Gabriela Mayer.
Depois, segue para o Rio de Janeiro, onde lança oficialmente a nova edição de O boxeador polonês.
Serviço – O boxeador polonês no Brasil
Lançamento na Flip
Evento: Mesa “A saída é a volta”
Data: 25 de julho
Horário: 10h
Local: Festa Literária Internacional de Paraty (Flip)
Participantes: Eduardo Halfon, Paloma Vidal e Gabriela Mayer
Lançamento no Rio de Janeiro
Livro: O boxeador polonês
Autor: Eduardo Halfon
Data: 27 de julho
Horário: 19h
Local: Livraria da Travessa – Ipanema (Rio de Janeiro)
Ficha:
O BOXEADOR POLONÊS
Autoria: Eduardo Halfon
Tradução: Silvia Massimini Felix
Páginas: 184
Formato: 14 x 21cm
Acabamento: Brochura
ISBN: 978-65-5928-705-5?
Livro físico: R$ 69,80
ISBN digital: 978-65-5928-706-2
E-book: R$ 49,80
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