Wednesday, September 28, 2022

Crítica | ‘O Lendário Cão Guerreiro’ é um remake de clássico da comédia

As animações estão cheias de histórias de heróis improváveis, com seus arcos de treinamento e triunfo diante do vilão. O Lendário Cão Guerreiro é mais uma dessas e que chama atenção por ser um remake do clássico filme de Mel Brooks, Um Banzé No Oeste de 1974. Porém diante de tantos plots similares ela acaba não se destacando para além disso.

Com Paulo Vieira, Deborah Secco e Ary Fontoura no elenco brasileiro de dubladores, O Lendário Cão Guerreiro conta a trajetória de Hank, um cão sem muita sorte que após ser capturado por Ika Chu, se torna samurai da cidade de gatos Kakamucho. Lá, ele é recebido com hostilidade pelos moradores da cidade, que não aceitam ter um cão como samurai. Com a ajuda de Jimbo, um samurai aposentado e rabugento, a dupla precisará se unir e defender a vila de gatos contra o exército do vilão, que quer varrer a cidade do mapa.

Protagonista apagado

Tecnicamente falando é uma animação bonita, principalmente em seus momentos mais 2D. Porém, um filme para o público infantil precisa de um protagonista carismático, na sua personalidade e no design, e Hank não cumpre nenhum desses requisitos. Cleavon Little, que interpretou o protagonista do filme original, nos conquista facilmente não só por ser o oprimido mas também por ser o mais esperto dos personagens. Já o cão que deseja ser samurai não gera nenhuma empatia, mesmo quando rechaçado pelos gatos.

A grande diferença do herói mais comum é que o cão samurai não se torna um exímio combatente. Mesmo após a segunda rodada de treinos, ele ainda é um samurai medíocre e esse poderia ser seu charme. O protagonista original também não era habilidoso, mas era esperto o suficiente para resolver todas as situações, já Hank não consegue sequer perceber a óbvia fraqueza do enorme gato lutador de sumô que substitui Mongo.

O destaque fica para Jimbo, tão habilidoso quanto o Jim de Gene Wilder, e que se afundou em erva de gatos. Seu arco acaba sendo mais interessante que o de Hank, e como não bastasse, até seu visual é muito mais chamativo. O roteiro transforma Jimbo no tutor do cão e o verdadeiro responsável pela maioria das proezas, tirando completamente o brilho do protagonista. Na voz dele, mantiveram o dublador do Samuel L Jackson, Márcio Simões.

Não foi a melhor estreia que o talentoso Paulo Vieira poderia ter como dublador. Além de atuar junto de Márcio que é um excelente profissional, o protagonista não poderia ser mais sem graça, dando pouca oportunidade para uma dublagem mais marcante.

Cenas reinterpretadas

O que acaba segurando o filme, para os adultos, são as piadas vindas do original e que ganham o toque especial de absurdo que as animações permitem. O remake ridiculariza os racistas de uma forma até melhor, deixando clara a incoerência dos personagens que odeiam cães. Ainda que não tenha um final que derruba totalmente a quarta parede, existem os momentos de quebra que garantem umas risadas.

As crianças podem se divertir com os demais personagens, mas dificilmente será uma animação de que lembrarão no futuro. Parece que o filme foi pensado mais para homenagear e talvez reviver o clássico do que para vender bonecos e marcar infâncias.

O Lendário Cão Guerreiro estreia nos cinemas em 25 de agosto. Assista o trailer: (1702) O Lendário Cão Guerreiro | Trailer Oficial Dublado | Paramount Pictures Brasil – YouTube

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