Em ano de Copa do Mundo de 2026, o futebol volta a mobilizar milhões de pessoas em todo o planeta. Mas antes dos grandes estádios, das estrelas da Seleção Brasileira e das disputas internacionais, uma parte fundamental dessa história começou nos subúrbios cariocas. É justamente essa trajetória que será revisitada pelo projeto Rolé Carioca, que promove no dia 28 de junho o passeio temático “Futebol e Memória: Bangu”, um roteiro gratuito que percorre locais históricos do bairro para revelar como a Zona Oeste do Rio ajudou a construir o esporte mais popular do país.
Realizado pelo Estúdio M’Baraká, em parceria com o Instituto Rolé, o percurso une patrimônio industrial, memória urbana e história do futebol em um passeio que passa por pontos emblemáticos como o Bangu Shopping, a estação ferroviária, a sede social do Bangu Atlético Clube e o tradicional estádio Moça Bonita.
Bangu e as origens do futebol no Brasil
A proposta do passeio é mostrar como o futebol se tornou muito mais do que um esporte, transformando-se em um dos pilares da identidade cultural brasileira.
Um dos personagens centrais do roteiro é Thomas Donohoe, operário escocês que chegou a Bangu em 1894 para trabalhar na Companhia Progresso Industrial do Brazil. Historiadores apontam que ele foi responsável por organizar algumas das primeiras partidas de futebol em território brasileiro, reunindo trabalhadores da fábrica em jogos que ajudariam a disseminar a modalidade pelo país.
Hoje, o espaço da antiga indústria abriga o Bangu Shopping, que participa da ação de valorização da memória local.
“Receber o ponto de partida deste passeio incrível é especialmente significativo para o Bangu Shopping, que ocupa um espaço diretamente ligado à história do bairro e do futebol brasileiro. A antiga fábrica que hoje abriga o empreendimento foi palco de acontecimentos que ajudaram a moldar a identidade de Bangu e a trajetória do esporte no país. Apoiar iniciativas como o Rolé Carioca é uma forma de valorizar esse patrimônio histórico e fortalecer o vínculo da população com a memória local”, destaca Manuela Dias, gerente de Marketing do Bangu Shopping.
O passeio também destaca a importância de Bangu na popularização do esporte entre os trabalhadores e no combate às barreiras sociais e raciais que marcavam os clubes brasileiros no início do século XX.
Em um período em que o futebol era dominado pelas elites, o Bangu Atlético Clube se tornou pioneiro ao abrir espaço para atletas negros e operários, contribuindo para a construção de um esporte mais plural.
“Quando falamos em Copa do Mundo, normalmente pensamos nos grandes estádios, nos craques e nas seleções. Mas existe uma história anterior a tudo isso, construída por trabalhadores, moradores dos subúrbios e comunidades que ajudaram a transformar o futebol em um elemento fundamental da cultura brasileira. Este passeio mostra justamente como Bangu ocupa um lugar central nessa trajetória e por que preservar essa memória é também valorizar a história da cidade”, afirma Isabel Seixas, idealizadora do Rolé Carioca.
O roteiro percorre marcos fundamentais do desenvolvimento do bairro, como a antiga Fábrica Bangu, a estação ferroviária e a sede social do clube alvirrubro, encerrando no Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho, o popular Moça Bonita.
Ao longo do caminho, os participantes conhecerão como a industrialização e o cotidiano dos trabalhadores influenciaram diretamente a formação da identidade de Bangu e sua relação com o futebol.
Mulheres que desafiaram a proibição do futebol feminino
Outro destaque do passeio é o resgate da história das mulheres no futebol.
Entre 1941 e 1979, a prática da modalidade por mulheres foi proibida no Brasil. Mesmo diante das restrições, nomes como Rose e Elzinha desafiaram preconceitos e ajudaram a construir a história do futebol feminino em Bangu durante o fim da década de 1970 e início dos anos 1980.
“Durante décadas, as mulheres foram impedidas de praticar futebol por preconceitos que limitaram não apenas suas oportunidades, mas também a construção da memória esportiva do país. Trazer essa história para o Rolé é uma forma de valorizar essas pioneiras e contribuir para uma reparação histórica necessária”, destaca Isabel Seixas.
A edição contará ainda com a participação especial do jornalista e pesquisador Carlos Molinari, torcedor do Bangu Atlético Clube e guardião da memória do clube. Dono de um acervo com mais de duas mil fotografias, reportagens, vídeos e camisas históricas, ele atua voluntariamente na preservação da história alvirrubra.
Serviço – Rolé Carioca – Futebol e Memória: Bangu
Data: 28 de junho de 2026
Horário: 10h
Ponto de encontro: Bangu Shopping
Entrada gratuita
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